Funcionários trabalhando em fábrica de vestuário, com máquinas e bobinas de fios.

Conheça a prática empresarial que tem tornado a vida do trabalhador muito difícil

Medidas estão deixando a classe com medo e risco é de colapso. Veja tudo na matéria

 

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Setor têxtil alerta para risco de colapso com avanço da pejotização

O setor do vestuário — que inclui confecção, têxtil, couro e calçados — já é historicamente marcado por precarização, terceirização e jornadas exaustivas. Agora, entidades sindicais alertam que esse cenário pode piorar drasticamente com a possível liberação irrestrita da pejotização, medida que está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF). Com cerca de 1,6 milhão de trabalhadores com carteira assinada, o setor apresenta grandes disparidades regionais de salário, que variam de R$ 2.500 no Sudeste a pouco mais de um salário mínimo no Nordeste.

Jornada de até 16 horas e trabalho familiar em casa

O trabalho doméstico com uso de maquinário próprio é uma realidade para milhares de costureiras, que muitas vezes envolvem familiares na produção. Jornadas de até 16 horas por dia são comuns, especialmente para quem precisa produzir mais para aumentar a renda, em razão do modelo de remuneração por peça. “A pejotização legaliza a informalidade, deixando os trabalhadores sem rede de proteção, sem direitos, e vulneráveis ao adoecimento”, afirma Cida Trajano, presidente da CNTRV, que representa 420 mil trabalhadores do setor. Ela explica que a prática, já presente de forma informal, deve se expandir para setores como calçados e têxtil, caso o STF autorize a contratação sem restrições por pessoa jurídica (PJ).

Técnicos e eletricistas também são impactados

Outro grupo afetado são os técnicos de manutenção e eletricistas, que apesar de atenderem várias empresas, precisam trabalhar mais horas para compensar a ausência de benefícios como férias, 13º salário e vale-refeição. A CNTRV ressalta que a pejotização irrestrita favorece doenças ocupacionais e instabilidade financeira, principalmente em áreas industriais.

O que está em jogo no STF

Em abril de 2025, o ministro Gilmar Mendes suspendeu todos os processos sobre pejotização no Brasil. A medida foi tomada após o STF reconhecer repercussão geral sobre o tema, indicando que será tomada uma decisão vinculante para todo o Judiciário. A Corte agora analisará:
  • Se a Justiça do Trabalho é a única a julgar casos de fraude em contratos PJ;
  • Se é legal contratar como PJ em vez de com carteira assinada;
  • Quem deve comprovar eventual fraude: o empregador ou o trabalhador.

Risco à Previdência e ausência de critérios

Para Cida Trajano, a pejotização é irreversível em alguns segmentos, como tecnologia e programação, mas exige critérios claros. “Na indústria, a pejotização desenfreada é danosa à saúde do trabalhador e à Previdência, que deixa de receber contribuições”, alerta. Enquanto o julgamento do STF segue sem data definida, entidades de trabalhadores se mobilizam para manter o vínculo celetista e evitar que o modelo PJ vire regra em setores de produção intensiva.

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