Coligação pedirá medida cautelar após TSE anular 274.411 votos de Garotinho, abrindo caminho para vitória de Douglas Ruas no primeiro turno
Eduardo Paes (PSD) e Jane Reis (MDB) anunciaram que a coligação recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir a realização do segundo turno da eleição para governador do Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira, 8 de outubro, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro de Anthony Garotinho (Republicanos) e determinar a anulação dos votos recebidos por ele.
A decisão do TSE abre caminho para que Douglas Ruas (PL) seja declarado eleito no primeiro turno, depois do recálculo do resultado. A retirada dos 274.411 votos de Garotinho reduz o total de votos válidos e permite que Ruas ultrapasse a maioria absoluta necessária para vencer sem uma segunda votação.
Em nota, a coligação “Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir” informou que apresentará um pedido de medida cautelar para preservar a disputa prevista para 25 de outubro.
O comunicado anuncia a iniciativa, mas não informa número de processo nem confirma o protocolo do pedido. Também não há, nas informações apresentadas, decisão do STF sobre a pretensão da coligação.
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Coligação usa votos divergentes para defender nova votação
A campanha de Paes afirmou que o recurso terá como base os votos dos ministros que divergiram da anulação da votação de Garotinho.
Segundo a nota, esses posicionamentos defenderam o respeito à soberania popular e à exigência constitucional de maioria absoluta para a eleição de governador.
“A coligação entrará com pedido de medida cautelar para garantir a realização do segundo turno da eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, conforme a vontade manifestada pela maioria dos eleitores fluminenses nas urnas no último domingo”, declarou a campanha.
A interpretação sobre a vontade dos eleitores é o argumento apresentado pela coligação de Paes. A maioria do TSE adotou outro entendimento: os votos atribuídos a Garotinho devem ser considerados nulos e excluídos do cálculo.
Julgamento terminou com três decisões diferentes
O julgamento concluído nesta quinta-feira tratou da desistência do recurso, do registro da candidatura e do destino dos votos recebidos pelo ex-governador.
Os placares foram:
- 7 a 0 para rejeitar o pedido de Garotinho de desistir do recurso;
- 7 a 0 para negar o registro da candidatura;
- 5 a 2 para considerar nulos os votos recebidos por ele.
Portanto, a divergência não estava na autorização para Garotinho disputar a eleição. Todos os ministros votaram contra o registro. A divisão ocorreu sobre o tratamento de seus votos e a consequência para a definição do resultado estadual.
Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior defenderam a manutenção da votação no cálculo, posição que preservaria o segundo turno.
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Exclusão dos votos pode elevar Ruas a aproximadamente 50,88%
No resultado inicialmente divulgado do primeiro turno, realizado no domingo, 4 de outubro, Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos.
Eduardo Paes ficou em segundo lugar, com 3.706.984 votos e 42,76%. Garotinho recebeu 274.411 votos, correspondentes a 3,17%.
Com a votação de Garotinho incluída, Ruas permanecia abaixo da maioria absoluta. Com sua exclusão, o percentual do candidato do PL passa para aproximadamente 50,88%, suficiente para uma vitória no primeiro turno.
Essa mudança não representa transferência de votos. Ruas mantém a mesma votação nominal, mas ela passa a corresponder a uma parcela maior do total válido. Os percentuais dos outros candidatos também são recalculados.
Retotalização atualiza o resultado das urnas
A decisão exige uma retotalização, ou seja, o recálculo do resultado com o tratamento dos votos definido pelo tribunal.
A atualização permite à Justiça Eleitoral estabelecer os novos percentuais e formalizar a consequência para a disputa pelo governo do Rio.
O anúncio de recurso feito por Paes não equivale à concessão da medida solicitada. A realização do segundo turno, pretendida pela coligação, depende de uma decisão que altere os efeitos do julgamento do TSE.
Registro de Garotinho já havia sido rejeitado pelo TRE-RJ
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro havia negado a candidatura de Garotinho em setembro, considerando os efeitos de uma condenação por improbidade administrativa.
O ex-governador recorreu ao TSE. Antes da votação, decisões individuais alteraram o tratamento de sua candidatura e dos votos que receberia.
No domingo da eleição, o presidente do TSE, Nunes Marques, determinou que a votação de Garotinho continuasse no cálculo dos percentuais até a decisão do plenário. Essa inclusão manteve Ruas abaixo de 50% e indicou, inicialmente, um segundo turno contra Paes.
Após o resultado, Garotinho pediu para desistir do recurso. O tribunal rejeitou a desistência, julgou a candidatura e decidiu pela anulação dos votos.
Com a conclusão dessa etapa, a coligação de Paes anuncia agora a tentativa de levar a discussão ao STF, buscando preservar a votação de 25 de outubro. O desfecho dependerá das providências da Justiça Eleitoral e da análise do pedido, caso seja apresentado ao Supremo.
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