Bebê sendo segurado em um ambiente claro, possivelmente no contexto de saúde e prevenção.

Comitê de prevenção do óbito materno é instituído em Nova Friburgo

Nova Friburgo oficializa comitê após alerta sobre alta de mortes maternas na rede municipal

Comitê de prevenção do óbito materno é criado em Nova Friburgo após taxa de mortalidade hospitalar atingir 14,18% no Raul Sertã, o triplo da média nacional. A criação do Comitê Municipal de Prevenção do Óbito Materno foi oficializada em Nova Friburgo após a divulgação de dados considerados alarmantes na audiência pública de prestação de contas da Saúde, realizada em junho deste ano na Câmara Municipal. Segundo registros apresentados pelo Executivo, a taxa de mortalidade hospitalar no Hospital Municipal Raul Sertã chegou a 14,18% no primeiro quadrimestre de 2024, número três vezes superior à média nacional (4,5%) e o dobro da média estadual (7,1%). A indicação legislativa partiu do vereador Christiano Huguenin (PP), autor da proposta antes mesmo da portaria, e foi reforçada com a publicação oficial feita pelo prefeito Johnny Maycon no Diário Oficial de 17 de outubro de 2025.

Como surgiu a proposta

De acordo com o Projeto de Indicação Legislativa nº 002/2025,, a preocupação com o cenário materno-infantil levou à elaboração de um mecanismo permanente de monitoramento e investigação de mortes relacionadas à gestação, ao parto e ao puerpério. O documento destaca que o Comitê terá caráter técnico, investigativo, sigiloso e não punitivo, auxiliando o município na formulação de respostas preventivas. A justificativa aponta que a mortalidade materna é um dos indicadores mais sensíveis da qualidade da assistência pública, refletindo não apenas atendimento médico, mas também acesso, prevenção e infraestrutura.

O que diz a portaria do Executivo

A Portaria nº 1.737/2025 instituiu oficialmente o órgão e definiu sua composição. O Comitê será formado por representantes da Vigilância Epidemiológica, Saúde da Mulher, Hospital Raul Sertã, Atenção Básica, Conselho Municipal de Saúde, Maternidade e Conselho Tutelar. Entre as nomeadas como titulares estão:
  • Sâmia Maria da Silva Costa (Vigilância Epidemiológica)
  • Beatriz Maria Teixeira Guerra (Coordenação de Saúde da Mulher)
  • Betânia Gonçalves do Couto (Hospital Raul Sertã)
  • Cristiane Vaz Castelano (Atenção Básica)
  • Márcia da Costa Pereira de Jesus (Conselho Municipal de Saúde)
  • Marlene Marcondes dos Santos (Maternidade)
A presidência será exercida por Michele da Silva Ramos Moreira, com Beatriz Teixeira Guerra como vice e Márcia Costa como secretária executiva.

Por que o comitê é considerado urgente

Segundo especialistas da área de saúde pública, a intervenção é entendida como medida emergencial, uma vez que as mortes maternas estão entre as mais evitáveis quando há acompanhamento adequado e protocolos clínicos bem definidos. Em termos práticos, o órgão irá:
  • Investigar cada caso de óbito materno;
  • Identificar fatores de risco associados e padrões de falha;
  • Emitir recomendações técnicas ao município;
  • Sugerir mudanças estruturais e de capacitação profissional;
  • Gerar relatórios e estatísticas para subsidiar políticas públicas.
Conforme a portaria, o comitê não tem caráter punitivo, e servirá como instância técnica de prevenção e melhoria da qualidade assistencial.

Relação com a situação do Raul Sertã

A pressão pelo monitoramento das condições do Hospital Municipal Raul Sertã foi determinante para acelerar a medida. De acordo com dados apresentados publicamente na Câmara, o hospital enfrenta índice de mortalidade hospitalar muito acima dos padrões nacionais, o que acendeu alerta entre parlamentares e conselheiros municipais de saúde.

Próximos passos

A portaria determina reuniões a cada dois meses e em caráter extraordinário sempre que necessário. Também prevê a elaboração de atas, relatórios e recomendações formais – documentos considerados fundamentais para embasar futuras correções de rota na gestão da saúde materna.

ACOMPANHE O ECOSERRANO

Back To Top