Sessão na Câmara de Vereadores de Nova Friburgo, com vereadores e autoridades presentes.

Votos contrários e “traição” marcam votação de nome do Posto de Urgência em Nova Friburgo

Sessão chegou a ser interrompida para projeto ser discutido em sala privada. Portal EcoSerrano descobriu o que foi falado longe do povo. Veja todos os detalhes

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Projeto enfrentou resistência antes da votação e sessão chegou a ser interrompida; apenas dois vereadores votaram contra (veja os vídeos abaixo)

A sessão da Câmara Municipal de Nova Friburgo, realizada na noite da última quinta-feira (22), foi marcada por tensão, articulações políticas e um clima incomum nos corredores do Legislativo. O motivo foi a votação do projeto apresentado pelo vereador Cláudio Damião, que propõe dar o nome de Isadora Stulpen ao Posto de Urgência e Emergência de Lumiar.

A homenagem à menina, que morreu aos 8 anos em um caso que gerou forte comoção e críticas ao poder público, encontrou resistência antes mesmo da votação começar. Em determinado momento da sessão, os trabalhos chegaram a ser interrompidos para uma reunião reservada entre vereadores da base governista e parlamentares da oposição.

Nos bastidores, segundo informações apuradas pelo EcoSerrano, o clima foi de discussão acalorada. O projeto passou a ser tratado não apenas como uma homenagem simbólica, mas também como um tema de forte impacto político dentro da base do governo municipal.

Aliados do prefeito Johnny Maycon teriam avaliado que a aprovação do nome de Isadora para a unidade representaria um constrangimento político para o governo, já que a morte da menina ficou associada, por parte da população e de movimentos locais, à precariedade do atendimento público na região serrana.

Do outro lado, vereadores da oposição defenderam que a homenagem representa a memória, reconhecimento e a luta da população de Lumiar e São Pedro da Serra pela abertura e funcionamento adequado da unidade de saúde.

A resistência ao projeto também teria partido de setores ligados à política local de Lumiar e São Pedro da Serra. Nos bastidores, circulou a informação de que lideranças comunitárias da região seriam contrárias à homenagem. Até o momento, porém, não houve manifestação pública oficial da associação de moradores citada durante as discussões políticas.

O vereador José Carlos Schuabb, que possui forte atuação política na região, esteve entre os principais nomes que demonstraram resistência à proposta.

Ainda segundo relatos obtidos pelo EcoSerrano, durante a reunião reservada teria havido um alinhamento entre parte dos vereadores da base para rejeitar o projeto. Um dos parlamentares presentes teria afirmado, inclusive, que o prefeito poderia vetar a proposta caso ela fosse aprovada pelo plenário.

Quando a sessão foi retomada, o vereador Cláudio Damião utilizou a tribuna para defender publicamente o projeto e mencionou a possibilidade de veto pelo Executivo. A fala mobilizou ainda mais o público presente, que lotava o plenário em apoio à homenagem.

O ambiente ficou pressionado politicamente. Segundo relatos de bastidores, durante a votação um vereador teria mudado de posição no último momento, contrariando o movimento articulado anteriormente. A mudança acabou influenciando outros parlamentares, gerando uma espécie de efeito em cadeia dentro do plenário.

Ao final, o projeto foi aprovado por ampla maioria em primeira discussão: 15 votos favoráveis e apenas dois contrários.

Votaram contra os vereadores Carlinhos do Kiko e José Carlos Schuabb.

Votaram a favor: Cláudio Damião, Maiara Felício, Maicon Gonçalves, Marcos Marins, Cascão do Povo, Isaque Demani, Tia Karla, Evandro Miguel, Angelo Gaguinho, Ghabriel do Zezinho, Dirceu Tarden, Max Bill, Wallance Piran, Cláudio Leandro e Bruno Silva

A aprovação ocorre em meio a um cenário de forte carga emocional para moradores de Lumiar e familiares de Isadora. A discussão em torno do nome da unidade acabou ultrapassando o aspecto administrativo e se transformou em um embate político sobre memória, responsabilidade pública e representação popular dentro da cidade.

O projeto agora segue para segunda discussão. Caso seja aprovado ele ficará sob análise do Executivo Municipal, que poderá sancionar ou vetar a proposta aprovada pela Câmara.

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