Você sabe o que é Esporotricose? Casos da doença aumentam no município e podem gerar crise sanitária

Doença é mais comum em felinos, mas pode infectar humanos. EcoSerrano entrou em contato com a Secretaria de Saúde, mas a pasta optou por não dar orientações e não alertar os riscos à população através da reportagem

A esporotricose é uma doença infecciosa causada pelo fungo Sporothrix schenckii. Essa infecção é geralmente adquirida a partir do contato com material orgânico contaminado, como solo, vegetais em decomposição, madeira ou espinhos de plantas, que contêm o fungo. Ela é mais comum em regiões tropicais e subtropicais, incluindo algumas áreas do Brasil e costumam ser diagnosticadas em grande maioria em animais, especialmente felinos. Em Nova Friburgo, o número de casos da doença aumentou nos últimos anos. Quem confirma a afirmação é o médico veterinário Dr Ronald Gibaja Gripp da clínica veterinária SOS Dog e Cia. “Nos últimos 11 anos os casos aumentaram enormemente, talvez dez vezes ou mais. O aumento é significativo por ser uma doença de fácil aquisição (arranhadura e mordedura de gato infectado) e de tratamento longo com medicação diária”, explicou Dr. Ronald.

Sintomas e tratamento

Os sintomas da esporotricose podem variar, dependendo da forma da doença. Existem duas formas principais: Forma cutânea: Esta é a forma mais comum da esporotricose. Ela se manifesta como lesões na pele que podem começar como pequenas protuberâncias vermelhas que evoluem para úlceras ou feridas dolorosas. As lesões geralmente se desenvolvem no local onde houve o contato com o fungo, como um corte ou arranhão na pele. A infecção cutânea é tratável com antifúngicos, e o tratamento é importante para evitar complicações. Forma extracutânea: Esta forma da doença afeta outros órgãos do corpo, como pulmões, ossos, articulações e sistema nervoso central. É menos comum, mas pode ser mais grave. Os sintomas variam dependendo da área afetada e podem incluir febre, tosse, dor nas articulações, entre outros. O tratamento da esporotricose extracutânea também envolve o uso de antifúngicos, mas o manejo da doença é mais complexo. “Um exame laboratorial é sempre bem vindo, mas devido a lesão ser bem característica, nós clínicos veterinários, já conduzimos o tratamento com antifúngicos mais acessíveis que temos no mercado. Tratamento eficaz depende do tutor estar disposto a fazê-lo adequadamente. E também do temperamento desse felino. Ajuda muito quando eles são mansos e ingerem bem a medicação, que é diária. Depende de vários fatores também, como estado de saúde desse animal e ambiente em que vive, se o animal é castrado, se é jovem, se não tem comorbidades como fiv/felv, ou seja, depende de cada caso, e o clínico tem que ter condições de conduzir melhor o procedimento a fazer, para que o sucesso seja bom pra todos, tanto para o animal como para o tutor”, orienta o Dr Ronald.

Tutores com dúvidas

Diante do aumento dos casos em que muitos animais acabam não resistindo à doença, por ser contagiosa, os tutores estão com dúvidas de como proceder na hora de descartar o corpo do bichinho. Para isso, algumas pessoas têm buscado orientação com a Prefeitura de Nova Friburgo. De forma equivocada, muitos munícipes procuram a Ssubea em busca de informações, no entanto, é a secretaria de Saúde, por meio da Subsecretaria de Vigilância Ambiental (Rua Augusto Cardoso, 62 – Centro) , a responsável para lidar com estas questões.

Tragédia de 2011 pode ter sido um dos fatores para o aumento de casos

De acordo com o veterinários, a Tragédia Climática de 2011 pode ter sido um dos fatores que contribuíram para o aumento de casos de Esporotricose. “Ao enterrarem o cadáver acometido com a doença, o local será fonte de contaminação também. Provavelmente, na catástrofe de janeiro de 2011, que vimos muita remoção e deslocamento de terra, esse fungo presente naturalmente na natureza, ficou mais exposto, facilitando os gatos se contaminarem. O ideal é cremar tal cadáver ou autoclavar tal carcaça e depois enterrar, já que o fungo é termoinstável, não resistindo a temperatura de mais ou menos 50°C por vinte minutos. A autoclavação chega a 127°C em alta pressão por 30 minutos”, orientou.   Nos casos que aparecem na sua veterinária SOS Dog e Cia, como você procede ou orienta os tutores? 

