Bispo Marcelo Crivella falando em um evento, com um microfone na frente e um terno azul.

Marcelo Crivella tem R$ 320 milhões bloqueados por suspeita de corrupção

Veja na reportagem os crimes pelos quais o Bispo é acusado de cometer

🧾 Justiça bloqueia bens de Crivella e aliados por suspeita de corrupção na pandemia

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, teve R$ 50,5 milhões em bens bloqueados por decisão da 3ª Vara da Fazenda Pública da Capital, atendendo a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A decisão, tomada nesta segunda-feira (05/12), faz parte de uma ação civil pública por improbidade administrativa, que investiga irregularidades em contratos milionários para aquisição de equipamentos hospitalares durante a pandemia de Covid-19.

⚠️ Entenda a denúncia do MPRJ

De acordo com o MPRJ, os contratos firmados entre a gestão Crivella e a empresa China Meheco Corporation foram direcionados para beneficiar a fornecedora estrangeira, com dispensa e favorecimento em licitações. As aquisições, realizadas durante a crise sanitária, causaram um dano estimado de R$ 68 milhões aos cofres públicos, segundo auditorias do Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ). Os prejuízos incluem:
  • Compra de equipamentos acima da real demanda da rede municipal; 
  • Sobrepreço em aquisições emergenciais; 
  • Perdas com variação cambial. 

👥 Quem são os outros réus no processo?

Além de Crivella, a decisão da Justiça inclui o bloqueio de bens de mais oito réus, entre ex-gestores, empresários e empresas, totalizando um valor de R$ 320 milhões. Veja quem são:
  • Ana Beatriz Busch Araújo – ex-secretária municipal de Saúde 
  • Ivo Remuszka Junior – ex-subsecretário de Saúde 
  • China Meheco Corporation – empresa contratada 
  • Bruno Cavalcanti – empresário e arrecadador de campanha 
  • Bing Changbao – sócio empresarial 
  • Z Fu Consultoria Empresarial – R$ 36,9 milhões por réu 
  • Mayers Participações – R$ 7,4 milhões 
  • Marzuk Projetos Especiais – R$ 355 mil 

💼 Acordos suspeitos e caixa dois de campanha

A denúncia sustenta que a empresa Z Fu, da qual Bruno Cavalcanti é sócio, assinou acordo com um fornecedor chinês para receber comissão de 11% sobre os valores pagos pelo Município do Rio. Para o MPRJ, esse valor seria usado como vantagem indevida para facilitar a contratação da China Meheco. Cavalcanti também é apontado como arrecadador de caixa dois da campanha de Crivella em 2016, além de fiador do comitê eleitoral. Apesar de não ocupar cargo público, ele teria tido acesso privilegiado a documentos internos da Secretaria de Saúde e participado da estruturação dos contratos suspeitos.

🧑‍⚖️ O que diz o Ministério Público

Em trecho da ação, o MPRJ afirma: “Os agentes públicos agem de forma inequivocamente dolosa, ao favorecer empresa estrangeira que pactuou o pagamento de vantagem indevida (‘comissão’) sobre os contratos celebrados com a municipalidade, em favor de empresários que colaboraram na campanha eleitoral de Marcelo Crivella.”

📑 O que o MPRJ pede à Justiça

Além do bloqueio de bens, o MPRJ solicitou à Justiça:
  • Notificação dos réus com base na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92); 
  • Aplicação da Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) às empresas e empresários; 
  • Ressarcimento integral dos danos ao erário; 
  • Reversão dos valores obtidos de forma ilícita.
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