Fachada do Hospital Municipal Raul Sertã com a palavra 'SOS' em destaque. Denúncias de falta de recursos.

URGENTE: Servidores de Hospital de Nova Friburgo pedem socorro e denunciam falta de profissionais em setores críticos

Documento aponta sobrecarga, ausência de pessoal em áreas estratégicas e dificuldades que atingem diretamente pacientes internados e atendimentos de urgência

O relato reúne denúncias sobre laboratório, CTI, CTU, pediatria, psiquiatria, farmácia e transporte interno. Segundo os servidores, a carência de profissionais já afeta exames, medicação, plantões e a rotina do principal hospital público de Nova Friburgo.

Nesta terça-feira, 8 de abril, em Nova Friburgo, o Portal EcoSerrano teve acesso a um documento assinado por servidores da saúde municipal que expõe a gravidade do cenário interno do Hospital Municipal Raul Sertã, principal unidade hospitalar pública da cidade. O texto, definido pelos próprios profissionais como um pedido de socorro às autoridades, reúne relatos de diferentes categorias, entre elas enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros, técnicos de laboratório e outros trabalhadores ligados diretamente à assistência hospitalar. Segundo os autores, a denúncia surgiu diante do que classificam como agravamento das condições de funcionamento da unidade, com reflexos diretos sobre pacientes, equipes de plantão e setores de alta complexidade.

Laboratório é citado por atraso em exames e sobrecarga de equipe: Um dos primeiros pontos relatados envolve o laboratório do hospital. Segundo os servidores, há falta recorrente de profissionais no quadro, especialmente na função de coleta de sangue, o que comprometeria a realização de exames em pacientes internados. De acordo com o documento, em alguns períodos pacientes permanecem em jejum aguardando exames que acabam suspensos por ausência do coletor responsável. Os profissionais afirmam que isso gera sobrecarga imediata sobre quem permanece no setor.

Clínicas e enfermarias teriam períodos sem enfermeiro plantonista: Outro trecho do documento afirma que setores como pediatria, clínica médica, cardiologia, ortopedia, centro cirúrgico, clínica cirúrgica e nefrologia enfrentam ausência de supervisão fixa de enfermeiros em determinados plantões noturnos. Segundo o relato, nessas situações a supervisão geral de enfermagem passa a responder simultaneamente por todo o hospital. Na prática, conforme os denunciantes, isso significa que uma intercorrência em um setor pode deixar outro sem resposta imediata. A preocupação é ampliada porque parte dessas áreas concentra pacientes internados em observação contínua.

Apenas dois maqueiros para todo o hospital estão entre as denúncias: No transporte interno de pacientes, os servidores afirmam que a unidade funciona com apenas dois maqueiros para todo o hospital. Segundo o texto, isso afeta deslocamentos para exames, remoções entre setores e transferências internas. Também foi relatado que o elevador disponível comporta apenas a maca e o maqueiro, sem espaço para profissionais de apoio que, em algumas situações, deveriam acompanhar o paciente.

CTI é citado por equipe reduzida diante de pacientes graves: No Centro de Tratamento Intensivo, os trabalhadores afirmam que há plantões com quatro ou cinco técnicos e um enfermeiro para até 19 pacientes críticos. Segundo o documento, são pacientes entubados, rebaixados ou em estado grave, que exigem assistência intensiva contínua. A denúncia sustenta que o número atual de profissionais estaria abaixo do necessário para a complexidade do setor.

CTU aparece com escalas questionadas e profissional em mais de um setor: No Centro de Tratamento de Urgência, os relatos apontam mudança recente de escala com um mesmo enfermeiro vinculado a mais de um setor. Segundo os servidores, isso ocorre especialmente entre medicação rápida e pediatria. Uma escala interna analisada durante a apuração mostra o campo MED/PED repetido em diferentes plantões, reforçando a denúncia apresentada pelos trabalhadores. De acordo com os autores, o setor de medicação rápida possui fluxo intenso, enquanto a pediatria exige acompanhamento constante, o que tornaria difícil a assistência simultânea. Ainda conforme o documento, essa configuração já teria sido observada em fiscalizações anteriores do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro, que teria estabelecido quantitativo superior de profissionais para o setor.

Psiquiatria, farmácia e falta de insumos ampliam alerta interno: Na psiquiatria, os servidores afirmam que há plantões sem enfermeiro exclusivo escalado. O documento menciona ainda aumento da demanda por pacientes em crise, ansiedade, surto ou transtornos psiquiátricos, cenário que também alcançaria outras unidades de saúde mental do município. Na farmácia hospitalar, os relatos apontam falta frequente de materiais básicos, como luvas, polifix, álcool gel, papel toalha, sabão líquido e medicamentos prescritos. Segundo os profissionais, muitas vezes técnicos e enfermeiros precisam deixar setores assistenciais para buscar materiais ou alternativas de medicação.

Segurança interna e estrutura física também entram no pedido de socorro: Os trabalhadores afirmam ainda que profissionais já sofreram ameaças e agressões dentro da unidade. Segundo o texto, não haveria controle suficiente de circulação interna, o que gera insegurança tanto para pacientes quanto para equipes. Também foi relatada ausência de ar-condicionado em áreas como repouso masculino, repouso feminino, medicação de internados e psiquiatria. Conforme os denunciantes, isso agrava desconforto térmico, eleva estresse no ambiente e amplia preocupação com infecções.

Pedido final inclui chamamento de concurso e fiscalização: No encerramento do documento, os servidores pedem chamamento de aprovados em concurso público na mesma proporção das saídas contratuais recentes. Também solicitam fiscalização formal do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro sobre escalas e distribuição de profissionais. O EcoSerrano encaminhou pedido de posicionamento à Secretaria Municipal de Saúde de Nova Friburgo. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta oficial.

O que está sendo questionado no hospital

  • Quais setores foram citados? Laboratório, clínicas, CTI, CTU, pediatria, psiquiatria, farmácia e transporte interno.

  • Qual é a principal denúncia? Falta de profissionais e sobrecarga em setores críticos.

  • Há pedido de fiscalização? Sim, o documento pede atuação do COREN-RJ.

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