Documento 'Término de contrato AGOSTO.docx' com nomes de profissionais de saúde.

Vazou: Ex-servidora que morreu em 2024 estaria em lista de possíveis contratos ativos da Prefeitura de Nova Friburgo

Após “Mural da Vergonha”, setor da enfermagem enfrenta mais um desafio: lista com quase 60 nomes terão contratos vencidos

 

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Setor de enfermagem em alerta máximo

O setor de enfermagem e técnico de enfermagem de Nova Friburgo enfrenta uma das maiores crises dos últimos anos. Um documento coletivo, intitulado “Relato VT, Punição por atestado e Mural da Vergonha”, denuncia problemas trabalhistas, assédio moral e medidas consideradas vexatórias contra profissionais do Hospital Municipal Raul Sertã. Além disso, o vazamento de uma lista com 57 nomes de profissionais que devem ter seus contratos encerrados até o fim de agosto aumentou a tensão entre os servidores.

Mudança de escala elevou custos para servidores

Segundo o documento, a Prefeitura alterou a escala de plantões de 24×120 (5 por mês) para 12×60 (10 a 11 por mês) a partir de 1º de julho. “A mudança duplicou os dias de deslocamento dos trabalhadores e, consequentemente, o gasto com transporte”, relatam os profissionais. Apesar de previsão legal de reajuste no vale-transporte, a Prefeitura não realizou o pagamento adequado. Muitos servidores afirmam estar tirando dinheiro do próprio bolso para não faltar ao trabalho.

Vale-transporte atrasado e sem cobertura

Parte dos profissionais recebeu valores em folha suplementar em 18/07, mas outros seguem sem o benefício. O setor de RH teria alegado “falta de orçamento”, o que gerou indignação. Servidores relatam atrasos no pagamento de contas pessoais e dificuldades para arcar com o transporte.

Atestados médicos e assédio institucional

Outro ponto polêmico foi a medida da nova coordenadora de enfermagem, nomeada em 02/06/2025, que restringiu trocas de plantões para quem apresentou atestados médicos. “A prática foi classificada pelos servidores como assédio moral e institucional”, aponta o documento. O sindicato SINSENF já acompanha o caso e não descarta a convocação de uma greve geral.

“Mural da Vergonha” no Raul Sertã

No Centro de Tratamento de Urgência (CTU) do hospital, um painel estaria expondo nomes de servidores afastados por doença ou atestado. O documento anexado inclui foto do painel e afirma que a medida “cria um clima de perseguição e vexame”.

Relatos de falta de insumos e privilégios

Servidores também denunciam a falta de insumos básicos, como papel toalha, sabão e medicamentos essenciais (incluindo lidocaína). Enquanto isso, a nova coordenadora já recebe gratificação por competência em menos de dois meses no cargo, fato que aumentou a revolta entre os profissionais.

Caso recente da primeira-dama aumentou a pressão

O setor já vinha em evidência após o vazamento do prontuário da primeira-dama Lorrayne Ribeiro, que foi atendida e submetida a uma cirurgia de cálculo renal em menos de 24 horas no Raul Sertã. O episódio levantou suspeitas de tratamento fora do padrão normal, visto que muitos pacientes relatam longa espera por atendimento ou cirurgias. A direção do hospital prometeu investigar quem vazou o documento.

Lista de desligamentos e possível irregularidade trabalhista

A crise se agravou com a circulação de uma lista contendo 57 profissionais que devem ser desligados até o fim de agosto. Ainda há possibilidade de renovação dos contratos, mas nada foi confirmado oficialmente. Um detalhe chamou atenção: a lista inclui o nome de uma funcionária falecida em agosto de 2024. No entanto, o vínculo da ex-funcionária foi encerrado após seu falecimento. Servidores relatam que a situação gera clima de medo e insegurança. “O clima está muito ruim, porque cada um sabe quando vence o seu contrato e fica tenso. Esses contratos eram por prazo determinado, mas em 2020 passaram a ser por prazo indeterminado. Agora estão mandando todo mundo embora sem quase nenhum direito trabalhista, alegando término de contrato, mas não é”, disse um servidor ao EcoSerrano. A denúncia afirma ainda que, pela mudança contratual feita em 2020, os desligamentos deveriam garantir aviso prévio, saque do FGTS e multa de 40%, o que não estaria acontecendo.

Clima de instabilidade

O conjunto de denúncias expõe um quadro de falta de diálogo, falhas administrativas e acusações de assédio institucional. Caso não haja solução rápida, a saúde de Nova Friburgo pode enfrentar paralisações e maior sobrecarga nos serviços essenciais.

Sem resposta oficial

O EcoSerrano entrou em contato com o secretário de Saúde, Gabriel Wenderoschy, e a equipe de Comunicação da Prefeitura de Nova Friburgo. Até o momento, nenhuma resposta foi enviada. O espaço segue aberto.

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