Mãos trocando dinheiro sob mesa, aludindo a corrupção em licitações

GAECO denuncia servidores e empresários por suposto superfaturamento em desapropriação em Niterói

MPRJ aciona Justiça em caso que envolve desapropriação milionária em Niterói

GAECO denuncia servidores, empresários e ex-secretário de Niterói por suspeita de superfaturamento em desapropriação usada para implantação de parque municipal.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do GAECO, apresentou uma denúncia que envolve sete investigados, entre eles o subprocurador-geral do Município de Niterói, o então secretário municipal de Urbanismo e Mobilidade, funcionários públicos ligados à pasta e dois empresários. Segundo documentos do MPRJ, o grupo é acusado de atuar em um processo que teria resultado no superfaturamento de uma desapropriação no bairro de Jurujuba.

Denúncia envolve desapropriação para o Parque Natural do Morro do Morcego

Segundo registros oficiais anexados ao processo, a desapropriação questionada seria utilizada para a implantação do Parque Natural do Morro do Morcego, área ambiental localizada em Jurujuba. O relatório técnico do GATE/MPRJ aponta que o imóvel teria sido adquirido por empresários da empresa Krek Administração Ltda por R$ 1,8 milhão, cerca de um ano antes da desapropriação pelo Município. Ainda segundo o Ministério Público, a mesma área teria sido avaliada, pela Comissão de Avaliação da Secretaria de Urbanismo e Mobilidade, em valor superior a R$ 20 milhões.

Como chegaria ao suposto superfaturamento

A investigação aponta que:
  • os avaliadores da Secretaria teriam considerado o valor milionário sem detalhar limitações técnicas do imóvel;
  • parecer anterior recomendava diligências complementares, mas o processo teria avançado mesmo assim;
  • o subprocurador-geral do município teria emitido parecer favorável à desapropriação;
  • empresários e agentes públicos teriam agido em conjunto para validar o valor estimado.
O Ministério Público ressalta que há indícios de que a avaliação oficial “passou ao largo das condicionantes estruturais”, resultando na quantia considerada superfaturada pelo relatório técnico.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta terça (18)

De acordo com o MPRJ, o GAECO cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços residenciais dos denunciados e nas sedes de duas empresas em Niterói. A Justiça determinou ainda:
  • bloqueio de bens dos envolvidos;
  • sequestro de valores que somam R$ 20 milhões, equivalente ao montante apontado pelo MPRJ como superfaturamento.
Fontes confiáveis classificam a operação como uma das mais relevantes do ano na Região Metropolitana no âmbito de controle de gastos públicos e integridade administrativa.

Quem são os denunciados (segundo o MPRJ)

Conforme documentos judiciais, a denúncia envolve:
  • José Renato da Gama Barandier Junior — então secretário municipal de Urbanismo e Mobilidade
  • Francisco Miguel Soares — subprocurador-geral
  • Marcos Augusto Nobrega da Câmara Torres — atual membro da Comissão de Avaliação
  • Douglas Ferreira Cavalcante — fiscal de obras
  • Rosemberg Ornelas Gomes — fiscal de obras
  • Marcus Vinicius Alves — sócio da empresa
  • Sônia Maria Francis Alves — sócia da empresa
Todos foram denunciados por peculato, conforme o artigo 312 do Código Penal.

O que pode acontecer a partir de agora

Com o recebimento da denúncia pela 1ª Vara Criminal de Niterói, o caso segue para:
  • notificação formal dos investigados;
  • apresentação de defesa preliminar;
  • análise de eventuais medidas cautelares adicionais;
  • possível abertura de instrução criminal.
Especialistas ouvidos pelo EcoSerrano afirmam que casos dessa natureza costumam se estender por meses, devido à necessidade de perícias complementares, oitivas e reconstrução documental dos processos internos analisados pelo MPRJ.

Perguntas e Respostas: entenda o caso do GAECO em Niterói

O que motivou a denúncia?

Segundo o MPRJ, a suspeita de superfaturamento de um imóvel desapropriado pelo Município.

Quem foi denunciado?

Servidores públicos, um ex-secretário, o subprocurador-geral e empresários.

A Justiça aceitou a denúncia?

Sim, a 1ª Vara Criminal de Niterói recebeu a denúncia e determinou bloqueio de bens.

Existe condenação?

Não. Até o momento, há apenas denúncia formal — todos têm direito à ampla defesa.

Qual o valor apontado como superfaturado?

R$ 20 milhões, segundo relatório técnico do GATE/MPRJ.

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