Descarte do animal doente na natureza gera problema sanitário e ambiental

O descarte de forma equivocada pode gerar sérias consequências para a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente. Embora a exposição ao fungo não seja necessariamente prejudicial para a maioria das pessoas, existem situações em que a interação com o ambiente pode aumentar o risco de contrair a esporotricose. Alguns dos riscos ambientais incluem: Contato direto com solo contaminado: O fungo Sporothrix schenckii pode ser encontrado no solo, especialmente em áreas rurais. Pessoas que trabalham na agricultura, jardinagem ou em atividades que envolvem manuseio de solo e materiais orgânicos em decomposição podem estar em maior risco de exposição ao fungo. Espinhos de plantas: Algumas plantas podem abrigar o fungo Sporothrix schenckii em seus espinhos. Lesões na pele causadas por espinhos de plantas podem permitir a entrada do fungo, aumentando o risco de infecção. Madeira em decomposição: A madeira em estado de decomposição pode conter o fungo, e o manuseio de materiais de madeira nesse estado pode representar um risco de exposição. Contato com animais infectados: A esporotricose também pode ser transmitida de animais para humanos. Gatos são frequentemente associados à transmissão da doença, pois podem contrair a esporotricose e transmiti-la por meio de arranhões ou mordidas. É importante ressaltar que a maioria das pessoas que entra em contato com o fungo não desenvolve a esporotricose. A infecção geralmente ocorre em indivíduos que têm sistemas imunológicos enfraquecidos, lesões na pele ou outros fatores que tornam o corpo mais suscetível à infecção.

O que a Prefeitura pode fazer?

A responsabilidade de uma prefeitura em relação aos casos de esporotricose geralmente envolve uma série de ações destinadas a proteger a saúde pública e oferecer suporte à comunidade afetada pela doença. Algumas das responsabilidades de uma prefeitura em casos de esporotricose incluem: Vigilância Epidemiológica: A prefeitura deve monitorar a ocorrência de casos de esporotricose na área, coletando dados epidemiológicos, investigando surtos, e reportando informações às autoridades estaduais e federais de saúde, conforme necessário. Educação e Conscientização: Promover campanhas de conscientização pública sobre a esporotricose, seus riscos, sintomas, prevenção e medidas de segurança ao lidar com animais suspeitos de estarem infectados. Assistência Veterinária: Oferecer ou facilitar serviços veterinários para animais suspeitos de estar com esporotricose, incluindo diagnóstico, tratamento e controle da doença entre animais. Medidas de Controle: Implementar medidas de controle e prevenção da esporotricose em populações de animais, como esterilização, isolamento de animais doentes, campanhas de vacinação (se disponível) e programas de captura e cuidado responsável de animais de rua, especialmente gatos. Orientação aos Proprietários de Animais: Fornecer informações e diretrizes aos proprietários de animais de estimação sobre como proteger seus animais e a si mesmos da esporotricose, incluindo medidas de segurança ao lidar com animais doentes. Manejo Ambiental: Identificar possíveis fontes de exposição ao fungo causador da esporotricose no ambiente local e implementar medidas de mitigação, como limpeza e desinfecção de áreas contaminadas, remoção segura de materiais orgânicos em decomposição e controle de espinhos de plantas potencialmente contaminadas. Tratamento e Orientação aos Pacientes: Fornecer serviços de saúde para pessoas afetadas pela esporotricose, incluindo diagnóstico, tratamento médico, orientação sobre autocuidado e medidas para prevenir a propagação da doença. Parcerias com outras Entidades: Colaborar com órgãos estaduais e federais de saúde, bem como com organizações não governamentais e instituições de pesquisa, para coordenar esforços e recursos no controle da esporotricose.

Secretaria de Saúde se recusa a responder EcoSerrano

Para a confecção desta reportagem o EcoSerrano consultou, entre outras fontes, a Secretaria de Saúde. O portal fez contato com a Secretária de Saúde e com a Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura e pediu orientações sobre o que os tutores devem fazer diante de casos confirmados da doença. Lamentavelmente, o portal não obteve resposta. A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2    Grupo de Whatsapp 1   Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
Back To Top