Ação supostamente ilegal teria levado a morte milhares de abelhas, tatus, aves, animais selvagens, além de espécies de árvores como araucária e embaúba
Moradores e amantes da natureza do Alto do Schuenck, em Nova Friburgo, denunciam o que pode ter sido um grande desmatamento de vegetação nativa e que teria levado à morte de milhares de abelhas de diferentes espécies, além de animais silvestres e domésticos. Ainda de acordo com a denúncia, os moradores teriam sido ameaçados de morte. Ao que tudo indica, o objetivo do desmanche ecológico seria a construção de um loteamento.Segundo as denúncias que chegaram ao EcoSerrano, em uma propriedade da Rua Natanael Schuenck, desde fevereiro deste ano, houve a supressão de inúmeras espécies de palmitos, Embaúbas, cedro, frutos do sabiá, araticum, araucárias, entre outras.De acordo com especialistas ambientais, algumas destas espécies não poderiam ser extraídas. Se confirmado, caso o proprietário não possua licença ambiental para a extração, os órgãos de controle podem intimá-lo por suposto crime ambiental.A legislação ambiental permite a extração de algumas espécies de plantas e árvores, no entanto, há um limite, como é o caso da Embaúba. De acordo com a lei ambiental, a espécie tem que ser cortada logo que nasce. O IEF (Instituto Estadual de Florestas) informa que, caso seja constatada a supressão de Embaúba após o limite determinado em lei, o responsável poderá ser condenado a pagar uma multa de três mil reais.
Pode cortar araucária?
De forma simplificada, a Embrapa afirma que por ser uma espécie ameaçada de extinção, as araucárias nativas não podem ser cortadas. Já as araucárias plantadas e que possuem plano de manejo registrado e aprovado junto aos órgãos competentes, seguindo rigorosas recomendações e definições técnicas, podem. Deve-se procurar os órgãos competentes para mais informações
Palmito Juçara
A legislação ambiental diz que a extração predatória do Palmito Juçara é proibida por lei e constitui crime ambiental. Parte da Mata Atlântica restante esta inserida em parques e reservas ecológicas, a extração ilegal prejudicando o ecossistema e a saúde humana, porque a espécie é uma “ladra de carbono”, ou seja, ela contribui para um ar mais limpo e saudável. Portanto, caso a espécie tenha sido uma das que foram extraídas, – constatado o fato – o autor poderá ser implicado juridicamente.
Animais silvestres também teriam sido mortos
Ainda de acordo com a denúncia, no mesmo local, colmeias com milhares de abelhas de espécies nativas, sem ferrão e africanas, teriam sido envenenadas e incendiadas. Em um dos flagrantes também foi possível ver tatus meirinhos carbonizados, além da morte de cobras, lagartos, jaguatiricas e aves como galinhas, jacus, anus, trinca ferro, entre outros.“No local além do desmatamento, havia fogo e fumaça. Foi colocado veneno para matar abelhas nativas, europeias e africanas. Outros animais também morreram, tanto selvagens como domésticos, aves, etc. Precisamos de um órgão mais forte para barrar essa destruição.”, disseram testemunhas que preferiram não se identificar.As denúncias dão conta de que a fumaça provocada pelo incêndio durou cerca de duas semanas. Alunos e funcionários da Escola Municipal Henrique Carlos Heckert teriam sido afetados. A unidade também teria sido invadida por enxames de abelhas que tentavam fugir do desmatamento.Na Sexta-Feira Santa, 7, – feriado – testemunhas afirmam ter visto funcionários colocando diversas placas indicativas de permissão para serem suprimidas, quase dois meses depois do início das atividades.
Ameaças de morte
Ao que parece, já foram protocoladas denúncias em diversos locais como Ibama, Linha Verde e Ministério Público. A Comissão de Meio Ambiente da OAB também teria protocolado uma denúncia na Secretaria Municipal de Meio Ambiente.Os moradores da localidade estão com medo. Após as denúncias e a ida de alguns órgãos de controle ao local, testemunhas afirmam que foram ameaçadas de morte, perseguidas e sofreram tentativas de violência, ao ponto de terem medo de sair de casa.
Ausência de respostas
O EcoSerrano entrou em contato com a Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura e com a Secretária de Meio Ambiente, Andrea Duque Estrada, e pediu esclarecimentos em relação aos fatos citados.De acordo com Andrea, foi feita a fiscalização e monitoramento com auto de infração na localidade. “O Meio Ambiente recebeu a denúncia e realizou a fiscalização dentro da legalidade aplicando as sanções previstas em lei”, no entanto, a gestora não informou quais foram as sanções.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2 (lotado)Grupo de Whatsapp 1 (lotado) Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano