Chamados de “analfabetos funcionais”, vereadores se retiram da sessão em protesto

Priscilla Pitta chorou ao ler nota de repúdio, antes de sair do plenário, acompanhada por mais dois colegas. Na última semana, durante sessão específica, membros do Executivo teriam tratado parlamentares com deboche.

Na noite da última quinta-feira, 15, na Câmara Municipal, durante a Sessão Ordinária de Debate Específico para falar sobre a questão das horas extras excedentes, o Subsecretário de Recursos do Município Thiago Parreira foi convidado pelos parlamentares para prestar esclarecimentos. O subsecretário levou também o Secretário da Casa Civil Pierre de Moraes e juntos fizeram uma apresentação com explicações sobre o tema. No entanto, durante a apresentação, os gestores teriam agido com deboche e, na visão de alguns parlamentares, utilizado linguagem que vai de encontro ao decoro da Casas Legislativa. Durante a fala dos gestores o suposto tom irônico teria ficado ainda mais evidente diante das perguntas feitas pelos parlamentares Priscilla Pitta, Marcinho Alves, Maicon Queiroz e Maiara Felício. Diante do que consideraram uma falta de respeito, os vereadores cobraram do presidente da Câmara Max Bill uma postura mais incisiva de proteção aos parlamentares. Segundo os vereadores que se sentiram atacados, o presidente da Câmara não coibiu os ataques. Diante disso, na 37ª Sessão Legislativa ocorrida na última terça-feira, 20, após ler uma nota de repúdio (leia na íntegra no final da matéria) e exibir a faixa “EXIJO RESPEITO. SOU MULHER, SOU VEREADORA. NEM COM VIOLÊNCIA IRÃO ME CALAR”, Priscilla Pitta, Maicon Queiroz e Marcinho Alves se retiraram da sessão como forma de protesto.

“Analfabeto Funcional”

O analfabeto funcional pode ser capaz de decifrar palavras e frases simples, mas tem dificuldade em compreender textos mais complexos, fazer inferências, extrair informações importantes ou aplicar o conhecimento adquirido na leitura. Durante a explicação sobre as horas extras excedentes, o Secretário Pierre de Moraes utilizou a expressão “Analfabetismo Funcional” para definir o trabalho fiscalizatório de alguns parlamentares. A atitude causou revolta de parte dos vereadores que consideraram uma violação do decoro da Casa Legislativa. Em sua justificativa o Secretário esclareceu que o termo dito não foi generalizado e pediu cuidado na leitura de documentos para não gerar interpretações errôneas. “Quando eu falei sobre essa questão é para quando se lê, não é para todo mundo. Tem que entender. Um ato de leitura com cuidado. A batida não é generalizada. Tem que ter cuidado porque há uma distorção como se tivesse falado que a casa toda era analfabeta. Eu não disse isso, isso é uma mentira, uma falácia. Lógico, se eu trouxer aqui uma redação para alguns escreverem vai ser uma complicação, principalmente para alguém que está apurando o que coloca.”. Na sessão de terça-feira, diante da fala dos vereadores Marcinho Alves, Priscilla Pitta e Maicon Queiroz, que cobraram uma atuação mais enérgica do presidente não só pela fala na Sessão Específica, mas também em termos ditos na tribuna por outros vereadores em ocasiões passadas como “vagabundo”, “cachaceiro” e “estou cagando para o que você pensa”, Max Bill se posicionou a respeito. “Não temos total controle da fala das pessoas e eu interrompi a sessão e pedi a ele (Pierre) um comportamento melhor e até mudou depois disso”.

