Uma mulher em uma maca de hospital, coberta por um lençol branco e com uma roupa verde escura, durante um procedimento médico.

Vereador do PL em Nova Friburgo diz que tragédia com mãe e bebês foi “exceção”

Família acusa Hospital Maternidade de negligência e parlamentar defendeu gestão municipal

Vereador Isaque Demani defende Prefeitura após morte de Ingrid e das gêmeas gerar revolta em Nova Friburgo

Em meio à indignação popular com a morte de Ingrid de Barros Oliveira, de 31 anos, e suas filhas gêmeas recém-nascidas, Emilly e Elisa, o vereador Isaque Demani (PL), líder do governo na Câmara de Nova Friburgo, subiu à tribuna, na última terça-feira (20), para defender a gestão do prefeito Johnny Maycon e os profissionais de saúde da rede municipal. Segundo ele, o atendimento prestado no Hospital Municipal Raul Sertã e no Hospital Maternidade é de excelência e o caso de Ingrid “foi uma exceção”.  

“Temos um serviço de qualidade”, diz vereador

Em seu discurso, Demani lamentou o ocorrido, mas enfatizou que confia no trabalho das equipes médicas municipais. “Apesar de toda a dor, é preciso destacar que temos sim um serviço de qualidade, com profissionais comprometidos. O que aconteceu não representa a regra. Foi uma exceção triste”, disse o vereador. A fala foi vista como insensível por muitos moradores, especialmente por familiares e pessoas que já passaram por situações semelhantes na Maternidade. O EcoSerrano reuniu, inclusive, manchetes de casos anteriores envolvendo a mesma unidade, com relatos de mortes de mães e bebês nos últimos anos.

Relembre a tragédia que abalou a cidade

No dia 13 de maio, Ingrid entrou em trabalho de parto em casa e deu à luz uma das filhas no banheiro. Segundo o marido, ela havia sido internada dias antes com dores e sinais de alerta, como o colo do útero aberto. Mesmo assim, foi liberada sem exames mais detalhados. “Ela voltou ao hospital dia 12, com dor, e a médica nem fez exame de toque. Só deu remédio e mandou para casa”, relatou o viúvo. O SAMU teria demorado cerca de uma hora para prestar socorro, e quando Ingrid chegou à maternidade, uma das bebês já estava morta. A segunda nasceu com vida, mas não resistiu. Já Ingrid passou por complicações graves durante a retirada da placenta, que teria sido feita de forma incorreta, segundo o relato do marido. “Começaram a arrancar a placenta com a mão, em vez de levá-la direto para cirurgia. Isso agravou tudo”, denunciou. Após ser transferida ao Hospital Raul Sertã, Ingrid teve o útero retirado, mas não resistiu e faleceu.

Família denuncia negligência e cobra justiça

O marido de Ingrid foi categórico em seu depoimento: “Minha mulher era saudável. Isso foi assassinato. Estão inventando desculpas. Quero justiça.” A denúncia foi formalizada à polícia e o caso agora está sendo investigado. O Ministério Público também deve apurar possíveis falhas na assistência à gestante.

Prefeitura silencia mesmo após afirmar “compromisso com a transparência”

Na semana anterior, a Secretaria de Saúde de Nova Friburgo publicou uma nota afirmando compromisso com a transparência. No entanto, nenhum representante da Prefeitura, nem mesmo o prefeito Johnny Maycon, se pronunciou oficialmente sobre o caso até o momento. O EcoSerrano entrou em contato com:
  • A Subsecretaria de Comunicação
  • A direção da Maternidade
  • O secretário de Saúde, Gabriel Wenderoschy
Nenhum dos órgãos respondeu aos pedidos de esclarecimento, em clara contradição com a promessa de transparência.

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