Justiça chegou a uma decisão se vai impedir ou liberar o show de um dos mais famosos cantores do Brasil
A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido do Ministério Público (MPRJ) para suspender o show do cantor Leonardo em Teresópolis, marcado para 21 de setembro, dentro da programação da FEPORT 2025.O evento, promovido pela prefeitura em parceria com os governos federal e estadual, prevê o pagamento de R$ 800 mil de cachê ao artista, valor que gerou polêmica diante da crise financeira vivida recentemente pelo município.
O que pediu o Ministério Público
A ação civil pública apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Teresópolis solicitava a suspensão do show, alegando que o município decretou estado de calamidade financeira no início de 2025.Segundo o MPRJ, a prefeitura reconheceu dívidas em torno de R$ 700 milhões, incluindo atrasos salariais, verbas rescisórias e repasses a hospitais conveniados ao SUS. O órgão questionou a razoabilidade do gasto, apontando precedentes de shows cancelados em outros estados diante de valores considerados excessivos.
O que decidiu a Justiça
Na decisão, a 3ª Vara Cível de Teresópolis entendeu que o valor do contrato está dentro da média praticada no mercado para artistas de renome. O juiz destacou que outros cantores populares, como Gusttavo Lima e Wesley Safadão, chegam a receber mais de R$ 1 milhão por apresentação.Ainda segundo a decisão, suspender o evento neste momento traria maiores prejuízos à coletividade, já que os contratos estão firmados e a festa tem potencial de movimentar a economia local.
A versão da Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Teresópolis afirmou que o decreto de calamidade financeira encerrou em julho de 2025, após medidas de ajuste fiscal.A administração destacou ainda que o cachê pago a Leonardo é “compatível com o mercado” e representa apenas 0,3% do orçamento municipal. Segundo o município, a maior parte dos custos do evento é custeada por parcerias com o Governo Federal, via Ministério da Agricultura, e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da FUNARJ.
A voz do Ministério Público
O promotor de Justiça Rafael Luiz Lemos de Sousa destacou que o objetivo da ação não era impedir manifestações culturais, mas evitar gastos considerados desproporcionais em meio a atrasos de salários e compromissos básicos não cumpridos.O MPRJ pediu ainda que a prefeitura apresente, em 24 horas, todos os demais custos da festa, com justificativas técnicas e financeiras.
Debate maior: cultura x responsabilidade fiscal
O episódio reacende o debate sobre o uso de recursos públicos em shows de grande porte, especialmente em cidades que enfrentam dificuldades financeiras.Enquanto parte da população defende o estímulo à cultura e ao turismo como forma de movimentar a economia, críticos questionam a priorização de artistas de cachês milionários diante da falta de investimentos em áreas como saúde e educação.