Denúncia diz que servidores eram obrigados a devolver quantia em dinheiro para ser usado, supostamente, para “ajuda a eleitores e favorecimentos políticos”. Prints estão na reportagem
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Ex-assessora afirma que era obrigada a devolver parte do salário mensalmente em dinheiro vivo
Um vereador do PL de Nova Friburgo é alvo de uma denúncia grave feita por uma ex-assessora parlamentar, que afirma ter sido coagida a devolver parte de seu salário ao gabinete em uma prática conhecida como “rachadinha”. A denúncia foi formalizada na Câmara Municipal de Nova Friburgo, por meio da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar e também tramita na Justiça Comum. A denúncia traz comprovantes bancários, prints de mensagens e gravações de áudio para corroborar os relatos.
Segundo a denúncia, a ex-servidora diz que foi obrigada a entregar R$ 200 por mês, em espécie, sob o pretexto de “colaboração com atividades externas”. Neste caso, a denunciante afirma que os repasses financiaram atividades paralelas de interesse político e eleitoral do vereador; prática sem amparo legal. A denúncia aponta ainda que o valor foi posteriormente reajustado para R$ 300 mensais, sem justificativa formal, e que a cobrança era realizada por meio de códigos como “brownie” e “encomenda” para dificultar o rastreamento da prática.
Investigação revela estrutura sistemática para evitar provas
Entre janeiro e outubro de 2024, a ex-assessora relata ter feito os repasses mensais em dinheiro vivo. No mês de junho, ela decidiu antecipar R$ 1.000 (equivalente a cinco meses). Contudo, poucos dias depois, o valor exigido aumentou para R$ 300, levando-a a realizar uma transferência via Pix, que está anexada à denúncia.
Na conversa por WhatsApp, ela escreveu: “A diferença do brownie. Não incluí maio pq vc só me avisou em junho, tá bem? 😘”
EcoSerrano questionou menção ao “brownie”; gabinete negou venda de doces
Diante da mensagem que menciona “brownie”, o portal EcoSerrano questionou diretamente o gabinete envolvido se algum assessor ou assessora atuava paralelamente com a venda de doces. A resposta oficial foi negativa, reforçando a suspeita de que o termo teria sido usado como código para os repasses ilícitos, como apontou a ex-assessora.
Servidora relata coação e pagamentos para manter o cargo
A denúncia também afirma que os valores eram usados para financiar ajudas a eleitores e apadrinhados, o que sugere um suposto tráfico de influência. Em 2025, a assessora voltou a ser cobrada, desta vez com base em 10% do salário bruto, o que ela recusou, alegando não ter condições financeiras e que pagaria um valor menor.
A denúncia tem ainda um áudio no qual uma outra funcionária do gabinete pergunta à ex-servidora se o parlamentar estaria ciente de que seus repasses teriam valor menor do que o exigido; a ex-servidora confirma que o vereador está ciente. Este diálogo é reproduzido na denúncia e reforça o suposto envolvimento de outros funcionários na prática.
Câmara confirma apuração pela Comissão de Ética
Em nota oficial enviada ao EcoSerrano, a Câmara Municipal de Nova Friburgo declarou:
“As denúncias realizadas contra vereadores são apreciadas pela Comissão de Ética desta casa Legislativa por meio de uma análise ponderada das alegações e das provas legalmente constituídas. Após esta etapa, a comissão forma sua decisão e encaminha para os órgãos competentes para as devidas providências, havendo necessidade.
No caso específico do vereador citado, a Comissão de Ética está realizando seus trabalhos e fazendo a devida apuração do que foi alegado.”
Fazem parte da Comissão de Ética os vereadores: Bruno Silva (MDB), Max Bill (MDB),Cascão do Povo (PODEMOS), Maicon Gonçalves (MOBILIZA) e Christiano Huguenin (PP).
Gabinete do vereador também se manifestou
O gabinete do parlamentar acusado também emitiu nota:
“Em razão das notícias divulgadas sobre suposta irregularidade no gabinete parlamentar, informamos que o mandato tomou ciência das informações veiculadas e que os fatos serão devidamente apurados pelos meios competentes.
Confia-se plenamente na lisura da atuação da equipe e coloca-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, reafirmando o compromisso com a transparência, a legalidade e o respeito ao interesse público.
Por fim, reitera-se que todas as medidas cabíveis serão adotadas para o devido esclarecimento dos fatos e que há tranquilidade quanto à correção da conduta de todos os envolvidos.”
Câmara pode abrir caminho para investigação externa
A denúncia poderá ser levada ao Ministério Público, caso a Comissão de Ética identifique indícios robustos de prática criminosa. A ex-assessora também declarou desconfiar que outros gabinetes realizem a mesma prática, afirmando que “apenas dois ou três vereadores não participam”.
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