Vídeo gera repercussão após relato de “longo” caminho até protocolar denúncia de situação emergencial
Uma moradora de São Geraldo, em Nova Friburgo, denuncia ter enfrentado dificuldades para conseguir atendimento da Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal (SEBEA) após encontrar três cães aparentemente abandonados na Estrada do Rio Grande de Cima.
Carolina Thriller afirma que avistou os animais na tarde de terça-feira, 15 de setembro, e procurou imediatamente o canal de WhatsApp disponibilizado pela secretaria.
Apesar de a equipe que respondeu à mensagem já ter recebido a informação sobre os cães e o local onde eles estavam, a moradora foi orientada a registrar o caso na Ouvidoria Municipal para gerar um protocolo. Somente depois desse procedimento, segundo a resposta recebida por Carolina, a SEBEA seria oficialmente notificada.
Para a moradora, a exigência criou uma etapa burocrática adicional em uma situação que poderia demandar atendimento rápido, já que os animais estavam abandonados nas proximidades de uma área de mata.
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Resposta com o contato da Ouvidoria demorou quase três horas
De acordo com os horários apresentados pela moradora, a orientação inicial foi enviada às 18h55. O contato da Ouvidoria para o registro da denúncia foi encaminhado às 21h36, quase três horas depois.
Carolina afirma que seguiu a orientação e procurou o canal indicado. Ao ser consultada pelo Portal EcoSerrano, porém, informou que ainda não havia tomado conhecimento do número do protocolo gerado a partir da solicitação.
Até o início da tarde desta quarta-feira (16), ela também não tinha recebido confirmação de que alguma equipe havia sido encaminhada ao local.
A ausência do número do protocolo não permite concluir, por si só, que o registro não tenha sido realizado. No entanto, dificulta o acompanhamento da solicitação e impede que a moradora verifique formalmente o andamento do atendimento.
Moradora ouviu barulhos na área de mata
Carolina retornou à região, mas não conseguiu visualizar novamente os três cães. Segundo ela, foram ouvidos barulhos vindos da mata que poderiam ser dos animais.
Não há confirmação sobre a localização atual dos cães, suas condições de saúde ou se eles permanecem juntos.
Também não foi informado se algum morador da região acolheu os animais ou se outra equipe pública ou grupo de proteção independente esteve no local.
A falta dessas informações torna necessária uma resposta objetiva da Prefeitura sobre a existência do protocolo e a eventual mobilização de uma equipe.
Caso expõe problema no fluxo de atendimento
A situação relatada por Carolina colocou sob os holofotes alguns apontamentos sobre o funcionamento dos canais municipais para denúncias envolvendo animais.
Se a própria secretaria recebe a localização, a descrição e o pedido de ajuda, é necessário explicar por que a informação não pode ser encaminhada internamente ao setor responsável, sem obrigar o cidadão a repetir todo o procedimento em outro canal.
Também é preciso esclarecer qual meio deve ser utilizado em situações emergenciais, principalmente quando o animal está ferido, preso, exposto a risco imediato ou abandonado em uma área de difícil acesso.
A Ouvidoria exerce uma função importante ao formalizar demandas e permitir o acompanhamento administrativo. Isso, porém, não elimina a necessidade de um fluxo capaz de diferenciar solicitações comuns de ocorrências que exigem avaliação rápida.
Moradores e protetores relatam dificuldades recorrentes
O relato de Carolina se soma a outras reclamações recebidas pelo EcoSerrano de moradores e protetores que afirmam encontrar dificuldades para conseguir atendimento da SEBEA.
Entre as queixas recorrentes estão transferências de responsabilidade, exigências de novos registros e ausência de retorno claro sobre o andamento das solicitações.
Há casos em que a atuação pública somente se torna conhecida depois de ampla mobilização nas redes sociais. Isso alimenta a percepção de que a repercussão digital, e não apenas o protocolo administrativo, influencia a rapidez da resposta.
Essa percepção precisa ser respondida pela Prefeitura com dados objetivos: quantidade de denúncias recebidas, tempo médio de atendimento, critérios de prioridade, número de equipes disponíveis e resultado das ocorrências.
Prefeitura precisa esclarecer atendimento
O caso deixa perguntas que precisam ser respondidas pela administração municipal:
- A Ouvidoria gerou protocolo para a solicitação de Carolina?
- A SEBEA recebeu oficialmente a denúncia?
- Alguma equipe foi enviada à Estrada do Rio Grande de Cima?
- Os três cães foram encontrados ou resgatados?
- Qual é o canal correto para ocorrências emergenciais?
- Por que o WhatsApp da secretaria não recebe ou encaminha diretamente denúncias?
- Qual é o prazo médio para atendimento de animais abandonados e expostos a risco?
O material encaminhado ao EcoSerrano não contém uma resposta oficial da SEBEA a essas questões.
Por volta das 15h30, o Portal EcoSerrano foi informado de que a SEBEA, quase 24h depois de ser notificada pela moradora, foi até o local, mas não encontrou os animais.
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