Prédio da Prefeitura de Nova Friburgo com bandeiras e pessoas na rua.

Rombo de R$ 82 milhões no fundo da previdência de Nova Friburgo segue sem explicação

Requerimento aprovado pela Câmara cobra esclarecimentos do Prefeito dívida pelo repasses não realizados ao fundo de aposentadoria 

A discussão sobre a situação previdenciária de Nova Friburgo está longe de terminar. Meses depois de a própria Prefeitura reconhecer oficialmente uma dívida superior a R$ 82 milhões relacionada ao sistema previdenciário municipal, um novo capítulo passou a mobilizar os bastidores políticos da cidade. O centro da questão agora não é apenas o tamanho da dívida. A pergunta que continua sem resposta é outra: para onde foram os recursos que deveriam ter sido destinados ao fundo responsável pelo pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores municipais? Em maio deste ano, a Câmara Municipal aprovou um Requerimento de Informações apresentado pelo vereador Cláudio Damião (PT), solicitando uma série de esclarecimentos formais ao governo municipal. O documento foi encaminhado ao Poder Executivo e estabelece prazo legal para resposta. Até o momento, segundo informado pelo parlamentar, as explicações ainda não foram apresentadas. A cobrança surge após documentos oficiais do Ministério da Previdência analisados anteriormente pelo Portal EcoSerrano indicarem diferenças entre valores que deveriam ter sido repassados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e os montantes efetivamente registrados nos sistemas federais. Os próprios projetos de lei enviados pelo prefeito Johnny Maycon à Câmara, no fim de 2025, reconheceram a existência de débitos acumulados que somam aproximadamente R$ 82,6 milhões entre obrigações relacionadas ao INSS e ao regime próprio dos servidores.

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O que o vereador quer saber

O requerimento aprovado não trata apenas da dívida previdenciária. O documento também solicita informações sobre precatórios, apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), movimentações em contas vinculadas e execução orçamentária do município. Entretanto, um dos pontos mais sensíveis está justamente relacionado à Previdência Municipal. Entre os questionamentos enviados ao Executivo, o vereador pede esclarecimentos sobre como e onde teriam sido utilizados os recursos recolhidos dos servidores e não repassados aos fundos previdenciários entre 2021 e 2025. Também solicita documentos, notas de empenho e processos administrativos que possam demonstrar a destinação desses valores. O requerimento ainda busca identificar em quais períodos teriam ocorrido interrupções ou repasses parciais das contribuições previdenciárias patronais e dos segurados, além de questionar a situação atual do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) do município.

Dívida será paga por décadas

Uma das questões que mais repercutiram quando o caso veio à tona foi o prazo aprovado para quitação de parte da dívida. Os parcelamentos autorizados pela Câmara permitem pagamentos ao longo de até 300 meses, o equivalente a 25 anos. Na prática, isso significa que futuras administrações continuarão arcando com parcelas relacionadas aos débitos acumulados atualmente. Especialistas em finanças públicas costumam destacar que parcelamentos longos aliviam pressões imediatas de caixa, mas ampliam o período em que o orçamento permanece comprometido com obrigações herdadas de gestões anteriores. Para muitos servidores, a preocupação vai além dos números. O tema envolve diretamente a segurança financeira de quem contribui durante décadas esperando receber aposentadoria e pensão no futuro.

Possibilidade de novos desdobramentos

No texto do requerimento, o vereador afirma que a ausência de resposta, a prestação de informações incompletas ou eventual negativa injustificada podem motivar a adoção de medidas junto aos órgãos de controle. O documento menciona a possibilidade de acionamento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e do Tribunal de Contas do Estado para apuração dos fatos. Segundo o parlamentar, caso o Executivo não apresente esclarecimentos completos dentro do prazo legal, novas providências poderão ser avaliadas. Até o fechamento desta reportagem, não havia sido divulgada resposta oficial da Prefeitura de Nova Friburgo aos questionamentos constantes no requerimento.

O que está em jogo

Quando o assunto envolve Previdência, os efeitos ultrapassam os corredores da administração pública. A estabilidade do sistema influencia diretamente milhares de servidores ativos, aposentados e pensionistas, além de impactar o planejamento financeiro do município. Enquanto as respostas não chegam, permanece aberta uma das principais dúvidas levantadas pelo requerimento: qual foi a destinação dos recursos que deveriam reforçar o fundo responsável pelas aposentadorias dos servidores municipais. O prazo para manifestação da Prefeitura segue em andamento e os próximos dias poderão definir os rumos de uma das discussões fiscais mais relevantes dos últimos anos em Nova Friburgo.

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