Escala de trabalho alterada aumentou gastos, mas Prefeitura não reajustou vale-transporte
O portal EcoSerrano obteve com exclusividade um documento que denuncia graves problemas enfrentados por servidores da saúde pública de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. O material reúne queixas sobre punições por atestados médicos, falta de pagamento adequado do vale-transporte, mudanças na escala de plantões sem contrapartida financeira e a criação de um “mural da vergonha” no Hospital Municipal Raul Sertã, onde trabalhadores doentes estariam sendo expostos publicamente.Segundo o relato, desde o dia 1º de julho, os profissionais de saúde passaram a cumprir a nova escala 12×60, que substituiu a anterior 24×120. Com isso, o número de plantões mensais dobrou, assim como o custo com deslocamento até o hospital.Apesar do aumento da carga e dos custos, a Prefeitura não teria ajustado o pagamento do vale-transporte, descumprindo a Lei Orgânica Municipal nº 4.849/2021, que assegura o benefício para todos os servidores com base nos dias efetivamente trabalhados.“O servidor que antes gastava R$ 200 agora passa a gastar R$ 400 ou mais. Muitos estão tirando dinheiro da própria família para trabalhar”, aponta o documento.
“Sem orçamento para VT”: servidores dizem que ficaram sem resposta
Os trabalhadores alegam que, mesmo com sucessivas tentativas de contato com o setor de Recursos Humanos — por e-mail, telefone e presencialmente —, não obtiveram retorno claro ou solução para o problema.Em determinado momento, segundo o relato, uma funcionária do setor teria dito que “não havia orçamento para pagar o vale-transporte a todos”, o que deixou muitos profissionais indignados.“Sabemos que essa resposta fere frontalmente o direito dos trabalhadores e evidencia desorganização administrativa”, diz um dos trechos do documento.
Atestado médico virou punição: servidores impedidos de trocar plantão
Outra denúncia grave diz respeito a um memorando interno, assinado pela coordenadenação de enfermagem do hospital e datado de 14 de julho, que restringe as trocas de plantões para servidores que tenham apresentado atestado médico nos últimos dias.A medida tem sido encarada por trabalhadores como uma forma de punição por ficarem doentes, mesmo com laudos e justificativas médicas.“A nova política impede o servidor de adoecer. É, literalmente, uma forma de punir quem já está fragilizado”, aponta o relato.Profissionais do hospital já discutem com advogados a possibilidade de acionar a Justiça por assédio moral e institucional. O sindicato da categoria, SINSENF, também avalia a convocação de uma greve geral da saúde municipal.
Exposição vexatória: “mural da vergonha” choca servidores
Uma das denúncias mais sensíveis envolve o que os profissionais chamaram de “mural da vergonha”: uma lista fixada no CTU (Centro de Tratamento de Urgência) do hospital com os nomes dos servidores afastados por atestado médico, visível a toda equipe.“Tal ato expõe o servidor ao vexatório por ter ficado doente. Ele saberá, e todos saberão, que será punido”, afirma um trecho do documento.A prática, considerada humilhante por colegas, gerou forte desconforto entre os trabalhadores e reacendeu o debate sobre ética, respeito à saúde mental e condições de trabalho no serviço público.
Clima de desvalorização e risco de colapso no atendimento
O relatório também relata falta de insumos básicos como sabão, papel toalha, lidocaína e dipirona em algumas alas. Mesmo diante das dificuldades, os profissionais afirmam que continuam indo trabalhar para não comprometer o atendimento à população.A atual coordenadora de enfermagem, responsável pelas medidas contestadas, teria sido nomeada há pouco mais de dois meses e já estaria recebendo gratificação por competência, segundo registros mencionados no relato.“A situação é insustentável. A saúde de Nova Friburgo está à beira de um colapso iminente”, conclui o documento enviado ao EcoSerrano.
Prefeitura ainda não se manifestou
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Nova Friburgo ainda não se manifestou oficialmente sobre as denúncias.