Operação do GAECO mira suposto esquema na Câmara entre 2017 e 2020
O GAECO/MPRJ denunciou à Justiça uma ex-vereadora de Armação dos Búzios por peculato e associação criminosa. A investigação aponta desvio de recursos públicos entre 2017 e 2020, com cumprimento de mandado de prisão nesta terça-feira, 24 de fevereiro.
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou à Justiça a ex-vereadora Gladys Pereira Rodrigues da Costa e outras três pessoas por associação criminosa e peculato. A informação foi divulgada em nota oficial do Ministério Público.
De acordo com o MPRJ, a denúncia é resultado de investigação própria que apurou um suposto esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal de Búzios entre 2017 e 2020. A pedido do órgão, a Justiça deferiu um mandado de prisão e um de busca e apreensão contra a ex-parlamentar, cumpridos no município nesta mesma data.
Detalhamento da acusação: Segundo a denúncia apresentada pelo GAECO, a então vereadora teria organizado um sistema de arrecadação ilegal de parte ou até da totalidade dos salários de assessores lotados em seu gabinete. Após os pagamentos realizados pela Câmara, os valores eram sacados em dinheiro e repassados em espécie ou por meio de depósitos bancários.
Conforme informações do Ministério Público, foram identificados 87 depósitos em espécie na conta da denunciada entre 2017 e 2019, totalizando R$ 206.013,37. A investigação aponta que os repasses seriam exigidos como condição para permanência nos cargos comissionados.
Provas reunidas e acordos firmados: Entre os elementos citados na denúncia estão depoimentos de ex-assessores; comprovantes de depósitos; análise de movimentações financeiras realizada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). O órgão também informou que houve indicação de familiares para cargos comissionados. De acordo com o comunicado, alguns investigados confessaram a prática e firmaram Acordos de Não Persecução Penal com o Ministério Público. As informações indicam que a apuração envolveu cruzamento de dados bancários e documentos oficiais da Câmara.
Contexto e impacto institucional: O período investigado, de 2017 a 2020, coincide com a legislatura municipal anterior. Casos de suposta “rachadinha” têm sido alvo de apurações em diferentes municípios do país nos últimos anos, com decisões judiciais variadas conforme as provas reunidas.
No caso de Búzios, a denúncia envolve uma ex-integrante do Legislativo municipal, o que pode gerar desdobramentos políticos e administrativos. Até o momento, a defesa da ex-vereadora não havia se manifestado publicamente, segundo nota do MPRJ. A ação envolve uma cidade da Região dos Lagos e quatro denunciados no total, conforme informado oficialmente. O processo seguirá sob análise do Judiciário, que avaliará o recebimento da denúncia e os próximos atos processuais.
Entenda a denúncia em Búzios
O que motivou a denúncia? Segundo o MPRJ, a investigação identificou indícios de desvio de recursos públicos por meio de repasses de salários de assessores entre 2017 e 2020.
Quantas pessoas foram denunciadas? De acordo com o Ministério Público, quatro pessoas foram denunciadas, incluindo a ex-vereadora.
O que acontece após a denúncia? Cabe ao Judiciário decidir se recebe a denúncia e transforma os acusados em réus, dando início à fase processual.