Gestor público comparou o atraso da unidade de Nova Friburgo com outros projetos e defendeu recursos contínuos para manter serviços, equipes e insumos
O atraso na entrega do Hospital do Câncer de Nova Friburgo voltou ao debate público após Zé Alexandre defender que a discussão sobre a unidade não seja limitada à conclusão do prédio. Em entrevista a um podcast, o gestor público afirmou que o município também precisa assegurar recursos permanentes no orçamento estadual para que o hospital possa funcionar continuamente depois de inaugurado.
Zé Alexandre, que disputa uma vaga de deputado estadual, apresentou a situação da unidade como exemplo das dificuldades enfrentadas pela Região Serrana para transformar projetos anunciados em serviços efetivamente disponíveis à população. A fala ocorreu em contexto eleitoral, mas concentrou-se em dois pontos objetivos: a demora na execução do hospital e a necessidade de financiamento para o atendimento.
Segundo ele, o Hospital do Câncer de Nova Friburgo foi pactuado em 2012. Durante a entrevista, Zé Alexandre comparou o andamento do projeto com o Hospital Regional do Médio Paraíba, em Volta Redonda, que, conforme declarou, foi pactuado em 2016 e já atende a população há anos.
“Hospitais pactuados depois do nosso já estão funcionando”, afirmou.
A comparação foi utilizada por ele para sustentar que a Região Serrana precisa ampliar sua capacidade de articulação junto ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na avaliação apresentada, regiões com bancadas mais mobilizadas conseguem exercer maior pressão pela liberação de recursos e execução de projetos estruturantes.
Os dados e as datas citados por Zé Alexandre foram apresentados durante a entrevista. O material divulgado não trouxe documentos complementares sobre os dois processos de pactuação nem informações atualizadas sobre o percentual executado da obra de Nova Friburgo.
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Debate vai além da entrega do prédio
O ponto central da manifestação foi o custeio da unidade. Ao abordar o que acontecerá depois da conclusão física do hospital, Zé Alexandre ampliou a discussão para uma etapa menos visível: a manutenção cotidiana do atendimento.
Um hospital não depende apenas de prédio e equipamentos. Para funcionar, precisa de equipes médicas e assistenciais, medicamentos, insumos, manutenção, contratos e recursos destinados aos diferentes serviços. No caso de uma unidade oncológica, o planejamento também precisa contemplar a continuidade de tratamentos como radioterapia e quimioterapia.
Zé Alexandre defendeu que esses recursos sejam previstos continuamente na Lei Orçamentária Anual do Estado. A LOA é o instrumento que organiza as receitas e despesas públicas previstas para cada ano. Na prática, incluir o custeio da unidade no orçamento significa reservar recursos para que os serviços não dependam apenas de anúncios ou liberações pontuais.
“Não basta inaugurar, é preciso garantir orçamento para manter o hospital aberto e funcionando”, declarou.
A proposta demonstra uma preocupação que ultrapassa a cerimônia de entrega. Sem planejamento financeiro permanente, uma estrutura concluída pode enfrentar dificuldades para abrir todos os setores, contratar equipes, adquirir insumos ou manter a regularidade dos tratamentos.
Representação regional entrou na discussão
Zé Alexandre relacionou a demora do Hospital do Câncer ao peso político da Região Serrana nas decisões estaduais. Para ele, representantes locais precisam acompanhar a elaboração do orçamento, apresentar emendas, cobrar cronogramas e fiscalizar a aplicação dos recursos.
Ao colocar a articulação orçamentária no centro da discussão, o gestor apresenta uma linha de atuação concreta: não apenas cobrar o término da obra, mas acompanhar a previsão de recursos necessária para transformar o hospital em atendimento regular.
Essa abordagem também desloca o debate de uma promessa genérica para perguntas que poderão ser cobradas do poder público: quanto será necessário para o funcionamento anual da unidade, qual será o modelo de gestão, quem ficará responsável pelos profissionais, quais serviços estarão disponíveis na abertura e como será organizada a rede de atendimento aos pacientes da Região Serrana.
Essas informações não foram detalhadas no material divulgado e continuam fundamentais para que a população possa acompanhar o projeto.
Saúde pública como compromisso permanente
O Hospital do Câncer é aguardado por pacientes e famílias que atualmente precisam buscar parte do tratamento fora de Nova Friburgo. Por isso, a conclusão da obra representa apenas uma etapa de um compromisso mais amplo.
A defesa feita por Zé Alexandre reúne três frentes: conclusão da estrutura, articulação regional e garantia de custeio. Sem abandonar a cobrança pelo fim do atraso, ele chama atenção para a responsabilidade de manter o hospital operando depois que as portas forem abertas.
Em uma discussão frequentemente marcada por prazos e anúncios, a ênfase no orçamento permanente acrescenta um elemento prático ao debate. A efetividade da proposta, porém, dependerá da inclusão dos recursos nas leis orçamentárias, da definição do modelo de funcionamento e da fiscalização sobre o cumprimento das metas.
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