Dados mais recentes apontam que mais de 46 mil moradores ainda convivem com limitações em serviços essenciais, mesmo com investimento superior a R$ 30 milhões no ano passado
Em 2025, mais de 20 mil pessoas em Nova Friburgo seguem sem acesso à água tratada e quase 26 mil vivem sem coleta de esgoto. O impacto aparece também na saúde pública, com 226 internações associadas a doenças de veiculação hídrica no município.
Nesta terça-feira, 24 de março de 2026, a leitura dos dados mais recentes do saneamento municipal recoloca em evidência um desafio que ainda afeta diretamente a rotina urbana de Nova Friburgo: 20.287 moradores continuam sem acesso regular à água tratada, segundo indicadores de 2025 consolidados pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA). Um dado consolidado mais adiante ajuda a entender por que, mesmo com investimento elevado no setor, os reflexos ainda permanecem visíveis em áreas sensíveis da cidade.
Além disso, 25.946 pessoas vivem em domicílios sem coleta de esgoto, número que representa 12,8% da população local. Há um detalhe adiante que ajuda a entender por que esse cenário ganhou novo peso: mesmo com investimento elevado no setor, os reflexos ainda permanecem visíveis em áreas essenciais como saúde e infraestrutura. De acordo com os dados do documento técnico utilizado como base desta apuração, a população total considerada pelo sistema nacional é de 203.328 habitantes.
Tratamento de esgoto avança, mas cobertura ainda não alcança toda a cidade: Apesar do déficit, o município apresenta um índice de 83,5% de esgoto tratado em relação à água consumida. Foram tratados 7.061,97 mil metros cúbicos de esgoto ao longo de 2025, enquanto o consumo de água chegou a 8.457,93 mil metros cúbicos. Esse movimento amplia um cenário já observado em anos anteriores: há melhora operacional, mas a universalização ainda está distante de ser alcançada em todos os bairros. Outro dado relevante é que as perdas na distribuição de água ficaram em 21,6%, índice que interfere diretamente na eficiência do sistema local.
Saúde pública continua refletindo o impacto da falta de cobertura: Os reflexos aparecem também na rede de saúde. Em 2025, Nova Friburgo registrou 226 internações por doenças de veiculação hídrica, com incidência de 11,1 internações a cada 10 mil habitantes. Segundo os dados consolidados, 22 dessas internações envolveram crianças de 0 a 4 anos, enquanto outras 35 atingiram a faixa entre 5 e 14 anos. Também foram registrados 2 óbitos associados a essas doenças, além de despesa hospitalar de R$ 166.124,16. Um aspecto pouco observado aparece justamente nesses números: parte expressiva do impacto recai sobre faixas etárias mais vulneráveis.
Investimento supera R$ 30 milhões e mantém pressão por resultados concretos: No eixo financeiro, o município registrou R$ 30.573.446,50 em investimentos totais em saneamento em valores corrigidos de 2025. Isso corresponde a R$ 150,37 por habitante. Além disso, o investimento gerou 373 postos de trabalho vinculados ao setor e renda total estimada em R$ 49,2 milhões.
Painel nacional mostra desafio local dentro de meta brasileira para 2033: Os dados fazem parte do portal do Instituto Trata Brasil, ferramenta que reúne indicadores municipais para ampliar o acompanhamento público do saneamento no país. O painel utiliza bases como SNIS, SINISA, DATASUS, IBGE e INEP para comparar municípios acima de 50 mil habitantes. No contexto nacional, o Marco Legal do Saneamento estabelece meta de atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
Atualizado às 17h24: Até a consolidação mais recente dos dados analisados, os indicadores ainda mostram que o avanço operacional existe, mas o alcance pleno do serviço segue como desafio estrutural em Nova Friburgo. Foi justamente esse dado consolidado de cobertura parcial, somado ao impacto direto na saúde, que reforçou o peso do tema nesta nova leitura.
Perguntas rápidas sobre o cenário local
Quantas pessoas estão sem água tratada em Nova Friburgo? 20.287 moradores, segundo base SINISA 2025.
Quantas vivem sem coleta de esgoto? 25.946 pessoas.
O município investiu no setor? Sim. Mais de R$ 30,5 milhões em 2025.