Foto da Serra dos Órgãos, com o icônico Dedo de Deus sob a luz do sol.

Esta Cidade do RJ usou dinheiro público para evento religioso e está na mira da Justiça

Ministério Público questiona gasto de R$ 310 mil com evento gospel no interior do Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com ação civil pública para barrar o uso de verba municipal no evento “Clama Teresópolis”, marcado para o dia 15 de novembro e financiado integralmente pela Prefeitura.

Evento religioso financiado com verba pública

De acordo com a Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Teresópolis, o MPRJ ajuizou a ação na última sexta-feira (7/11), com pedido de liminar para suspender o pagamento de cachês e a realização do evento até decisão judicial. O “Clama Teresópolis” foi divulgado nas redes oficiais da Prefeitura como “um dia de muito louvor, palavra e adoração” e contará com apresentações dos artistas gospel Gabriela Rocha e Marcelo Nascimento, cujos cachês somam R$ 310 mil — sendo R$ 250 mil e R$ 60 mil, respectivamente. Segundo a ação, o evento é organizado em parceria com o Conselho de Pastores Evangélicos de Teresópolis (COPETE) e tem caráter estritamente religioso, não podendo ser enquadrado como manifestação cultural.

Princípio da laicidade e uso irregular de verbas

O Ministério Público sustenta que o financiamento do evento fere o princípio da laicidade do Estado, previsto no artigo 19, inciso I, da Constituição Federal, que veda o custeio de cultos religiosos com dinheiro público. “O caso não trata da mera cessão de espaço, mas do financiamento direto de atividade confessional específica, em desacordo com o que determina a Constituição”, destaca o MPRJ no texto da ação. A Promotoria reforça que a neutralidade religiosa da administração pública é essencial para garantir a isonomia entre todas as crenças e evitar que o poder público favoreça determinada fé.

Crise financeira e prioridades municipais

Além do argumento constitucional, o Ministério Público aponta que o município enfrenta grave crise fiscal. Em janeiro deste ano, a Prefeitura decretou estado de calamidade financeira, reconhecendo dívidas milionárias e atrasos em pagamentos de servidores, hospitais conveniados ao SUS e prestadores de serviços essenciais. Nesse contexto, o MPRJ considera injustificável a destinação de recursos a um evento religioso, em detrimento de áreas como saúde, educação e infraestrutura. “Não é concebível que, diante da precariedade dos serviços básicos e da escassez de recursos, o Município destine verba expressiva à realização de um culto religioso específico”, registra o órgão.

Possíveis desdobramentos judiciais

A ação requer decisão liminar imediata para impedir a realização do evento com recursos públicos e, em caso de descumprimento, aplicação de multa diária. O processo tramita na Comarca de Teresópolis e ainda aguarda decisão judicial. Caso a liminar seja deferida, o município poderá ser obrigado a suspender contratos e pagamentos já empenhados para o evento. O EcoSerrano acompanha o caso e atualizará as informações conforme o avanço do processo.

Mini questionário – Entenda o caso

1️⃣ O que motivou a ação do MPRJ? O uso de recursos públicos municipais para custear um culto evangélico específico, considerado inconstitucional pelo Ministério Público. 2️⃣ Quanto seria gasto no evento? R$ 310 mil apenas em cachês de artistas gospel. 3️⃣ Quando o evento ocorreria? No dia 15 de novembro, em Teresópolis. 4️⃣ Qual é o principal argumento jurídico? O princípio da laicidade do Estado, que impede o financiamento de atividades religiosas pelo poder público. 5️⃣ O município pode ser punido? Sim. Caso a Justiça confirme irregularidade, podem ser impostas multas e responsabilização de gestores.

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