Vídeo mostra discussão, confusão, tumulto e ofensas
A 60ª sessão legislativa da Câmara Municipal de Nova Friburgo, realizada em 25 de setembro, foi marcada por clima tenso, embates verbais e clima de autoritarismo. O episódio ocorreu um dia após a audiência de prestação de contas da saúde do 2º quadrimestre de 2025, que expôs divergências entre parlamentares sobre a gestão do Hospital Raul Sertã e os serviços municipais.
Durante a audiência, realizada no dia 24, havia tensão no ar entre os vereadores de oposição ao governo Johnny Maycon e os da base do prefeito, em espcial, entre o líder de governo Isaque Demani (PL) e o vereador Marcos Marins (PSD). Durante a audiência, Demani
afirmou que a gestão da saúde pública e do Raul Sertã “é boa”. A fala ignorou, porém, os registros feitos por Marins de alta taxa de mortalidade, relatos de falta de medicamentos, denúncias de assédio institucional contra servidores e problemas recorrentes de plantões médicos, conforme apontado por opositores.
Acusações de censura e clima de autoritarismo
Na sessão seguinte, o clima do dia anterior ainda gerava reflexos. Em pauta estava a votação para convocar o secretário de Mobilidade e Urbanismo, Luiz Filipe Iaggi Laginestra, a prestar esclarecimentos sobre a escalada de acidentes de trânsito na cidade. O secretário havia recusado convite anterior para comparecer.
O vereador Marcos Marins (PSD) defendeu a convocação, mas foi duramente atacado por Demani, que o chamou de “mentiroso” e “ignorante”. Marins pediu direito de resposta, previsto no regimento interno, mas teve o pedido negado — primeiro por Demani, sem competência e autoridade para isso, e depois pelo presidente da Casa, Dirceu Tarden (PL), que suspendeu a sessão. Durante a pausa, Demani ocupou a cadeira de presidente da Câmara e negou o direito de resposta à Marins, em uma cena interpretada como autoritarismo, além de
submissão e falta de controle da presidência.
Reação da oposição e transparência negada
A vereadora Maiara Felício (PT) concedeu tempo de fala a Marcos Marins, que rebateu Demani e destacou a necessidade de diferenciar “projeto de poder” de “projeto de cidade”, em referência ao parlamentar que ocupa o cargo há quase 20 anos. Maiara criticou a postura da presidência e afirmou que, ao rejeitar a convocação, a Câmara também nega à população o direito à transparência sobre a atuação de secretários e fez alusão à PEC da Blindagem, do Cngresso.
A votação terminou com a não convocação do secretário.
Votaram contra: Isaque Demani, Max Bill, Evandro Miguel, Dirceu Tarden*, Angelo Gaguinho, Tia Karla, Claudio Leandro, Christiano Huguenin, José Carlos Schuabb, Bruno Silva e Jânio de Carvalho. (*Tarden chegou a apertar “sim”, mas corrigiu o voto para “não”).
A favor da convocação: Marcos Marins, Maiara Felício, Maicon Gonçalves, Cláudio Damião e Joelson do Pote.
Espaço aberto para manifestação
O EcoSerrano entrou em contato com o vereador Isaque Demani para que se manifestasse sobre sua conduta. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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