Dados extraídos do aparelho comercial de Daniel Vorcaro indicam contatos parlamentares
São 18 parlamentares listados no aparelho apreendido em Brasília (DF). A maioria é do PL e do PP; investigação está sob relatoria do STF.
Na última quarta-feira, 4 de março de 2026, em Brasília (DF), a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão contra o empresário Daniel Vorcaro e seu sócio Fabiano Zettel. A ordem foi expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, conforme informações oficiais divulgadas após a operação. O impacto imediato ocorreu no meio político nacional, com repercussão na Câmara dos Deputados. Ainda na manhã de quarta-feira (4), investigadores confirmaram que o celular identificado como número “comercial” de Vorcaro continha 18 nomes de deputados e ex-deputados federais. A extração dos dados foi realizada no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Federal. Segundo informações obtidas junto a fontes que acompanham o caso, não foram encontrados registros de parlamentares de partidos da base governista.
Confirmação oficial e dados partidários: De acordo com informações confirmadas por fonte ligada à apuração, os 18 nomes estão distribuídos majoritariamente entre partidos de direita. O PL aparece com cinco registros; o PP com quatro; o PSD com três; Republicanos e Novo com dois cada; União Brasil e PSDB com um representante cada. Entre os nomes identificados estão parlamentares em exercício e ex-integrantes da Câmara dos Deputados. A presença de lideranças com cargos relevantes amplia a repercussão política do caso.
A lista dos 18: nomes identificados com a direita e o bolsonarismo: De acordo com informações confirmadas junto a fontes ligadas à investigação, os 18 parlamentares e ex-parlamentares encontrados na agenda institucional de Daniel Vorcaro pertencem a partidos situados no campo da direita ou centro-direita e são publicamente identificados, em maior ou menor grau, com o bolsonarismo.
A relação inclui:
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – Deputado federal
Altineu Côrtes (PL-RJ) – Deputado federal
Arthur Lira (PP-AL) – Deputado federal (ex-presidente da Câmara)
Bilac Pinto (União Brasil-MG) – Ex-deputado federal
Diego Coronel (PSD-BA) – Deputado federal
Doutor Luizinho (PP-RJ) – Deputado federal
Fábio Mitidieri (PSD-SE) – Ex-deputado federal
Fausto Pinato (PP-SP) – Deputado federal
Flávia Arruda (PL-DF) – Ex-deputada federal
Hugo Motta (Republicanos-PB) – Deputado federal (atual presidente da Câmara)
João Carlos Bacelar (PL-BA) – Deputado federal
Lucas Gonzalez (Novo-MG) – Ex-deputado federal
Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG) – Deputado federal
Márcio Marinho (Republicanos-BA) – Deputado federal
Nikolas Ferreira (PL-MG) – Deputado federal
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) – Deputado federal
Rodrigo Maia (PSD-RJ) – Ex-deputado federal (ex-presidente da Câmara)
Vinicius Poit (Novo-SP) – Ex-deputado federal
Segundo interlocutores da apuração, não há na agenda nomes de parlamentares do PT, PCdoB, PSB ou de outras legendas que compõem a base governista federal. A distribuição partidária indica predominância de siglas que, nos últimos anos, integraram a base política do ex-presidente Jair Bolsonaro ou mantiveram alinhamento frequente com sua pauta no Congresso. A presença dos nomes no aparelho não implica, por si só, irregularidade, sendo a informação tratada no contexto da investigação conduzida pelas autoridades competentes.
Contexto da investigação: A operação que resultou na prisão de Vorcaro teve como base indícios de planejamento de atos violentos contra desafetos e jornalistas, segundo decisão judicial. O caso tramita no STF devido à possível conexão com autoridades com foro por prerrogativa de função. Comparativamente a investigações anteriores envolvendo empresários com interlocução política, a extração direta de agenda institucional com 18 parlamentares catalogados é considerada um dado objetivo relevante no inquérito, segundo especialistas em direito penal consultados em casos semelhantes.
Impacto político imediato: O fato de o aparelho conter contatos de figuras como Nikolas Ferreira (PL-MG), Arthur Lira (PP-AL) e Hugo Motta (Republicanos-PB) gerou repercussão imediata no Congresso Nacional. Parlamentares mencionados ainda não se manifestaram formalmente até a última atualização desta reportagem. Segundo nota de bastidores obtida junto a interlocutores, a presença de contatos na agenda não implica, por si só, irregularidade ou participação em eventuais ilícitos, sendo necessária análise do conteúdo das comunicações.
Procedimento legal: A apreensão e análise de aparelhos eletrônicos seguem rito autorizado judicialmente; os dados passam por perícia técnica; eventuais indícios são juntados ao inquérito; e, caso haja elementos suficientes, podem fundamentar denúncia do Ministério Público. Até o momento, não há acusação formal apresentada contra os parlamentares citados apenas por constarem na agenda telefônica.
Orientação e acompanhamento: A investigação segue sob sigilo parcial. Novas informações dependem de decisões judiciais e eventual divulgação oficial pela Polícia Federal ou pelo STF. A recomendação é acompanhar comunicados institucionais para evitar conclusões antecipadas.
Celular de Vorcaro
Quantos parlamentares foram identificados? Dezoito deputados e ex-deputados constam na agenda do aparelho apreendido.
Quem determinou os mandados de prisão? O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Há acusação formal contra os parlamentares listados? Até o momento, não; a presença na agenda não configura, por si, ilícito.