Fachada do Hospital Municipal Raul Sertã em Nova Friburgo, Brasil.

Caso Maria Laura: Servidor acusado de abuso é afastado 5 dias após o suposto ato

Secretário se manifestou neste sábado, cinco dias após o registro policial, depois de reportagem do EcoSerrano e vídeos publicados pela família causarem grande comoção nas redes sociais

Cinco dias, uma reportagem do Portal EcoSerrano e dois vídeos publicados pela família de Maria Laura Henrique de Souza Mendes. Somente depois de o caso alcançar grande repercussão nas redes sociais surgiu uma manifestação pública do secretário municipal de Saúde de Nova Friburgo, Gabriel Wenderroschy.

Neste sábado, 12 de setembro, o secretário confirmou o afastamento do servidor acusado de tocar Maria Laura de maneira indevida enquanto ela estava internada no CTI do Hospital Municipal Raul Sertã. Wenderroschy também anunciou a apuração administrativa do caso e informou que se reunirá com a família na próxima segunda-feira, 14.

A denúncia havia sido apresentada dentro do hospital e registrada na 151ª Delegacia de Polícia na segunda-feira, 7 de setembro. Maria Laura morreu na quinta-feira, 10, aos 21 anos, sem conseguir prestar pessoalmente seu depoimento à Polícia Civil.

O afastamento é uma medida administrativa e não representa condenação. O caso foi inicialmente registrado como importunação sexual e deverá ser investigado, com garantia do direito de defesa e da presunção de inocência do profissional citado.

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Profissional continuou trabalhando em outro setor

Segundo a família, mesmo após prestar depoimento na delegacia, o servidor continuou trabalhando normalmente no Hospital Raul Sertã, embora tenha sido deslocado para outro setor da unidade.

Os familiares afirmam que ele permaneceu trabalhando até sexta-feira, 11 de setembro. A informação de que o afastamento foi determinado neste sábado, apresentada pelo próprio secretário, é compatível com a cronologia relatada pela família.

Isso significa que, entre o registro da ocorrência e o afastamento, o profissional permaneceu em atividade dentro do hospital. A Secretaria de Saúde ainda precisa esclarecer quando ocorreu a mudança de setor, quais funções foram desempenhadas nesse período e por que o afastamento preventivo não foi adotado imediatamente após a denúncia.

Vídeos e reportagem ampliaram repercussão

Na manhã deste sábado, Clara Ventura, modelo conhecida em Nova Friburgo e familiar de Maria Laura, publicou um vídeo cobrando providências e esclarecimentos. A gravação alcançou grande repercussão nas redes sociais.

Outro vídeo, com o depoimento de Luiz Antonio Mendes, pai da jovem, já havia sido divulgado com exclusividade pelo Portal EcoSerrano. Ele contou o que ouviu sobre o episódio, afirmou que a família não recebeu apoio do hospital e pediu respostas sobre os últimos dias da filha.

O EcoSerrano também publicou uma reportagem baseada no registro de ocorrência, no termo de declaração da mãe e no relato de Luiz Antonio. Os documentos mostram que a denúncia chegou à Polícia Civil três dias antes da morte da paciente.

O Portal procurou a Secretaria Municipal de Saúde por intermédio da Subsecretaria de Comunicação e encaminhou perguntas diretamente ao secretário Gabriel Wenderroschy na sexta-feira, 11. Nenhuma resposta foi enviada antes da publicação da primeira reportagem.

A manifestação ocorreu neste sábado, depois que os vídeos da família e a reportagem alcançaram grande proporção e provocaram desgaste público para a administração municipal.

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Por que a resposta demorou cinco dias?

A confirmação do afastamento não encerra uma questão central: por que o secretário municipal de Saúde demorou cinco dias para se pronunciar sobre uma denúncia apresentada dentro do principal hospital público de Nova Friburgo e formalizada na Polícia Civil?

A direção do Hospital Raul Sertã, segundo a família, teve conhecimento do relato ainda na segunda-feira, quando Maria Laura permanecia viva. A Polícia Militar foi acionada dentro da unidade e os familiares seguiram para a delegacia.

O registro de ocorrência começou às 19h10 e foi concluído às 20h13 daquele dia. O termo de declaração da mãe foi assinado na manhã de terça-feira, 8.

Mesmo assim, conforme os familiares, o profissional continuou trabalhando, embora em outro setor. O afastamento foi confirmado somente neste sábado.

A sequência dos acontecimentos exige uma pergunta direta: uma denúncia dessa gravidade receberia a mesma resposta se não tivesse viralizado?

A Prefeitura aguardou que o episódio provocasse desgaste nas redes sociais para apresentar uma manifestação? As medidas anunciadas foram adotadas antes ou depois de o caso ganhar repercussão? Por que o secretário não respondeu quando foi procurado diretamente pelo EcoSerrano?

Não é possível afirmar, apenas com a cronologia disponível, que a pressão pública tenha provocado o afastamento. A proximidade entre a viralização dos vídeos, a publicação da reportagem e a primeira manifestação pública do secretário, entretanto, exige transparência sobre o momento em que cada providência foi tomada.

Manifestação ficará disponível por apenas 24 horas

O secretário apresentou seu posicionamento em um vídeo de aproximadamente dois minutos publicado nos Stories de seu perfil pessoal no Instagram.

O conteúdo não foi divulgado, até a conclusão desta reportagem, de maneira permanente nos canais institucionais da Secretaria Municipal de Saúde ou da Prefeitura de Nova Friburgo.

