Apoiadores da deputada acusam vereador de Nova Friburgo de inflar movimento de oposição baseado em notícias falsas e desconhecimento. O mesmo vereador, em 2022, homenageou políticos condenados pelo STF e investigados por associação criminosa e tráfico de drogas. EcoSerrano esclarece o que consiste o trabalho do MST
Na tarde deste sábado, a deputada estadual Marina do MST foi até o distrito de Lumiar, em Nova Friburgo para fazer uma prestação de contas a população. No entanto, parte da população local se mostrou contrária a presença da parlamentar. Dezenas de pessoas rodearam Marina e, após xingamentos e palavras de ordem, algumas destas pessoas tentaram agredir a parlamentar. A polícia militar fez a segurança da comitiva durante todo o tempo. A vereadora Maiara Felício (PT) e o deputado federal Glauber Braga (Psol) se manifestaram em defesa da deputada.As principais bandeiras defendidas por Marina do MST são, curiosamente, temas dos quais interessam a muitos moradores da região: apoio aos produtores rurais, políticas públicas de fomento à agricultura, fortalecimento dos meios de produção e combate à fome.
Vereador teria usado Fake News para incitar população contra presença de deputada
O vereador José Carlos Schwalb (PRTB), durante a sessão legislativa da última quinta-feira, 10, manifestou repúdio contra a presença da deputada. “Será que Lumiar tem tanta terra improdutiva, assim? Ou será que já vão montar acampamento na Praça de Lumiar e já vão começar as invasões? A deputada tinha que ir lá pra conhecer. Tenho orgulho de ser filho de agricultor e sempre respeitei a natureza. Lumiar tem tantas terras improdutivas que o MST está de olho. A população está muito assustada com essa reunião.”A vereadora Maiara Felício defendeu a deputada e respondeu o vereador. “Basta saber que o MST é uma dos maiores produtores de alimentos como arroz, no Brasil. É o grupo que manteve milhões de famílias alimentadas durante a pandemia, enquanto Bolsonaro imitava pessoas com falta de ar que estavam morrendo de Covid. O vereador insinuar que a deputada vem a Friburgo incitar invasão de terra é falta de respeito. Procure se informar antes de se manifestar para não fazer insinuações de que ela seria criminosa e iria invadir a casa dos outros. O senhor quem trouxe criminoso nessa casa legislativa e a gente não se esquece disso.”A fala do vereador foi vista por opositores como mentirosa, Fake News e que pode ter sido o estopim para incitar a revolta de parte da população. Entre a última quinta-feira, 10 e sexta-feira, 11, diversos áudios em grupos de Whatsapp davam conta de que essa parcela de moradores estaria se organizando para um protesto – que apesar de legítimo e democrático – teria sido incitado por um entendimento errôneo do trabalho da deputada.
Tentativa de agressão
Durante a prestação de contas, a deputada foi cercada por aqueles que se opunham à sua presença, foi xingada, o encontro interrompido e, em alguns momentos, foi quase agredida por alguns populares. A polícia militar chegou a escoltar a comitiva que saiu do distrito debaixo de vaias, tremendo mais agressões.“Eu estou sentindo um misto de vergonha com revolta. Nossa cidade não pode ficar conhecida como uma terra que não acolhe seus visitantes. Revolta porque foi baseado numa ação orquestrada entre bolsonaristas e notícias falsas. O MST é uma dos grupos mais importante do Brasil que luta por reforma agrária e o latifúndio e aqui em Lumiar não tem latifúndio! Absurdo o que aconteceu!”, mostrou repúdio, o deputado Glauber Braga.
Parlamentar que criticou deputada prestou homenagem a condenado pelo STF
Em 16 de maio de 2022, o vereador José Carlos Schuabb homenageou os então deputados federais Daniel Silveira, Carlos Jordy, Luiz Lima, Otoni de Paula, o então deputado estadual Anderson Moraes, além de André Monteiro, Leandro Cavalieri e o Secretário de Finanças, André Montechiari.
