Contratos somam mais de R$17,5 milhões. Veja os detalhes e quais são as unidades
Um contrato emergencial no valor de R$ 2,1 milhões, firmado entre a Fundação Saúde e o laboratório PCS Lab Saleme, está no centro de uma investigação sobre exames que não detectaram a presença de HIV no sangue de doadores de órgãos. O laboratório foi contratado para realizar mais de 160 mil exames entre fevereiro e agosto de 2023 em quatro UPAs da Zona Oeste do Rio de Janeiro, localizadas em Campo Grande (duas unidades), Bangu e Realengo.
O laboratório, que assinou três contratos com o Governo do Estado totalizando R$ 17,5 milhões, está sendo investigado após exames falhos resultarem na infecção de receptores de órgãos com HIV. A operação Verum, realizada pela Polícia Civil, já cumpriu quatro mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Nova Iguaçu e na capital fluminense. Entre os presos estão Walter Vieira, sócio do laboratório, e Ivanilson Fernandes dos Santos, um dos responsáveis pelos laudos emitidos.
Segundo informações, a assinatura de Jacqueline Iris Bacellar de Assis aparece em um dos laudos que atestaram erroneamente que os doadores de órgãos não tinham HIV. Ela, no entanto, negou envolvimento e afirmou que sequer é biomédica, embora exista um mandado de prisão em aberto contra ela.
Os envolvidos são investigados por crimes contra as relações de consumo, associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documentos e infrações sanitárias. O caso, descrito pelo ex-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ben-Hur Ferraz Neto, como “um acontecimento sem precedentes na história do transplante brasileiro”, chamou a atenção para a importância do rigor nos protocolos de testagem em doações de órgãos.