Material pode causar infecções, necrose e até mesmo morte. Veja todas as informações sobre o produto na matéria
O Conselho Federal de Medicina (CFM) encaminhou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma recomendação para que o polimetilmetacrilato (PMMA), amplamente utilizado como substância de preenchimento, seja banido do mercado brasileiro. O documento, entregue na última terça-feira (21), pede a suspensão imediata da produção e comercialização de preenchedores à base de PMMA, devido aos graves riscos à saúde associados ao seu uso.
Riscos Associados ao PMMA
Diversas entidades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, alertam para as complicações decorrentes do uso do PMMA na forma injetável. Segundo especialistas, o material pode causar infecções, reações inflamatórias, necrose, insuficiência renal aguda e até mesmo óbito. Além disso, a remoção da substância é extremamente difícil e geralmente resulta em sequelas mutiladoras.Relatos de casos graves envolvendo o PMMA vêm se acumulando. Em 2020, uma influenciadora digital perdeu parte do queixo e dos lábios após um preenchimento labial com o material. Já em 2023, outra influenciadora morreu após um procedimento estético que utilizava PMMA para aumento dos glúteos.
Uso do PMMA e a Regulação da Anvisa
Embora atualmente aprovado pela Anvisa, o PMMA só deve ser utilizado para fins corretivos, como tratamentos de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids ou correções faciais decorrentes de doenças como poliomielite. A aplicação deve ser realizada exclusivamente por médicos ou dentistas habilitados, sendo vetada para fins puramente estéticos. A Anvisa enfatiza que o uso indiscriminado, especialmente em contextos estéticos, foge das recomendações e pode ter consequências graves.
Cursos de Estética e Exercício Ilegal da Medicina
Outro problema destacado pelo CFM é a proliferação de cursos de estética no Brasil. Dados revelam que 98% dos 3.532 cursos cadastrados no Ministério da Educação não exigem formação médica dos alunos, mesmo ensinando técnicas invasivas, como o uso de PMMA. Esses cursos, frequentemente oferecidos no formato de ensino à distância, disponibilizam mais de 1,4 milhão de vagas.O CFM já alertou que essa realidade contribui para a prática do exercício ilegal da medicina e representa um risco à segurança dos pacientes. A entidade cobra medidas urgentes para garantir que procedimentos invasivos sejam realizados exclusivamente por médicos, respeitando a legislação vigente.
Próximos Passos
A Anvisa deverá avaliar a solicitação do CFM e decidir se acata o pedido de suspensão do PMMA no Brasil. Enquanto isso, o debate sobre a regulamentação de substâncias e práticas médicas continua em evidência, com o objetivo de proteger a saúde pública e combater irregularidades no setor estético.