Nota de repúdio

Abaixo, a nota de repúdio lida pela vereadora Priscilla Pitta: “Excelentíssimo Senhor Presidente e demais Vereadores presentes. Venho por meio desta nota repudiar veementemente os atos acontecidos na Sessão Ordinária de Debate Específico, ocorrido no dia 15/06/2023, onde o Subsecretário de Recursos do Município Sr. Thiago Parreira foi convidado para esclarecer questões relativas ao pagamento escandaloso de horas extras excedentes que oneram os cofres públicos, onde servidores públicos com salário-base de aproximadamente R$1.300,00 e recebem até R$12.000,00. Ocorre que ao invés de se ater ao tema e prestar os esclarecimentos necessários a população, lamentavelmente o convidado trouxe o ex-vereador e atual Secretário da Casa Civil, Sr. Pierre, fato este totalmente estranho, haja vista que o foco da questão versa sobre pagamento de horas extras excedentes, sem relação direta com a pasta do Secretário. E pior, o Sr. Pierre de forma covarde e sem uma eficaz repreensão por parte do Presidente desta Casa, Vereador Max Bill, atacou de forma covarde e desrespeitosa a Vereadora Priscilla Pitta, expondo situações pessoais e já sanadas que fogem totalmente ao tema do debate. Ressaltamos que a presença do Sr. Pierre em nada contribuiu para esclarecer os fatos e mais, apenas reforçou o fato de que não há justificativa para o pagamento tão elevado de horas extras excedentes, impactando diretamente na deficiência na prestação de serviços básicos à população. E mais, não satisfeito o Sr. Pierre de forma pejorativa e irônica se referiu a nós parlamentares desta Casa como sendo “analfabetos funcionais” além invés de prestarem os esclarecimentos fizeram da sessão um espetáculo, com ironias, chacotas em pleno desrespeito a esta Casa Legislativa. Diante de todo o ocorrido, o Presidente desta Casa nada fez para impor o devido comportamento e respeito que esta Casa merece, e adotou uma atitude passiva e acovardada inobservando o art. 20, I, alíneas “l” “o” do Regimento Interno.  A figura do Presidente no momento desrespeitoso que se dera, em risos, sem qualquer intercessão, demonstra a incapacidade de impor o respeito que detém o Poder Legislativo e sinceramente, era esperado outro comportamento de vossa excelência, ainda mais que tem como ofício fora do Parlamento a atividade policial, na qual faz parte manter a lei e a ordem, fato lamentável o desnível permitido por vossa excelência na condução da sessão.  Feitas estas considerações passo para a questão da imputação de que somos analfabetos funcionais. Primeiro, um educador que prima pela profissão de professor, deveria se sentir envergonhado de tratar da palavra “analfabeto” como uma ofensa pejorativa, como expresso pelo filósofo Mário Sérgio Cortella da qual faço minhas, de que: O Brasil ainda tem 13 milhões de pessoas com mais de 15 anos, que não foram alfabetizadas, que não leem se quer o lema de nossa bandeira, ainda temos muito preconceito com as pessoas que não tiveram a condição de se alfabetizar, não conheço alguém analfabeto que o fosse por decisão exclusiva, foi sempre ausência de oportunidades de ocasião, de recursos, por terem que trabalhar ao invés de poderem ir a um colégio, assim professor Pierre, usar o termo analfabeto como ofensa isso é a demonstração do preconceito contra as pessoas que não tiveram a oportunidade de serem alfabetizadas, uma vergonha para quem usa da profissão de educador, o Sr deveria se envergonhar pela qualidade de professor, de saber que o analfabetismo que é um crime social a ser combatido arduamente e não se utilizar dele como ofensa, como se o analfabetismo fosse de responsabilidade exclusiva de quem o é, nem todos tiveram a oportunidade de frequentar os bancos escolares e de acessarem a estudos superiores. Assim como dito pelo filósofo citado, para que tenham na vida mais humildade para saber que não sabemos todas as coisas: “gente grande de verdade sabe que é pequena e por isso cresce, gente pequena acha que ela é grande e o único jeito dela crescer é tentar diminuir as outras pessoas.” O EcoSerrano está concorrendo ao prêmio de melhor portal de notícias de Nova Friburgo. A votação é somente pelo Facebook. Clique no link e ajude o EcoSerrano a vencer: https://www.facebook.com/groups/omelhordenovafriburgo/permalink/755905689663802/?mibextid=Nif5oz A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2    Grupo de Whatsapp 1   Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
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