Vereadora Tia Karla em sessão na Câmara Municipal.

Suspeita de fraude eleitoral: Vereadora vence na primeira instância, em Nova Friburgo

Justiça eleitoral analisou suposta fraude envolvendo cota de gênero

Vereadora Tia Karla venceu em primeira instância, mas ação sobre suposta fraude eleitoral no Republicanos segue e pode afetar composição da Câmara no município. A vereadora Tia Karla (Republicanos) obteve uma decisão favorável em primeira instância no processo que apura suposta fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024, em Nova Friburgo. A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e ainda pode resultar na perda de mandato de até quatro parlamentares, caso o entendimento seja revertido nas próximas fases do julgamento. Importante destacar que o MPE não identificou nenhuma irregularidade durante a campanha da parlamentar, mas sim suspeitas relacionadas ao partido da vereadora. Segundo registros oficiais, a investigação segue em tramitação na 222ª Zona Eleitoral e tem como base a acusação de que o Republicanos teria utilizado candidaturas femininas fictícias, lançadas apenas para preencher o percentual mínimo determinado pela lei eleitoral.

O que está sendo investigado

De acordo com a ação, duas candidatas do partido teriam apresentado votação inexpressiva, ausência de materiais de campanha e movimentação financeira mínima, o que levantou a suspeita de descumprimento da legislação que garante a participação mínima de mulheres nas chapas proporcionais. Fontes jurídicas apontam que, neste tipo de caso, a Justiça Eleitoral analisa indícios de campanha efetiva, como:
  • uso de redes sociais,
  • presença em agendas públicas,
  • materiais impressos,
  • doações e gastos registrados.

A defesa de Tia Karla

Em pronunciamento feito nas redes sociais, Tia Karla afirmou que a decisão trouxe alívio após meses de tensão: “Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida (…). Vencemos em primeira instância um processo que poderia resultar na perda do meu mandato, mesmo sem qualquer irregularidade cometida por mim”, disse a parlamentar. Ao EcoSerrano, ao esclarecer sobre a investigação, ela reiterou que sua candidatura foi “limpa, legítima e honesta”, lembrando que sua prestação de contas foi uma das primeiras aprovadas pelo TRE.

Posição do partido

O presidente municipal do Republicanos, Sérgio Louback, afirmou que não houve fraude. Ele reconheceu o baixo desempenho das duas candidatas citadas, mas alegou que isso se deu pela falta de repasses financeiros da executiva estadual. Segundo ele, dos R$ 600 mil prometidos, apenas R$ 25 mil foram enviados ao diretório local. A defesa cita jurisprudência recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo a qual “votação inexpressiva, por si só, não caracteriza fraude”. A legislação atual exige a comprovação de intenção deliberada de fraudar a cota.

Outros vereadores podem ser afetados

Caso a Justiça mude o entendimento inicial e considere que houve fraude estrutural na chapa do Republicanos, os votos do partido (5.391 no total) podem ser anulados. Isso poderia alterar o coeficiente eleitoral e atingir outros parlamentares eleitos em 2024. A revisão dos votos pode fazer entrar na Câmara nomes como o Professor André, atual secretário de Bem-Estar Animal, e o médico Dr. Renato Abi-Ramia.

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