Túnel alagado e escuro com luzes, reflexo na água. Representa falta de saneamento.

Rio tem quatro cidades entre os piores índices de saneamento do país

Levantamento nacional mostra baixa cobertura de esgoto em grandes municípios fluminenses enquanto apenas uma cidade do estado aparece entre as melhores colocadas

Quatro municípios do Rio de Janeiro aparecem entre os 20 piores resultados do país no novo ranking do saneamento divulgado pelo Instituto Trata Brasil. Em um dos casos, o investimento acumulado em infraestrutura nos últimos anos ficou muito abaixo do parâmetro nacional recomendado.

Na terça-feira, 15 de julho de 2025, a nova edição do ranking nacional colocou Belford Roxo como a cidade fluminense em situação mais crítica entre os 100 maiores municípios brasileiros: o município apareceu na 92ª posição geral, permanecendo entre os dez piores resultados do país em saneamento. Segundo o levantamento, apenas 7,6% da população conta com esgoto tratado de forma regular, apesar de a cobertura de abastecimento de água ser próxima da universalização. 

A situação já afeta moradores diariamente. Mais abaixo, no fechamento da reportagem, um ponto ajuda a entender por que o caso ganhou novo peso.

Baixada concentra os piores resultados do estado no ranking nacional: Além de Belford Roxo, outras três cidades do estado aparecem na faixa inferior do levantamento: Duque de Caxias ficou na 80ª posição, São João de Meriti na 87ª e São Gonçalo na 88ª colocação. Em comum, os quatro municípios apresentam boa cobertura de água tratada, mas seguem com desempenho fraco na coleta e no tratamento de esgoto. Mas o que mais chama atenção é que o problema não está apenas na rede existente, mas também no ritmo de investimento.

Investimento por morador segue abaixo do ideal previsto no país: No caso de São João de Meriti, o estudo aponta investimento médio de R$ 45,16 por morador ao ano em saneamento, enquanto o parâmetro considerado ideal pelo Plano Nacional de Saneamento é de R$ 225 por habitante por ano.

Já em Belford Roxo, o volume total aplicado em obras de saneamento entre 2020 e 2024 ficou abaixo de R$ 200 por morador no acumulado do período, indicador que reforça a dificuldade de expansão da rede. Segundo nota técnica do estudo, apenas 10 das 100 maiores cidades brasileiras conseguem hoje atingir o nível de investimento recomendado.

Niterói lidera no estado e aparece entre as melhores do Brasil: Na outra ponta, Niterói aparece como a melhor colocada do estado e ocupa a 7ª posição nacional no ranking de saneamento. A cidade mantém indicadores elevados de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, além de histórico contínuo de investimento em infraestrutura urbana. Pouca gente percebe, mas essa diferença entre municípios vizinhos mostra como a continuidade administrativa pesa diretamente no resultado técnico do saneamento.

Capital fluminense aparece no meio da tabela nacional: A Rio de Janeiro ficou na 50ª posição nacional, distante do grupo das melhores e também fora da faixa mais crítica. Conforme apuração do ranking, cidades que avançaram mais rapidamente nos últimos anos foram justamente aquelas que mantiveram contratos ativos, obras em andamento e metas periódicas de expansão da rede.

Atualizado às 07h36: ranking reforça desafio até 2033: O levantamento usa dados do SINISA e serve como referência para o cumprimento do novo marco legal do saneamento, que prevê universalização dos serviços até 2033. A projeção nacional indica que o investimento anual precisaria praticamente dobrar para que as metas sejam atingidas dentro do prazo.

O ponto que amplia a leitura do caso: Foi justamente a diferença de investimento contínuo entre cidades vizinhas que deu novo peso ao levantamento deste ano. Enquanto municípios com aporte regular avançam no ranking, cidades com baixa execução seguem praticamente estagnadas há vários ciclos consecutivos.

Perguntas rápidas sobre o ranking

  • Qual cidade do Rio teve o pior resultado? Belford Roxo foi a pior colocada entre as fluminenses.

  • Qual município lidera no estado? Niterói aparece como melhor resultado estadual.

  • O que mais pesa no ranking? Cobertura de água, coleta de esgoto, tratamento e investimento por morador.

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