Área interna do Hospital Raul Sertã com sujeira, sinais de mofo e condições precárias relatadas durante fiscalização de vereador.

Fezes de pombo, mofo e “caso de polícia”, dentro do Hospital em cidade do Rio

Ambiente insalubre, documentos importantes “descartados”: veja os flagrantes que colocam pacientes em risco

Fezes de pombo espalhadas, paredes mofadas e um espaço usado para descanso de servidores dentro do Hospital Municipal Raul Sertã. Foi esse o cenário relatado pelo vereador Cláudio Damião durante uma fiscalização de rotina realizada no fim da tarde desta quarta-feira, 17 de junho, em Nova Friburgo. Segundo o parlamentar, a situação foi encontrada em um quarto localizado no último andar da unidade. O espaço, de acordo com ele, é utilizado por guardas municipais que atuam em escala no hospital. A denúncia chama atenção não apenas pelo estado do ambiente, mas também pelo fato de o local funcionar dentro da principal unidade pública de urgência e emergência do município. “É insalubre o que eu vi e digo mais, é caso de polícia”, afirmou Cláudio Damião. O vereador disse que o quarto reservado ao descanso dos servidores estava tomado por fezes de pombo e apresentava paredes com sinais de mofo. Para ele, o ambiente não oferece condições adequadas para trabalhadores que cumprem plantões dentro da unidade. “Eu mesmo fiquei com medo de contrair qualquer tipo de doença. As fezes de pombo são altamente perigosas para a saúde humana. Imagina isso dentro de um hospital? Irei tomar as medidas que cabem ao trabalho como vereador. Não é possível que ninguém veja isso”, declarou.

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Uma sala de descanso dentro de um hospital

De acordo com as informações repassadas ao EcoSerrano, o quarto é usado pela Guarda Municipal que atua no Raul Sertã. A estimativa é de que cerca de 16 servidores passem pela escala de trabalho em cada turno na unidade. O ponto central da denúncia é justamente esse: o espaço não seria uma área abandonada qualquer, mas um local utilizado por trabalhadores que permanecem no hospital durante a rotina de serviço. Em uma unidade de saúde, onde a preocupação com higiene, segurança sanitária e condições mínimas de trabalho deveria ser ainda maior, o relato abre uma nova frente de cobrança sobre a estrutura interna do Raul Sertã. Além das fezes de pombo e do mofo, o vereador informou que documentos da própria unidade também ficam arquivados no local. A presença de papéis em uma área com sujeira, umidade e possível contaminação aumenta a gravidade do quadro relatado e exige esclarecimento da administração municipal.

Extintor vencido no mesmo andar

Durante a fiscalização, segundo Cláudio Damião, também foi encontrado um extintor de incêndio com manutenção vencida. Ainda conforme o relato, esse era o único equipamento localizado no andar vistoriado. A informação precisa ser esclarecida oficialmente pela Prefeitura de Nova Friburgo, especialmente porque envolve segurança predial dentro de uma unidade hospitalar. Até o momento, não foram informadas quais providências foram adotadas após a fiscalização, se o espaço foi isolado, se houve limpeza emergencial ou se será feita vistoria técnica no local.

TAC de 2024 aumenta cobrança sobre o Raul Sertã

A nova denúncia ocorre em um hospital que já é alvo de obrigações assumidas em um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2024 entre o Município de Nova Friburgo, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Trabalho. O TAC nº 01/2024 foi firmado com o objetivo de estabelecer medidas voltadas à melhoria da gestão e à reestruturação do Hospital Municipal Raul Sertã. O documento não transforma automaticamente cada novo problema relatado em descumprimento, mas torna a cobrança ainda mais sensível: a unidade já vinha sendo acompanhada oficialmente por órgãos de controle. No caso relatado nesta quarta-feira, a dúvida principal é simples e grave: como um espaço usado por servidores dentro de um hospital chegou a esse estado?

Risco sanitário precisa ser apurado

Fezes de pombos podem estar relacionadas à presença de fungos e outros agentes que oferecem risco à saúde, especialmente em ambientes fechados, com poeira, umidade ou pouca ventilação. Em uma unidade hospitalar, o cuidado precisa ser ainda maior, já que circulam trabalhadores, pacientes, acompanhantes e pessoas em diferentes condições de saúde. A denúncia apresentada pelo vereador não substitui laudo técnico, vistoria sanitária ou manifestação oficial dos órgãos competentes. Mas as imagens e o relato indicam a necessidade de apuração imediata sobre as condições do local, a presença de aves no prédio, o estado de conservação do ambiente e a segurança dos servidores que utilizam o espaço. O EcoSerrano mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Nova Friburgo, da direção do Hospital Raul Sertã e da Guarda Municipal sobre as providências adotadas após a fiscalização.

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