Imagens são muito sensíveis e perturbadoras. Veja o que aconteceu com a dupla que aparece nos vídeos
Maqueiros envolvidos em vídeo desrespeitando corpos em hospital de Cachoeiras de Macacu foram demitidos por justa causa. Eles serão indiciados, e autoridades veem fortes indícios para condenação.
Caso teve novos desdobramentos, com punições administrativas e avanço para esfera criminal
O caso envolvendo funcionários de um hospital municipal de Cachoeiras de Macacu, que viralizou após a divulgação de um vídeo em que maqueiros manipulavam corpos de forma desrespeitosa, teve novos desdobramentos nesta semana. Segundo informações confirmadas pela administração municipal, os envolvidos foram demitidos por justa causa e agora serão formalmente indiciados, com grandes chances de condenação devido ao material comprobatório existente.O vídeo, gravado no último domingo (16), mostra os profissionais manipulando cadáveres ensacados enquanto faziam comentários ofensivos — imagens que geraram forte repercussão e indignação pública.
Demissão por justa causa e abertura de procedimento criminal
De acordo com documentos oficiais e registros da gestão hospitalar, a conduta dos trabalhadores configura falta grave, justificando a demissão por justa causa. Segundo especialistas consultados pela reportagem, o comportamento registrado pode enquadrar-se em crimes como:
vilipêndio a cadáver (art. 212 do Código Penal), que prevê detenção de até três anos;
violação de sepultura ou de local destinado a mortos, dependendo da interpretação das autoridades;
infração à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), por registro e divulgação não autorizada de imagens sensíveis;
além de possível dano moral coletivo, caso o Ministério Público decida ingressar com ação específica.
Fontes envolvidas na investigação afirmam que o material audiovisual, associado à confissão registrada em mensagens divulgadas nas redes sociais, “constitui prova robusta” e deve fortalecer o processo criminal.
Funcionário admitiu erro em mensagem enviada após repercussão
Após o vídeo viralizar, um dos envolvidos enviou mensagem para pessoas que haviam compartilhado o conteúdo, pedindo que a postagem fosse retirada do ar. Na mensagem, registrada por terceiros, ele admite erro, o que pode reforçar a materialidade já existente.
Prefeitura confirma medidas administrativas e ressalta violação grave
Em nova manifestação divulgada nesta sexta-feira, a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu informou que:
determinou providências imediatas à empresa terceirizada que administra o hospital;
os envolvidos foram afastados e posteriormente demitidos por justa causa;
o município acompanha a apuração interna e externa;
o caso foi encaminhado às autoridades competentes, que tratam o episódio como potencial ilícito penal.
A administração reforçou ainda que a gravação dentro da capela hospitalar “viola a LGPD, o direito à intimidade e afronta a dignidade humana”, destacando que atos assim são incompatíveis com o serviço público e com o atendimento humanizado.
Consequências jurídicas: o que pode acontecer agora
Advogados especializados em Direito Penal e Direito Médico afirmam que, diante das evidências reunidas, há forte possibilidade de condenação. O crime de vilipêndio a cadáver, frequentemente aplicado em casos semelhantes no país, ocorre quando há zombaria, desrespeito ou ultraje ao corpo humano após a morte.Além de eventual pena criminal, os ex-funcionários podem enfrentar:
restrições trabalhistas decorrentes da demissão por justa causa;
impossibilidade temporária de atuar em serviços de saúde, caso sejam incluídos em cadastros internos de empresas prestadoras;
eventuais ações civis movidas por familiares das vítimas.
Até o momento, as defesas dos acusados informaram que não irão se manifestar.
Entenda o Caso
Qual crime pode ser aplicado aos envolvidos?
O crime mais provável é vilipêndio a cadáver, previsto no art. 212 do Código Penal.
Por que houve demissão por justa causa?
Porque a conduta foi considerada falta grave, violando normas éticas, contratuais e legais.
A divulgação do vídeo é crime?
Sim. Envolve violação da LGPD e afronta à dignidade humana.
Os envolvidos podem ser condenados?
Segundo especialistas, sim — as provas são consideradas sólidas.