Washington Reis sorrindo em seu escritório, com bandeiras do MDB.

Justiça condena Washington Reis por fraude imobiliária em Duque de Caxias

Ex-deputado federal e ex-secretário estadual foi condenado por corrupção ativa em esquema de registros imobiliários irregulares

A Justiça do Rio condenou Washington Reis a três anos e sete meses de prisão por envolvimento em fraude imobiliária em Duque de Caxias. A decisão também condena outros dois réus e gera repercussões políticas, inclusive em Nova Friburgo, onde o ex-secretário mantém alianças políticas.

Condenação por esquema de fraude imobiliária

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Transportes Washington Reis (MDB) a três anos e sete meses de reclusão por envolvimento em um esquema de fraude imobiliária no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias e também atingiu outros dois envolvidos no caso.

Outros condenados no processo

Além de Washington Reis, foram condenados:
  • Elói de Oliveira Pinto: três anos, um mês e dez dias de prisão;
  • Josemar Francisco, ex-oficial do 5º Ofício de Notas de Nova Iguaçu: dois anos e oito meses de prisão.
O juízo fixou o regime inicial aberto para o cumprimento das penas e determinou o pagamento de indenização de R$ 10 mil por condenado, a título de reparação dos danos causados.

O que apontou a denúncia do Ministério Público

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em junho de 2014, os réus teriam se associado para viabilizar a transferência e o registro fraudulento de lotes rurais pertencentes a terceiros. De acordo com as investigações, os atos teriam sido realizados por meio de procedimentos notariais irregulares, com o objetivo de regularizar imóveis utilizando documentação fraudulenta.

Pagamento de vantagem indevida

Conforme consta nos autos, Washington Reis e Elói de Oliveira Pinto teriam ajustado com Josemar Francisco o pagamento de vantagem indevida para a prática dos atos ilícitos. A sentença relata que houve uma reunião entre os três, na qual foi acordado o pagamento de R$ 500 mil para a execução do esquema. Um valor inicial de R$ 150 mil foi transferido via TED para a conta oficial do cartório, fato confirmado durante o processo judicial. O juízo destacou que Josemar solicitou e recebeu diretamente o valor, depositado de comum acordo pelos outros dois réus, que não negaram o pagamento.

Enquadramento jurídico das condutas

Com base no conjunto probatório, a Justiça entendeu que as condutas se enquadram nos seguintes crimes do Código Penal:
  • Artigo 333 – Corrupção ativa (Washington Reis e Elói de Oliveira Pinto);
  • Artigo 317 – Corrupção passiva (Josemar Francisco).
A decisão ressalta que as provas documentais e testemunhais foram suficientes para comprovar a prática dos crimes.

O que dizem os citados

Procurado, Washington Reis declarou que desconhece totalmente os fatos narrados, afirmou não ter relação com as acusações e disse que confia na Justiça. Segundo ele, a defesa já prepara recurso contra a decisão, que será apresentado no processo.

Impactos e repercussões políticas em Nova Friburgo

A condenação repercute além da Baixada Fluminense. Washington Reis é aliado político do prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon, e integra o mesmo partido do vice-prefeito Rodrigo Ascoly (MDB). A aproximação política entre lideranças de Nova Friburgo e a Baixada Fluminense vem sendo registrada desde 2023, com presença frequente de representantes friburguenses em eventos na região. A decisão judicial pode gerar desdobramentos no cenário político local, especialmente diante do debate sobre alianças partidárias e ética na administração pública.

O que você pensa sobre o caso?

  • Você acredita que condenações judiciais devem influenciar alianças políticas locais?
  • Casos de corrupção em outras regiões impactam a confiança na política municipal?
  • Como a Justiça deve agir para evitar fraudes envolvendo registros imobiliários?

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