Após anos de espera, imagens chocantes de morte de peixes viralizarem nas redes sociais e “constrangimento digital”, cartão postal do município recebeu atenção do poder público
Relatos e registros mostram que o Lago de Lumiar enfrenta problemas recorrentes desde 2022, agravados pela ausência de ações estruturais do município. A mobilização da Prefeitura ocorreu apenas após forte repercussão pública e pressão de moradores e reportagens.
Tentativa tardia de protagonismo após anos de omissões
A mobilização da Prefeitura de Nova Friburgo no Lago de Lumiar ocorreu somente após a cena de dezenas de peixes mortos registrada no domingo, 9 de fevereiro. O episódio ganhou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu denúncias já relatadas por moradores e registradas pelo EcoSerrano desde 2022, indicando que o problema é recorrente.Nos comunicados públicos, a Prefeitura afirmou estar atuando na “recuperação do lago”, mas informações técnicas e relatos de moradores sugerem que a situação atual resulta da ausência de medidas preventivas ao longo dos últimos anos.
Ações anunciadas após forte pressão pública
A operação realizada nesta semana envolveu agentes municipais, apoio da APAMC/Inea e participação de moradores convidados pelos guarda-parques.Apesar de necessária, a iniciativa veio somente após novo desgaste público envolvendo o principal cartão-postal de Lumiar.Moradores afirmam que a Prefeitura só reagiu quando o episódio ganhou amplitude digital e gerou constrangimento político para a gestão do prefeito Johnny Maycon.
Histórico de alertas ignorados desde 2022
Entre 2022 e 2023, a antiga gestão da Associação de Moradores de Lumiar realizou ações paliativas para manter o lago minimamente funcional.À época, segundo relatos de moradores, houve pedidos de apoio ao município, mas as solicitações não teriam recebido o respaldo necessário das secretarias responsáveis.Sem intervenções estruturantes, o lago seguiu acumulando matéria orgânica, registrando água turva, forte odor e baixa oxigenação — fatores que provocam a mortandade periódica de peixes.
Problemas estruturais ainda persistem
Moradores e ambientalistas apontam três fatores principais como causas da crise recorrente:
Superpopulação de peixes
A falta de processos regulares de despesca sobrecarrega o ambiente e reduz a disponibilidade de oxigênio.
Acúmulo de ração
A distribuição constante de ração por visitantes provoca acúmulo no fundo, acelerando a decomposição e alterando o equilíbrio químico da água.
Baixa oxigenação
Moradores relatam falhas no sistema de oxigenação e redução da queda-d’água natural que abastece o lago, criando ambiente propício à anóxia aquática.Um morador descreveu ao EcoSerrano: “Os peixes estão agonizando na superfície. A água virou um lodo de tanta ração jogada.”
Responsabilidade municipal é clara
O Lago de Lumiar está sob responsabilidade direta da Subprefeitura de Lumiar, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e, desde 2025, também da Secretaria de Bem-Estar Animal, que possui servidores com formação específica para controle ambiental e manejo de fauna aquática.Especialistas consultados indicam que ações estruturais deveriam ter sido implementadas desde os primeiros alertas documentados.
Nota oficial da Prefeitura de Nova Friburgo
A Prefeitura divulgou nota afirmando que realizou, nos últimos dias, ações de limpeza, retirada de matéria orgânica, manejo emergencial dos peixes e reforço na oxigenação. O texto também mencionou a participação da APAMC/Inea e o apoio de moradores.Segundo a nota, “as equipes atuam para recuperar o lago e minimizar impactos ambientais”, destacando que a operação inclui remoção de materiais, avaliação da água e melhorias no fluxo da queda-d’água.A Prefeitura afirmou ainda que segue monitorando o local e que novas medidas poderão ser adotadas nas próximas semanas.O comunicado, porém, não detalha o cronograma, o custo da operação, as licenças ambientais, os laudos técnicos ou o plano de manutenção permanente do ecossistema.
Moradores pedem medidas definitivas
Entre as solicitações mais citadas pela comunidade estão:
limpeza e dragagem do fundo do lago;
controle da superpopulação por meio de despesca técnica;
proibição da venda e lançamento de ração;
reativação plena dos sistemas de oxigenação;
monitoramento permanente da qualidade da água por profissionais capacitados.
Para moradores e ambientalistas, a recuperação real do Lago de Lumiar depende de políticas permanentes e estruturadas — não apenas de respostas emergenciais motivadas pela repercussão de crises pontuais.
Participe: o que você pensa sobre o Lago de Lumiar?
Você já presenciou problemas ambientais no Lago de Lumiar?2. A Prefeitura deveria implementar medidas permanentes no local?3. A venda de ração para alimentar os peixes deve ser proibida?