Bebê recém nascido no colo do pai em unidade hospitalar (2)

Johnny Maycon estava ciente dos problemas que levaram à interdição da Maternidade

Em favor da vida? Prefeito posou ao lado de deputado autor de projeto que criminaliza vítimas de estupro, mas Justiça aponta falha ao proteger mulheres e bebês friburguenses. Veja o porquê na matéria

A justiça determinou a interdição do Hospital Maternidade Mário Dutra de Castro, em Nova Friburgo, devido aos riscos iminentes de incêndio provocados pela precariedade da rede elétrica. A Prefeitura e a Secretaria de Saúde têm 5 dias úteis para apresentar um plano de evacuação e 60 dias úteis para desocupar totalmente o imóvel e apresentar um plano de melhorias na unidade. Com o iminente fechamento do hospital, cresce a preocupação entre gestantes, doulas, mães e outras mulheres quanto à assistência para consultas, exames, procedimentos cirúrgicos e outros serviços. Ainda não há confirmação sobre onde esses serviços serão realocados, mas o Hospital Municipal Raul Sertã é a opção mais provável.
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Um ponto crucial nessa crise é o atendimento às vítimas de estupro em Nova Friburgo. Mulheres que engravidam devido a essa violência necessitam de uma unidade especializada para receber o melhor atendimento possível. Independentemente da decisão de levar adiante ou não a gestação indesejada, o Hospital Maternidade ainda pode ser (ou ao menos deveria ser) considerado um ambiente acolhedor e seguro para essas mulheres. As irregularidades na unidade eram de conhecimento do prefeito Johnny Maycon, que firmou um acordo em 2023 para resolver as pendências na rede elétrica e evitar uma possível tragédia. A decisão pela interdição veio após o não cumprimento deste acordo. Ou seja, todas as gestantes e os respectivos bebês estiveram este tempo todo sob o risco de uma tragédia sem precedentes e com o conhecimento do Prefeito de Nova Friburgo. Recentemente, Johnny Maycon esteve em Brasília e fez questão de ser fotografado ao lado do deputado federal Sóstenes Cavalcante. O parlamentar está no foco do cenário político atual. Ele é o propositor do projeto de lei que criminaliza mulheres vítimas de estupro que optarem pelo aborto após 22 semanas de gestação. O projeto deve ser retirado de pauta devido à pressão popular. No entanto, a polêmica parece ter sido usada por Johnny Maycon para, supostamente, ganhar visibilidade entre seus apoiadores. Em ano eleitoral, reforçar o discurso conservador de apoio à vida, pode gerar ganhos políticos. A decisão da justiça de fechar a única unidade pública de atendimento específico a gestantes e bebês, incluindo mulheres vítimas de estupro, expõe uma grave contradição. Se o prefeito estivesse realmente preocupado com o bem-estar dessas mulheres e bebês, teria priorizado a resolução dos problemas elétricos e de segurança do hospital. Fortalecer a rede elétrica e tornar a unidade mais segura enviaria uma mensagem muito mais eficaz de proteção à vida do que posar ao lado de um aliado conservador que propõe projetos de lei, supostamente, sob a ótica do discurso religioso. A decisão judicial para interdição do hospital revela que a gestão atual falhou em proteger verdadeiramente as gestantes e bebês ao negligenciar as condições perigosas da unidade. A situação demanda uma resposta urgente e eficaz para garantir a segurança e o bem-estar das mulheres e crianças que dependem desse serviço essencial.

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