Jovens estão mais suscetíveis, mas público adulto é o que mais preocupa com maior incidência de câncer e AVC
Os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como vapes, e-cigarettes, pods, entre outros nomes, têm sido alvo de preocupações crescentes em relação ao aumento do seu uso, especialmente entre os jovens. Segundo a Anvisa, países como Estados Unidos e Reino Unido, onde esses dispositivos foram liberados, testemunharam um significativo aumento no consumo entre adolescentes. Um dos principais pontos levantados pela Anvisa para justificar a proibição é o potencial de dependência. Estudos indicam que os vapes podem conter até 20 vezes mais nicotina do que os cigarros tradicionais, aumentando o risco de dependência química entre os usuários, especialmente os mais jovens e suscetíveis. No entanto, é o público adulto que tem sentido os efeitos mais negativos.
O uso de dispositivos eletrônicos para fumar, como os vapes e cigarros eletrônicos, tem sido associado a várias doenças e problemas de saúde. As principais doenças causadas pelo uso desses produtos incluem:
Lesões Pulmonares Agudas: Houve relatos de casos de lesões pulmonares graves, como pneumonite lipídica e síndrome respiratória aguda grave (SARS), associadas ao uso de vaping.
Doenças Respiratórias Crônicas: O uso prolongado de vapes pode levar ao desenvolvimento de doenças respiratórias crônicas, como bronquite e enfisema.
Doenças Cardiovasculares: Estudos indicam que o uso de cigarros eletrônicos pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial e problemas vasculares.
Danos às Células Pulmonares: Substâncias químicas presentes nos líquidos dos vapes podem causar danos às células pulmonares, comprometendo a função respiratória a longo prazo.
Dependência de Nicotina: Os dispositivos eletrônicos para fumar frequentemente contêm altas concentrações de nicotina, o que pode levar à dependência química, especialmente entre os jovens.
Aumento do Risco de Infecções Respiratórias: O uso de vapes pode aumentar a suscetibilidade a infecções respiratórias, como pneumonia e bronquite, devido à irritação das vias aéreas.
Danos ao Sistema Imunológico: A exposição a produtos químicos nos líquidos dos vapes pode comprometer o sistema imunológico, tornando os usuários mais suscetíveis a doenças infecciosas.
Efeitos Adversos na Saúde Mental: Além dos impactos físicos, o uso de vapes também pode ter efeitos adversos na saúde mental, como ansiedade e depressão, especialmente entre os adolescentes.
Os dispositivos eletrônicos para fumar surgiram em 2003 e passaram por diversas evoluções tecnológicas desde então, incluindo modelos descartáveis, recarregáveis com líquidos variados, e até sistemas que aquecem tabaco sem queimar, conhecidos como tabaco aquecido. Apesar das diferentes formas de apresentação, todos esses produtos estão abrangidos pela proibição no Brasil desde 2009.A Resolução da Diretoria Colegiada RDC n° 855/2024 reforça não apenas a proibição da comercialização e importação desses dispositivos, mas também seu uso em espaços fechados coletivos, sejam públicos ou privados. Essa medida visa proteger não apenas os usuários diretos, mas também aqueles expostos à fumaça passiva, considerada igualmente prejudicial à saúde. A decisão da Anvisa foi tomada após uma extensa avaliação dos riscos à saúde pública brasileira, reiterando o compromisso do órgão em garantir normas rigorosas de saúde e segurança para a população. A proibição permanece em vigor como uma medida preventiva contra os danos à saúde associados ao uso dos dispositivos eletrônicos para fumar, reforçando a política de saúde pública no país.