Da jaguatirica à onça-pintada: câmeras registram fauna rara no RJ

Raridade no RJ: de onça pintada a jaguatirica, a riqueza das matas fluminenses

Projeto Aventura Animal consegue registrar flagrantes inéditos dos principais animais selvagens do Rio; veja o vídeo

Imagens captadas por armadilhas fotográficas revelam a diversidade de animais silvestres que circulam por áreas preservadas do Estado do Rio de Janeiro. Os registros incluem jaguatirica, onça-parda, irara e caititu em trechos da Região Serrana, além da onça-pintada no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença, no Sul Fluminense.

As câmeras foram instaladas pelo Projeto Aventura Animal, parceiro do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Os equipamentos funcionam de maneira automática e permitem acompanhar a fauna sem a presença constante de pessoas no local, reduzindo a interferência sobre o comportamento dos animais.

Na Região Serrana, o trabalho de monitoramento abrange áreas relacionadas à Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu, e ao Parque Estadual dos Três Picos. As imagens mostram espécies de diferentes portes e hábitos, formando um retrato da vida silvestre preservada entre florestas, rios e montanhas.

Entre os animais identificados estão a jaguatirica, a onça-parda, a irara e o caititu. A presença desses mamíferos oferece informações sobre a fauna que utiliza a floresta para buscar alimento, abrigo, água e condições de reprodução.

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Onça-pintada voltou a ser registrada no estado

O registro de maior repercussão ocorreu no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença. Uma onça-pintada macho e adulta foi identificada pelas câmeras depois de aproximadamente cinco décadas sem registros confirmados da espécie no território fluminense.

O animal começou a ser monitorado em dezembro de 2024, e as primeiras imagens foram divulgadas pelo Inea em julho de 2025. Desde então, novos flagrantes indicaram que o felino continuava circulando pela área protegida.

A ocorrência é especialmente relevante porque a onça-pintada ocupa o topo da cadeia alimentar e necessita de áreas naturais extensas, disponibilidade de presas e conexão entre fragmentos florestais para sobreviver. Sua presença fornece aos pesquisadores informações importantes sobre as condições ambientais da região, embora um único animal não seja suficiente para confirmar o restabelecimento de uma população no estado.

O Parque Estadual da Serra da Concórdia fica no Sul Fluminense e não integra a Região Serrana. Já a REGUA e o Parque Estadual dos Três Picos formam outro núcleo de monitoramento, situado em municípios como Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo. A distinção é importante porque os registros foram feitos em áreas diferentes do território estadual.

Monitoramento sem interferência direta

Também chamadas de câmeras trap, as armadilhas fotográficas são acionadas por sensores quando detectam movimento ou variações de temperatura. Os aparelhos podem permanecer na floresta durante longos períodos, inclusive à noite, registrando animais que dificilmente seriam observados durante uma visita convencional.

Além de confirmar a presença das espécies, as imagens ajudam a estudar horários de atividade, deslocamentos e utilização do território. A comparação dos registros ao longo do tempo também pode indicar mudanças na fauna e orientar estratégias de conservação.

O material divulgado não informa a data individual de todas as imagens apresentadas. Por isso, os flagrantes não devem ser interpretados automaticamente como ocorridos no mesmo dia ou período.

Os registros foram produzidos pelo Projeto Aventura Animal em parceria com o Inea e, na Região Serrana, também envolvem áreas monitoradas junto à REGUA. O EcoSerrano já havia noticiado flagrantes de jaguatiricas captados pelo projeto nos arredores de Cachoeiras de Macacu e no Parque Estadual dos Três Picos.

A sequência de imagens mostra uma parte da biodiversidade mantida nos remanescentes de Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Mais do que cenas raras, os flagrantes fornecem dados para conhecer os animais que ainda vivem nessas florestas e acompanhar as condições dos ambientes dos quais dependem.

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