Imagem representativa do Tribunal do Júri em Nova Friburgo, relacionada à condenação de Ricardo Jucá em caso apontado como a primeira condenação por feminicídio no município.

“Não foi surto”: Primeira condenação de feminicídio em Nova Friburgo tem pena pesada

Crime que chocou o Brasil e aconteceu em 2021, na região serrana, condenou Ricardo Jucá pelo assassinato da esposa grávida e sogros

Nova Friburgo teve uma decisão histórica no Tribunal do Júri. Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos foi condenado a 70 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão em um caso hediondo que resultou na primeira condenação por feminicídio na história do município. A informação foi confirmada ao Portal EcoSerrano, de forma exclusiva, por um dos advogados da família, Dr. Sergio Rosmaninho. A condenação ocorreu após quase 30 horas de julgamento. O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade de Ricardo Jucá por dois feminicídios, um homicídio qualificado e um aborto provocado por terceiro. O crime aconteceu em 13 de agosto de 2021, dentro da residência da família, no bairro Cônego, em Nova Friburgo. Nahaty Gomes de Mello, de 33 anos, estava grávida de seis meses. Ela e a mãe, Rosemary Gomes de Mello, morreram no local. Wellington Braga Mello, pai de Nahaty, chegou a ser socorrido e permaneceu internado durante semanas, mas também não resistiu. A bebê Zoe, que Nahaty esperava, também morreu.

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Um julgamento histórico para Nova Friburgo

A condenação de Ricardo Jucá não encerra apenas uma etapa de um processo criminal de grande repercussão. Ela também passa a ocupar um lugar simbólico na história judicial de Nova Friburgo por ser apontada como a primeira condenação por feminicídio no município. O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino. No caso julgado em Nova Friburgo, o Tribunal do Júri reconheceu essa qualificadora em relação às mortes de Nahaty Gomes de Mello e Rosemary Gomes de Mello. Para a família e para a acusação, a decisão representa uma resposta aguardada há quase cinco anos. O caso marcou a cidade não apenas pela brutalidade dos fatos, mas por ter atingido uma família inteira dentro da própria casa.

Tese de surto foi rejeitada pelo Júri

Um dos pontos centrais do julgamento foi a discussão sobre a condição mental de Ricardo Jucá no momento dos crimes. Desde a prisão, a defesa sustentava a tese de que ele teria sofrido um “surto”. A acusação defendeu o entendimento oposto e afirmou que o réu tinha capacidade de compreender os próprios atos. Durante o julgamento, os jurados analisaram depoimentos, laudos, provas reunidas no processo e os argumentos apresentados pelas partes. Ao final, o Conselho de Sentença acolheu a tese da acusação e reconheceu a responsabilidade criminal do réu. Para a acusação e para familiares, o resultado confirmou a linha sustentada durante o plenário: não foi surto, foi feminicídio.

As condenações reconhecidas

Ricardo Jucá foi condenado pelos crimes relacionados às mortes de Nahaty, Rosemary, Wellington e da bebê Zoe. O Conselho de Sentença reconheceu: Dois feminicídios, pelas mortes de Nahaty Gomes de Mello e Rosemary Gomes de Mello; Um homicídio qualificado, pela morte de Wellington Braga Mello; Um aborto provocado por terceiro, em razão da morte da bebê que Nahaty esperava. A pena total foi fixada em 70 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão. Ricardo Jucá já estava preso e deverá permanecer no sistema prisional para o cumprimento da pena. A sentença ainda pode ser questionada por meio dos recursos previstos na legislação.

Quase cinco anos de espera por uma resposta

O crime aconteceu em agosto de 2021 e provocou forte impacto em Nova Friburgo. Nahaty estava grávida. Rosemary e Wellington eram seus pais. A morte dos três, além da perda da bebê Zoe, fez o caso atravessar os anos como uma das histórias criminais mais marcantes da cidade. No Tribunal do Júri, a decisão principal cabe a sete cidadãos. Eles respondem aos quesitos apresentados ao fim dos debates, indicando se os fatos ocorreram, se o réu participou deles e se deve ser condenado ou absolvido. A partir dessas respostas, o juiz presidente fixa a pena. A condenação desta semana representa a etapa mais decisiva do processo até agora. Para a família, é a resposta judicial aguardada desde 2021. Para Nova Friburgo, é uma decisão que entra para a história do município por ser apontada como a primeira condenação por feminicídio na cidade.

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