Fachada do Ministério Público do Rio de Janeiro com carros estacionados em frente.

VAZOU: Prefeito de Nova Friburgo teria feito doação irregular para investigado em possível fraude no Turismo

CASO JINGLE BELL: Investigado também foi candidato em 2024 e Prefeito foi o maior doador de campanha. Prefeitura pode ter tirado mais de R$ 20 milhões de pastas como Saúde e Obras para gastos com festas

 

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Investigação sobre festas em Nova Friburgo pode respingar em prefeito e vice; R$ 20 milhões foram remanejados para o Turismo desde 2022

No último dia 11 de julho, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-secretário de Turismo de Nova Friburgo, Renan Alves, do ex-subsecretário de eventos Júnior Ozório, de Hivilan Freiman Verly (presidente de agremiação carnavalesca) e de Wanderson Tubias da Silva, conhecido como “Wanderson Solares” (tesoureiro do Raio de Luar). Com base nos materiais apreendidos e documentos públicos, a investigação pode atingir diretamente o prefeito Johnny Maycon (PL) e o vice-prefeito Rodrigo Ascoly (MDB), devido a uma possível proximidade com investigados e doações eleitorais consideradas irregulares pelo TCE-RJ.

Doações de campanha na mira do TCE e Justiça Eleitoral

De acordo com os dados do portal Divulgacand do TCE-RJ, Wanderson Solares foi candidato a vereador pelo MDB – mesmo partido do vice – e recebeu R$ 2.290,00 do prefeito Johnny Maycon. A Corte julgou esta e outras doações de Johnny para candidatos de partidos diferentes como  ilegal e considerou as transações como uso indevido de dinheiro público. As contas eleitorais do prefeito foram rejeitadas. De acordo com o TCE-RJ, o prefeito terá que devolver cerca de R$ 240 mil por doações irregulares feitas a diversos candidatos. A decisão foi ratificada pela Justiça Eleitoral.

Investigados fizeram campanha para o atual prefeito

Os investigados e seus familiares aparecem em imagens e vídeos fazendo campanha para Johnny Maycon e Rodrigo Ascoly. Desde o início dos grandes eventos realizados pela prefeitura, os investigados e pessoas próximas ganharam licitações e licenças, como as barraquinhas, para atuarem nestes eventos. Em 2024, logo após as eleições, eles também venceram licitações milionárias para os eventos natalinos de 2024. Esses vínculos podem configurar conflito de interesse e, caso o MPRJ julgue necessário, ampliar a linha de investigação.

Remanejamento de recursos da Saúde para festas

Um dos pontos que mais chamam atenção na investigação é o remanejamento de verbas públicas. A Secretaria de Turismo recebeu, desde 2022, mais de R$ 20 milhões oriundos de pastas como Saúde e Obras.  Em 2025, o remanejamento de R$ 9 milhões da Secretaria de Saúde para o Turismo gerou polêmica. O caso foi denunciado ao MPRJ pelo vereador Marcos Marins (PSD), com base em apuração feita em parceria com o portal EcoSerrano e a equipe jurídica do parlamentar. A consulta aos códigos da transação confirmou a origem dos recursos da saúde pública. Diante do cenário, o Ministério Público recomendou a suspensão de remanejamentos orçamentários para o financiamento de festas e eventos.

Ministério Público segue com investigações

O MPRJ analisa agora o material apreendido, que inclui celulares e documentos. A Promotoria pode ser obrigada a ampliar o alcance da investigação, caso considere relevantes os supostos indícios de proximidade e laços afetivos entre membros da Secretaria de Turismo, investigados, o Prefeito Johny Maycon e o vice, Rodrigo Ascoly.

O que dizem os envolvidos

O prefeito Johnny Maycon declarou em vídeo, no dia 11 de julho, que a Prefeitura foi autora da denúncia e está colaborando com as investigações, mas não respondeu os questionamentos do EcoSerrano sobre sua possível proximidade com os envolvidos. Já o vice-prefeito Rodrigo Ascoly afirmou ao EcoSerrano, nesta terça-feira, 22 de julho, não ter qualquer ligação com os investigados. Ascoly reforçou ainda que todas as denúncias partiram da atuação da própria Prefeitura, por meio da Procuradoria Municipal, e deseja que as investigações continuem. Os demais citados não responderam os contatos do Portal EcoSerrano.

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