Cartão de crédito 'Auxílio Lagosta' com lagostas e refeição de luxo ao fundo.

Câmara de Nova Friburgo aprova auxílio alimentação para vereadores após protestos

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Benefício pode ultrapassar R$ 378 mil por ano aos cofres públicos. Veja como votou cada vereador

A sessão desta terça-feira na Câmara de Nova Friburgo terminou em um clima que misturava indignação, incredulidade e revolta de parte do público presente. Enquanto servidores municipais relatavam dificuldades para fechar as contas no fim do mês, os vereadores aprovaram, por 11 votos a 8, a criação de um auxílio-alimentação de R$ 50 por dia para os próprios parlamentares.

Nas redes sociais, o benefício rapidamente ganhou um apelido que já domina os debates políticos da cidade: “Auxílio Lagosta”.

O projeto prevê pagamentos que podem variar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil mensais, dependendo da quantidade de dias contabilizados. Para receber o valor, cada vereador deverá fazer um requerimento formal à Câmara.

A aprovação aconteceu em meio a manifestações contrárias dentro do plenário. Parte dos protestos veio de servidores públicos municipais, que afirmaram existir uma diferença difícil de ignorar entre a realidade enfrentada por trabalhadores da prefeitura e o novo benefício aprovado para os parlamentares.

Hoje, uma parcela dos servidores recebe cerca de R$ 180 mensais de auxílio-alimentação — uma média aproximada de R$ 9 por dia.

A comparação acabou dominando conversas nos corredores da Câmara e também nas redes sociais logo após a votação.

Outro detalhe que ampliou ainda mais a repercussão foi o posicionamento político de parte dos vereadores favoráveis ao projeto. Entre os parlamentares que votaram pelo auxílio, há nomes ligados a grupos e discursos políticos que frequentemente fazem críticas a programas sociais, benefícios assistenciais e pautas de ampliação de direitos trabalhistas.

Para parte da população presente na sessão, a aprovação de um benefício destinado aos próprios vereadores acabou sendo vista como contraditória diante desses posicionamentos públicos.

Votaram a favor do projeto:

  • Ângelo Gaguinho (PL)

  • Wallace Piram (PL)

  • Max Bill (MDB)

  • Dirceu Tardem (PL)

  • Carlinhos do Kiko (PL)

  • Bruno Silva (MDB)

  • Cascão do Povo (Podemos)

  • Claudio Leandro (PL)

  • Evandro Miguel (MDB)

  • Janio de Carvalho (União)

  • Tia Karla (Republicanos)

Votaram contra:

  • Maiara Felício (PT)

  • Maicon Gonçalves (Mobiliza)

  • Claudio Damião (PT)

  • Christiano Huguenin (PP)

  • Marcos Marins (PSD)

  • Gabriel do Zezinho (Solidariedade)

  • Rômulo Pimentel (Podemos)

  • José Carlos Schuabb (União)

Os vereadores Isaque Demani (PL) e Joelson do Pote (PDT) não participaram da votação.

Além dos servidores, moradores do 5º e do 7º distrito também acompanhavam a sessão por conta de outra pauta considerada importante para as regiões. Mesmo assim, a votação do auxílio acabou dominando o ambiente político da noite.

A estimativa é que o benefício possa gerar um impacto superior a R$ 378 mil por ano aos cofres públicos.

No lado de fora da Câmara e nas redes sociais, a sensação de distanciamento entre a realidade da população e a dos representantes políticos virou um dos assuntos mais comentados da cidade.

O debate agora deve continuar nos próximos dias, principalmente entre servidores municipais e moradores que acompanharam a sessão presencialmente.

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