Juliana Guzzo segura um microfone durante cobertura externa, com celular montado em tripé ao fundo.

Repórter friburguense é hostilizada em Teresópolis por diretor da UPA

A prefeitura se manifestou após o ocorrido e decidiu exonerar o servidor. Este não foi o primeiro caso de constrangimento a repórteres mulheres. Veja os detalhes 

A jornalista Juliana Guzzo, natural de Nova Friburgo e repórter da Inter TV em Teresópolis, foi hostilizada enquanto trabalhava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h do município nesta segunda-feira (28). Após o relato, a Prefeitura determinou o afastamento imediato do diretor da unidade, Rafael Tressi Geraldo, e anunciou que sua exoneração havia sido determinada pelo Executivo.

Juliana entrevistava pacientes e registrava imagens para uma reportagem sobre a inauguração das novas instalações da UPA. Segundo a profissional, ela estava sozinha quando foi abordada pelo gestor com gritos e ofensas à imprensa e à emissora, afiliada da TV Globo.

A repórter afirmou que não havia solicitado entrevista, feito perguntas ou se dirigido ao homem antes da abordagem. O episódio ocorreu diante de outras pessoas e foi relatado por Juliana em seu perfil nas redes sociais.

A Inter TV repudiou a ocorrência no telejornal Inter 2. O Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher de Teresópolis também se manifestou contra a violência verbal e a intimidação da jornalista no exercício da profissão.

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Juliana relata constrangimento durante cobertura na UPA

Segundo a jornalista, Rafael começou a gritar enquanto ela filmava a fachada da unidade. Juliana relatou que ele chamou profissionais da imprensa de “urubu”, afirmou que a empresa em que trabalha era “um lixo” e reclamou que os veículos de comunicação só aparecem quando há problemas.

A repórter contou que ficou nervosa e constrangida. Em determinado momento, teve uma reação de riso nervoso, que, segundo ela, foi interpretada pelo gestor como deboche. Ele teria continuado a gritar.

Juliana destacou que estava diante de um homem fisicamente maior e alterado enquanto tentava realizar seu trabalho. Ela contestou a maneira como foi tratada e, depois que ele entrou na unidade, soube que integrava a direção da UPA.

A presença da profissional no local tinha como objetivo mostrar as novas instalações do serviço de saúde, ouvir pacientes e preparar uma participação ao vivo no telejornal.

Prefeitura determina afastamento e exoneração do gestor

Em nota divulgada no início da noite de segunda-feira, a Prefeitura de Teresópolis informou que tomou conhecimento do episódio e determinou o afastamento imediato do diretor.

A administração repudiou condutas desrespeitosas, ofensivas ou incompatíveis com os princípios que devem orientar servidores e gestores públicos, especialmente na relação com a imprensa e com a população.

O comunicado também informou que o prefeito telefonou para Juliana, manifestou solidariedade e colocou a administração à disposição. Segundo a Prefeitura, a portaria de exoneração já havia sido determinada pelo gabinete do Executivo.

A nota reforçou que respeito, equilíbrio e urbanidade são indispensáveis nas relações entre profissionais da rede municipal, veículos de comunicação e cidadãos.

O material disponível não apresenta uma manifestação de Rafael Tressi Geraldo sobre o relato da jornalista.

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Inter TV defende liberdade de imprensa após as ofensas

No Inter 2, a apresentadora Michelle Canciler transmitiu o posicionamento editorial da emissora. A manifestação ressaltou que Juliana estava trabalhando e que a intimidação de um jornalista ultrapassa o constrangimento individual, atingindo também o direito da sociedade de receber informações.

A Inter TV afirmou que não aceita ataques contra seus profissionais por exercerem o jornalismo. Também defendeu a liberdade de fazer perguntas, registrar imagens e publicar notícias sem interferências intimidatórias.

O Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher de Teresópolis acrescentou a dimensão de gênero ao episódio, ao repudiar a violência verbal e o desrespeito contra uma mulher durante sua atividade profissional.

Bianca Chaboudet sofreu importunação durante entrada ao vivo

O episódio de Teresópolis se soma a outros ataques envolvendo profissionais da Inter TV. Em 2 de outubro de 2023, a jornalista friburguense Bianca Chaboudet foi surpreendida por um homem que tentou beijá-la à força durante uma participação ao vivo no RJ2, em Maricá. O caso consta do relatório de violações à liberdade de expressão da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). abert.org.br

Na ocasião, Bianca relatou que a abordagem a desestabilizou enquanto tentava continuar a notícia. O homem foi identificado pela polícia, levado à delegacia e indiciado por importunação sexual. O indiciamento não equivale a uma condenação.

Bianca agradeceu publicamente ao fotógrafo Julius Costas, que se aproximou para verificar se ela estava bem. 

Em dois dos casos, as jornalistas trabalhavam sozinhas

Dos episódios mencionados, Juliana Guzzo e Julia Corson relataram hostilidade em situações nas quais trabalhavam sozinhas. O caso de Bianca apresenta uma circunstância diferente, pela presença do fotógrafo nas proximidades.

Julia, que atuou como videorrepórter da Inter TV na Região Serrana, relatou uma tentativa de agressão física e outra situação de agressão verbal em entrevista publicada pela Agência UVA em julho de 2021. Na ocasião, afirmou sentir maior vulnerabilidade por ser mulher e trabalhar sem companhia nas coberturas externas.

O envio de repórteres sozinhos, com celular e tripé para produzir imagens e realizar entradas ao vivo, tem se tornado mais comum ao longo dos últimos anos. Nesse formato, o profissional acumula tarefas de apuração, operação do equipamento e apresentação, ao mesmo tempo em que precisa observar o ambiente ao redor.

A Inter TV ainda não informou se haverá nos procedimentos de segurança ou na composição das equipes após o episódio.

Nota do Portal EcoSerrano: solidariedade a Juliana Guzzo

O Portal EcoSerrano manifesta total solidariedade à jornalista Juliana Guzzo, profissional natural de Nova Friburgo, diante da hostilidade relatada durante seu trabalho em Teresópolis.

Defendemos o jornalismo de qualidade, exercido por profissionais capacitados, com responsabilidade, rigor na apuração e compromisso com o interesse público. A liberdade de informar e de fiscalizar a atuação do poder público deve ser respeitada.

Somos inteiramente contrários a ações intimidatórias, ofensas e agressões contra profissionais da imprensa, independentemente de quem as pratique, de sua condição social, posição hierárquica ou cargo. Autoridades e gestores públicos têm o dever de respeitar a imprensa e a população, em qualquer circunstância.

Divergências podem ser apresentadas por meio de esclarecimentos, críticas e direito de resposta. Gritos, constrangimento e intimidação são incompatíveis com uma relação democrática e respeitosa.

O EcoSerrano reafirma seu apoio a Juliana e a todos os profissionais que enfrentam violência durante o exercício do jornalismo.

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