Produtos a base de leite foram adulterados com soda cáustica e água oxigenada por empresa do Rio Grande do Sul

ESCÂNDALO: Famosa empresa de laticínios adulterou produtos que são vendidos em todo Brasil

Soda cáustica e água oxigenada foram misturados em produtos que são muito consumidos pela população. Veja o nome da empresa e todos os produtos condenados

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou, nesta quinta-feira (19), denúncia contra 15 pessoas acusadas de envolvimento em um esquema criminoso de adulteração de produtos lácteos. De acordo com a investigação, práticas como o uso de soda cáustica e água oxigenada eram realizadas para mascarar a má qualidade de alimentos destinados ao consumo humano. Cinco pessoas foram presas durante a operação realizada no último dia 12. Entre os denunciados está Sérgio Alberto Seewald, químico industrial conhecido como “alquimista” ou “mago do leite”, apontado como figura central das fraudes. Segundo o MP, os acusados utilizavam métodos ilegais para adulterar leite UHT, leite em pó e outros compostos lácteos, tornando os produtos impróprios e perigosos à saúde humana.

Como funcionava o esquema

O MPRS detalhou que os acusados adicionavam substâncias químicas como soda cáustica e bicarbonato de sódio para neutralizar a acidez do leite cru, além de água oxigenada para aumentar a vida útil dos produtos. O esquema também incluía o uso de ração animal para diluir o leite, produtos vencidos para aumentar o volume, e até a mistura de leite bovino em produtos supostamente caprinos. Essas práticas, conforme o MP, eram realizadas para reprocessar itens vencidos e recuperar alimentos deteriorados, comprometendo gravemente a saúde dos consumidores. Estudos laboratoriais apontaram que os produtos estavam fora dos padrões estabelecidos para consumo humano.

Depósito clandestino e interdições

A reportagem da RBS TV revelou a existência de um depósito clandestino ligado à empresa Dielat, localizada em Taquara, onde toneladas de produtos impróprios foram encontrados. O galpão, a poucas quadras da sede da empresa, armazenava alimentos em condições precárias, com bolor, validade vencida e presença de insetos. A sede da Dielat foi interditada, e um aviso no local informa que as atividades estão suspensas até a conclusão das investigações.

Produtos comercializados

As marcas alvo da operação incluem Mega Lac, Mega Milk, Tentação e Cootall, encontradas no varejo brasileiro. Já no mercado venezuelano, os produtos eram vendidos com os nomes Tigo e Tigolac. Além disso, o leite da marca Mega Milk, distribuído pela Dielat, também era comercializado sob o nome Agrovita, utilizado para participação em licitações.

Defesa dos acusados

A defesa de Sérgio Alberto Seewald afirmou que ele “não possui relação formal ou informal com a empresa Dielat”. O advogado do químico argumentou que “todas as fórmulas divulgadas pelo Ministério Público são próprias do leite, sem indicação de soda cáustica ou água oxigenada”. Já a defesa de Antônio Ricardo Colombo Sader e da Dielat alegou que “não foi encontrado nenhum laudo que comprove as acusações do MP” e declarou que buscará “indenização por difamação, calúnia e injúria pelas falsas acusações realizadas”.

Histórico do ‘mago do leite’

Sérgio Seewald já havia sido investigado em 2014 por práticas semelhantes em outra indústria de laticínios no Vale do Taquari. Em 2005, ele foi absolvido de uma condenação por fraude e, atualmente, cumpre medida cautelar, aguardando a aplicação de uma tornozeleira eletrônica.

Nota da Dielat

Em nota oficial, a Dielat se posicionou: “A DIELAT Indústria e Comércio de Laticínios Ltda. vem a público manifestar surpresa diante da divulgação de infundadas suspeitas sobre a regularidade de sua atuação industrial e dos produtos por ela comercializados. A DIELAT reafirma seus compromissos com o oferecimento de produtos com qualidade e inovação, com responsabilidade socioambiental, reconhecida nacionalmente por oferecer produtos de qualidade. Em sua trajetória iniciada há mais de 8 anos, a empresa mantém permanente dedicação à ética, à moral, aos bons costumes, às leis, a todos os seus clientes e consumidores, traduzida no oferecimento de produtos livres de quaisquer dúvidas em relação à sua integridade.”

Impacto na saúde pública

Especialistas alertam que a ingestão de alimentos adulterados com substâncias como soda cáustica e água oxigenada pode causar sérios danos à saúde, incluindo efeitos carcinogênicos. A investigação segue em curso, e os promotores afirmam que medidas adicionais poderão ser adotadas contra os envolvidos.

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