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Você sabia que alguns bairros do Rio de Janeiro estão afundando? Veja quais

Levantamento internacional identificou subsidência em áreas da capital fluminense, incluindo bairros densamente povoados e famosos

Um estudo da Universidade Tecnológica de Nanyang aponta que o solo do Rio de Janeiro está afundando em diferentes regiões, com taxas preocupantes. Especialistas explicam o fenômeno, os riscos para construções e os desafios para prevenção.

Estudo internacional acende alerta sobre o solo do Rio: Um levantamento global realizado pela Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), em Cingapura, revelou que diversas áreas do Rio de Janeiro apresentam subsidência do solo, com taxas que variam de 0,01 centímetro a até 6,3 centímetros por ano, no período entre 2014 e 2020. Segundo os pesquisadores, o fenômeno ocorre tanto em áreas densamente ocupadas por comunidades quanto em bairros de alto padrão, indicando um problema geológico e urbano de grande escala.

O que é a subsidência do solo: A subsidência, também conhecida como recalque do solo, é o rebaixamento vertical gradual da superfície terrestre. O processo pode ter origem natural ou ser intensificado pela ação humana, especialmente em regiões com ocupação desordenada. No caso do Rio de Janeiro, informações técnicas indicam que o problema está fortemente associado à presença de solos argilosos muito moles, comuns em áreas originalmente alagadiças ou aterradas ao longo do crescimento urbano.

Por que Rio das Pedras é uma das áreas mais críticas: Entre as regiões mais afetadas está Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital. De acordo com o engenheiro civil Juliano de Lima, da Uerj e do Cefet/RJ, o local sofre com um processo chamado “recalque por adensamento primário”. O solo da região é composto por argila orgânica de baixa consistência, comparável a uma esponja saturada de água. Com o peso das construções, a água presente nos poros do solo é expulsa, reduzindo o volume do terreno e provocando o afundamento progressivo.

Riscos estruturais e histórico de ocorrências: O recalque do solo provoca trincas, rachaduras e instabilidade estrutural nas edificações. Conforme apontam especialistas, o maior perigo está no chamado recalque diferencial, quando partes do solo afundam em velocidades diferentes. Esse tipo de instabilidade já resultou em tragédias, como o desabamento de um prédio em Rio das Pedras em 2021, episódio que reforçou os alertas sobre os riscos associados à ocupação em áreas de solo instável.

Outras regiões do Rio também apresentam subsidência: Além de Rio das Pedras, o estudo e análises técnicas indicam instabilidade do solo em outras áreas do município, como a Vila do Pan e regiões próximas ao condomínio Rio 2, na Barra da Tijuca. Também aparecem na lista a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Vila do João, no Complexo da Maré, e Sepetiba, incluindo os conjuntos habitacionais Sepetiba 1 e 2. Em alguns desses locais, a adoção de fundações profundas ajudou a reduzir danos mais graves.

Soluções técnicas esbarram em custos elevados: Especialistas apontam que soluções como estacas profundas ou tratamento do solo com injeção de aglomerantes poderiam reduzir os efeitos da subsidência. No entanto, os custos elevados dessas intervenções tornam a aplicação inviável em muitas áreas, especialmente em comunidades de baixa renda. A realocação de moradores surge como alternativa mais segura em casos críticos, mas enfrenta entraves sociais, políticos e econômicos, além da dificuldade de reassentamento em áreas adequadas.

Especialistas defendem monitoramento e planejamento urbano: O geólogo Cláudio Amaral, da Uerj, destaca que a subsidência é um processo de longo prazo, mas que exige monitoramento contínuo e ações preventivas imediatas. Segundo ele, o mapeamento detalhado dos solos, o planejamento urbano responsável e a divulgação de informações técnicas acessíveis são fundamentais para reduzir riscos e evitar novas tragédias em áreas vulneráveis da cidade.

Perguntas rápidas sobre o afundamento do solo no Rio

  • O afundamento do solo acontece de forma repentina? Não. Trata-se de um processo gradual, que pode levar anos, mas gera riscos acumulados às estruturas.

  • Todos os bairros do Rio estão em risco? Não. O problema se concentra principalmente em áreas com solos argilosos moles ou regiões aterradas.

  • É possível evitar novos casos no futuro? Sim, com planejamento urbano adequado, estudos geotécnicos e monitoramento contínuo do solo.

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