Anderson Moraes (PL), seria o autor do Projeto de Lei para extinguir a UERJ, uma das mais importantes Universidades do país. O chefe do seu gabinete, Ricardo Wilke, teria sido preso em abril de 2015, acusado por tráfico de drogas e roubo, junto com outras 40 pessoas, devido a uma denúncia movida pelo Ministério Público (MP-RJ). De acordo com o MP-RJ, Wilke fazia parte de um grupo que traficava drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo, ligado às facções criminosas Comando Vermelho e PCC (Primeiro Comando da Capital). Também está no gabinete de Moraes o inspetor da polícia civil Rodrigo Correa Lima Furtado, que até junho exercia a função comissionada de auxiliar 1 e recebia R$ 4.381,00 (Quatro mil trezentos e oitenta e um reais) líquidos. Em 2004, Furtado foi preso temporariamente, acusado de matar a estudante Aline Gonçalves Lima, de 16 anos, e o pastor evangélico Marcelo Salgueiro de Menezes durante uma incursão de agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes à favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Otoni de Paula (PSC): Em julho de 2020 a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado federal Otoni de Paula (PSC) ao STF pelos crimes de difamação, injúria e coação. De acordo com a denúncia, o parlamentar fez duas transmissões ao vivo pela internet, nas quais teria sido imputado por cinco vezes, fatos que afrontam a reputação do ministro Alexandre de Moraes.
Antônio Carlos dos Santos: o agente da PF aposentado foi citado em relatório da Polícia Federal por ter estado em dois momentos na casa de José Carlos de Melo, ex-pró-reitor da Universidade Iguaçu (Unig), conhecido como “homem do dinheiro” e apontado como um dos líderes nos esquemas de corrupção no Governo do Estado.
Daniel Silveira: O ex-deputado, hoje preso, Daniel Silveira, era cobrador de ônibus na cidade de Petrópolis, função que, em 2007, teria lhe rendido um boletim de ocorrência na Polícia Civil, após a descoberta de seu envolvimento em uma fraude na produção de atestados médicos, que teriam sido utilizados para se ausentar por um mês do serviço. Ainda quando era policial militar, o deputado federal Daniel Silveira (PTB) – preso por fazer um vídeo em que defende o AI-5 e destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal – recebeu 60 sanções disciplinares. A informação consta de um processo administrativo da PM. Na ficha policial, consta que o PM licenciado tinha “mau comportamento”. Por isso, Silveira ficou 26 dias presos e 54 dias detido — a prisão ocorreu por transgressões mais graves, enquanto a detenção por casos menores. Daniel Silveira recebeu, ainda na corporação, 14 repreensões e duas advertências, “ficando cristalina sua inadequação ao serviço policial militar”, conforme o boletim. Veja a reportagem do Congresso em Foco. Em abril de 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) a oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo.
O que é o MST?
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é um movimento social brasileiro que luta por reforma agrária e pela promoção dos direitos dos trabalhadores rurais sem terra. Fundado em 1984, o MST se concentra na busca por terra, habitação, educação e justiça social para os agricultores sem terra e suas famílias. Aqui estão alguns aspectos do trabalho e das atividades do MST:
Reforma Agrária e Distribuição de Terra: Um dos principais objetivos do MST é pressionar o governo brasileiro a realizar uma reforma agrária mais eficaz, que envolva a distribuição de terras ociosas ou subutilizadas para agricultores sem terra. O movimento acredita que essa abordagem pode ajudar a combater a pobreza rural e promover a equidade.
Ocupações de Terras e Acampamentos: Uma das táticas distintivas do MST é a ocupação pacífica de terras improdutivas. Muitas vezes, os membros do movimento estabelecem acampamentos temporários nas áreas a serem reivindicadas, aguardando negociações com as autoridades para obter a posse legal da terra.
Educação e Formação: O MST enfatiza a educação popular como uma ferramenta para capacitar os membros e fortalecer o movimento. Escolas e cursos são organizados nos acampamentos e assentamentos, abordando tópicos como agricultura sustentável, direitos trabalhistas e sociais, além de aspectos políticos e culturais.
Produção e Agricultura Familiar: Além da luta pela terra, o MST promove práticas agrícolas sustentáveis e a produção de alimentos em seus assentamentos. A agricultura familiar é valorizada como um meio de subsistência e de fortalecimento das comunidades rurais.
Mobilização e Manifestações: O MST é conhecido por suas ações de protesto e manifestações públicas em busca de seus objetivos. Marchas, ocupações de prédios públicos, bloqueios de estradas e outras formas de mobilização fazem parte da estratégia do movimento para chamar a atenção para suas causas.
Crítica ao Agronegócio e à Concentração de Terra: O MST é crítico em relação ao modelo de agronegócio adotado no Brasil, que muitas vezes resulta na concentração de terras nas mãos de poucos e em impactos ambientais negativos. O movimento defende uma abordagem mais equitativa e sustentável para a agricultura.
Relações Internacionais: O MST tem conexões com movimentos sociais semelhantes em outros países e participa de redes internacionais que promovem a justiça social, a reforma agrária e a soberania alimentar.
É importante observar que as opiniões sobre o MST podem variar. Algumas pessoas veem o movimento como uma voz necessária para os direitos dos trabalhadores rurais e a reforma agrária, enquanto outras podem criticar suas táticas ou abordagens específicas.