Sessão da Câmara de Nova Friburgo sobre a previdência dos servidores municipais e a situação do RPPS.

Projeto sugere dobrar salário base de servidores em Nova Friburgo

Proposta do vereador Marcos Marins de valorização do funcionalismo público tramita na Câmara. Veja os detalhes

 Uma indicação legislativa apresentada pelo vereador Marcos Marins (PSD) propõe a reestruturação da jornada e dos vencimentos de servidores municipais que ocupam cargos técnicos de nível superior em Nova Friburgo. O texto sugere que psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, acompanhantes terapêuticos e profissionais de carreiras correlatas passem a cumprir 20 horas semanais, sem redução da remuneração ou de vantagens já incorporadas. A proposta também fixa em R$ 3.744,51 o vencimento básico do Nível I para todas as categorias abrangidas. Atualmente, segundo a justificativa apresentada pelo gabinete do vereador, o vencimento básico utilizado na comparação é de R$ 1.904. A mudança, no entanto, não está em vigor. Por envolver remuneração, jornada e organização do funcionalismo municipal, a iniciativa de um eventual projeto de lei complementar cabe ao Poder Executivo. A indicação funciona como uma sugestão política e legislativa ao prefeito, que poderá decidir se encaminha ou não uma proposta à Câmara.

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Documento calcula perda relativa de 49,35%

A justificativa compara os vencimentos dos concursos municipais de 2007, 2023 e a situação apontada para 2026. Em 2007, o vencimento inicial de R$ 876 para determinadas carreiras representava 2,31 salários mínimos, considerando o piso nacional de R$ 380 naquele ano. No concurso de 2023, o vencimento básico passou para R$ 1.904, com jornada de 30 horas semanais. Como o salário mínimo era de R$ 1.302, a relação caiu para 1,46 salário mínimo. Para 2026, a indicação utiliza um salário mínimo nacional de R$ 1.621 e afirma que o vencimento básico das categorias continuou em R$ 1.904. Com isso, a proporção teria diminuído para 1,17 salário mínimo. A partir dessas referências, o documento calcula uma perda de 49,35% no poder de compra relativo ao longo de 19 anos. O percentual não representa uma redução nominal do salário recebido, mas a queda da equivalência entre o vencimento básico municipal e o salário mínimo nacional. O valor proposto de R$ 3.744,51 busca restabelecer a proporção de 2,31 salários mínimos registrada no concurso de 2007. Esses números fazem parte da fundamentação apresentada pelo autor da indicação e ainda dependeriam de análise técnica, jurídica, administrativa e financeira da Prefeitura. Em publicação nas redes sociais, Marcos Marins afirmou que esses profissionais perderam “quase 50% do seu poder de compra” e associou a defasagem à falta de reconhecimento de categorias que atuam diretamente em serviços de saúde e assistência social. “Essa desvalorização não é apenas um problema salarial. É um problema de reconhecimento e de respeito a quem dedica a vida ao cuidado das pessoas”, escreveu o vereador.

Categorias incluídas na proposta

O texto apresentado à Câmara cita diretamente:
  • assistentes sociais;
  • psicólogos;
  • nutricionistas;
  • fisioterapeutas;
  • fonoaudiólogos;
  • terapeutas ocupacionais;
  • acompanhantes terapêuticos;
  • outras carreiras técnicas de nível superior consideradas correlatas.
A redução para 20 horas semanais não poderia, conforme a proposta, resultar em diminuição da remuneração, das vantagens permanentes ou de parcelas já incorporadas legalmente. O documento informa ainda que a demanda das categorias está relacionada ao Processo Administrativo nº 23.406/2026, protocolado junto à Prefeitura de Nova Friburgo. Segundo a justificativa, o pedido dos servidores reúne fundamentos econômicos, jurídicos e administrativos.

Indicação cita outras carreiras municipais

Para defender a possibilidade de reorganização, o gabinete menciona normas municipais que já alteraram jornadas e vencimentos de outros grupos do funcionalismo. Entre os exemplos aparecem a jornada de 17 horas semanais para atividades de suporte pedagógico e orientação educacional; a reorganização do Fisco Municipal, com redução de 40 para 30 horas; e a padronização de cargos administrativos gerais em 30 horas. A justificativa também compara a proposta com a carreira médica municipal, que, segundo o documento, possui jornada regimental de 20 horas e vencimento de R$ 8.463. Essas referências são utilizadas pelo vereador como argumentos favoráveis à mudança, mas não significam que as categorias tenham automaticamente direito aos mesmos critérios. A eventual equiparação ainda precisaria passar pela avaliação do Executivo e pela tramitação legislativa.

Impacto financeiro ainda não foi apresentado

A indicação estabelece que as despesas poderiam ser pagas com dotações do orçamento municipal, com suplementação, se necessária. Entretanto, o documento não apresenta o número de servidores abrangidos nem o impacto total da mudança sobre a folha de pagamento. A própria justificativa reconhece que a elaboração da estimativa orçamentária e financeira, a análise de compatibilidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal e a avaliação sobre a conveniência administrativa permanecem sob responsabilidade do chefe do Poder Executivo. Esse é um ponto decisivo para a continuidade da proposta. Antes de encaminhar um projeto à Câmara, a Prefeitura teria de calcular quanto custaria elevar os vencimentos, reduzir a jornada e manter o funcionamento dos serviços. A indicação foi datada de 30 de julho de 2026 e solicita que o texto seja apreciado pelos vereadores e encaminhado ao Executivo. Caso a Prefeitura aceite a sugestão, ainda será necessário elaborar e enviar um projeto de lei complementar para votação.

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