Por ter sido publicado nos Stories, o vídeo ficará originalmente disponível por apenas 24 horas, salvo se for posteriormente colocado nos destaques ou republicado em outro formato.

Por que uma manifestação sobre uma denúncia grave ocorrida dentro de uma unidade municipal não foi apresentada oficialmente nas redes institucionais? Por que escolher uma publicação temporária para responder a um caso de evidente interesse público?

A administração municipal precisa explicar qual é o protocolo adotado quando surge uma denúncia de violência sexual dentro de uma unidade de saúde. A atuação da Prefeitura não pode depender da quantidade de visualizações, do alcance de uma publicação ou do dano provocado à sua imagem nas redes sociais.

Secretário anuncia encontro com a família

Gabriel Wenderroschy afirmou que entrou em contato com os familiares de Maria Laura para prestar solidariedade e marcou uma reunião para segunda-feira, 14 de setembro. O encontro deverá permitir que a família apresente seu relato dentro da apuração administrativa.

O contato ocorreu cinco dias depois de o caso ter sido comunicado dentro do hospital e dois dias após a morte da jovem.

No vídeo, o secretário declarou que as medidas foram tomadas assim que a gestão teve conhecimento do episódio. Ele não informou, porém, em qual dia e horário recebeu a primeira comunicação sobre a denúncia.

Essa informação é essencial porque o Hospital Raul Sertã integra a rede municipal de saúde e, segundo a família, sua direção foi acionada ainda na segunda-feira.

A manifestação também não detalhou quando a sindicância foi formalmente instaurada, qual será o prazo da apuração ou quais medidas foram adotadas para assegurar a preservação dos documentos relacionados ao atendimento e à escala de trabalho.

Denúncia foi feita enquanto Maria Laura estava lúcida

Maria Laura convivia com anemia falciforme desde o nascimento. Segundo o pai, ela já havia enfrentado outras internações e crises provocadas pela doença, mas nunca havia precisado ser encaminhada à UTI ou submetida à intubação.

A internação no Hospital Raul Sertã começou em 4 de setembro. Conforme Luiz Antonio, a jovem chegou à unidade andando e, mesmo com dores, inicialmente conseguia ir ao banheiro sem ajuda.

Depois de uma piora clínica, Maria Laura foi encaminhada ao CTI. O termo de declaração da mãe informa que, durante uma visita realizada por volta das 17h do dia 7, a jovem estava enfraquecida, recebia transfusão de sangue e utilizava oxigênio, mas permanecia lúcida.

Foi durante essa visita que ela contou à mãe e a um primo que um profissional teria tocado seus seios sem apresentar uma justificativa clínica.

Maria Laura havia concluído um curso de enfermagem e, segundo o pai, percebeu que a conduta não correspondia a um procedimento normal. A mãe registrou que não presenciou o episódio, mas reproduziu à polícia o relato que ouviu diretamente da filha.

Intubação e morte ainda precisam ser esclarecidas

Depois da formalização da denúncia, o estado de saúde de Maria Laura piorou e ela precisou ser intubada. Luiz Antonio afirma que os familiares não foram previamente avisados sobre o procedimento.

A jovem morreu na quinta-feira, 10 de setembro.

O EcoSerrano não teve acesso ao prontuário, aos exames, aos laudos nem a uma manifestação médica que esclareça quando a intubação foi realizada, quais alterações clínicas levaram ao procedimento e qual foi a causa da morte.

A sequência temporal entre a denúncia, a intubação e o falecimento não comprova que exista uma relação entre esses acontecimentos. Qualquer conclusão depende de análise médica e documental.

No vídeo publicado neste sábado, Clara Ventura afirmou que o episódio teria desestabilizado emocionalmente Maria Laura. A familiar levantou a possibilidade de que esse abalo tenha contribuído para o agravamento do quadro.

Essa é a percepção apresentada pela família e ainda não possui confirmação médica. Também não há elementos disponíveis que permitam atribuir a morte ao suposto ato denunciado.

Permanecem necessários esclarecimentos objetivos sobre a evolução clínica da jovem, a necessidade de intubação, a comunicação com os familiares e a causa do falecimento.

Resposta ainda é parcial

A manifestação do secretário responde parcialmente aos questionamentos encaminhados pelo EcoSerrano ao confirmar o afastamento e anunciar uma apuração administrativa.

Continuam sem resposta, porém, os pontos relacionados ao intervalo de cinco dias entre a denúncia e o afastamento, à permanência do servidor em atividade em outro setor, à demora no contato com os familiares e à ausência de um posicionamento permanente nos canais oficiais da Prefeitura.

Também não foram esclarecidas as circunstâncias médicas da piora clínica, da intubação e da morte de Maria Laura.

O EcoSerrano solicitará à Secretaria de Saúde informações sobre a data e o ato administrativo que formalizaram o afastamento, a abertura da sindicância, o protocolo adotado após a denúncia e os questionamentos apresentados pela família sobre o atendimento médico.

O espaço permanece aberto à Secretaria Municipal de Saúde, à direção do Hospital Raul Sertã, à Polícia Civil e à defesa do servidor citado.

Telefones úteis

Central de Atendimento à Mulher: 180
Serviço gratuito de orientação, acolhimento e recebimento de denúncias.

Polícia Militar: 190
Para situações de emergência ou violência em andamento. O 180 não substitui o 190 em casos de risco imediato.

RIO DA DEPRESSÃO: https://whatsapp.com/channel/0029VbAzBflJZg41UHQaoP0l

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