Mesmo com verba parlamentar, pórtico prometido por Johnny Maycon perde força após negativa pública
Secretária de Turismo afirma que o pórtico da RJ-116 não está contemplado no planejamento do governo. Promessa feita em 2024 fica estagnada apesar do decreto de desapropriação e da emenda de R$ 1,9 milhão.O pórtico de Nova Friburgo, anunciado pela prefeitura como um “novo cartão-postal de entrada da cidade”, não vai sair do papel. A confirmação foi dada pela secretária municipal de Turismo, Kamila Mouza, durante apresentação da LDO de 2025 na Câmara Municipal, na última segunda-feira (20).Segundo o vereador Maicon Gonçalves (Mobiliza), que questionou o andamento da obra, a secretária foi direta: “o pórtico não está contemplado”. A fala enfraquece uma das promessas mais divulgadas pela atual gestão durante o período eleitoral de 2024 e contraria anúncios anteriores do próprio governo.
Histórico do projeto e promessa de campanha
O pórtico foi prometido publicamente pelo prefeito Johnny Maycon como símbolo de modernização turística, ainda durante a corrida eleitoral de 2024. Na época, o governo afirmou que o projeto já estava em fase de viabilização.Em 18 de fevereiro deste ano, o Município publicou o Decreto nº 3.397, declarando como área de utilidade pública um terreno de 6.520 m² na RJ-116 (Fazenda Pedra Branca), para desapropriação e construção do pórtico junto ao Centro de Atendimento ao Turista (CAT).O discurso oficial reforçava que a obra seria um “novo marco do turismo” e que a entrada da cidade seria revitalizada.
Emenda parlamentar e expectativa de recursos
De acordo com o vereador Maicon Gonçalves, o deputado federal Luiz Lima (NOVO) destinou uma emenda parlamentar de R$ 1,9 milhão para o projeto, o que aumentou a expectativa de início das obras.Com a negativa atual, cresce a percepção de que o projeto não avançou após o anúncio inicial, apesar do empenho político e da repercussão pública.
O que disse a secretária de Turismo
Na audiência da LDO, quando questionada sobre o andamento da obra, Kamila Mouza respondeu:“Não será um projeto de passagem, apenas, por isso eu preciso ser honesta e dizer que o pórtico não está contemplado.”O posicionamento coloca o projeto numa espécie de limbo administrativo: há decreto, há área desapropriada em andamento, há emenda anunciada, mas não há execução.
Impacto político e desgaste público
A promessa, agora desacreditada, pode gerar desgaste político por se tratar de uma obra utilizada de forma recorrente no discurso oficial de desenvolvimento do turismo.Para moradores e comerciantes da RJ-116, o pórtico era visto como oportunidade de valorização urbana e reforço da identidade turística. Com a retirada do projeto do planejamento, prevalece a sensação de recuo ou abandono.
O que pode acontecer daqui para frente
Sem previsão orçamentária e sem planejamento apresentado, o pórtico passa a ser classificado como projeto sem execução, a despeito do decreto publicado no Diário Oficial.Especialistas em políticas públicas ouvidos informalmente por EcoSerrano avaliam que, sem empenho orçamentário ou abertura de licitação, a obra não ultrapassa a fase de promessa.