Morte por meningite pode ter sido potencializada por negligência em Nova Friburgo - Foto Guilherme Alt

Em denúncia de vereadora, idosa teria morrido afogada no próprio líquido corporal, no Raul Sertã

Em problema semelhante, neta de paciente de 89 anos relata falta de equipamento adequado para procedimento que pode salvar vida de sua avó e demora na análise de exames: “resultado não foi obtido por corte no convênio entre laboratório e Prefeitura”

Esta semana, a vereadora Priscilla Pitta denunciou um drama familiar vivido por uma senhora de 89 anos, internada no Hospital Municipal Raul Sertã (HMRS), em Nova Friburgo. Segundo um vídeo publicado pela parlamentar em suas redes sociais (clique aqui), a paciente, cuja condição de saúde é muito grave, não estaria recebendo o tratamento adequado. A vereadora expôs a situação em conjunto com a neta da paciente, que também aparece no vídeo. De acordo com o depoimento da neta, sua avó foi diagnosticada com pneumonia e derrame pleural e precisa drenar o líquido pulmonar que se acumula em seu corpo. No entanto, segundo a denúncia feita no vídeo por Priscilla Pitta e a neta da paciente, o HMRS não possui o equipamento necessário para realizar essa drenagem. A neta afirma que os médicos estariam, supostamente, retardando o procedimento devido à falta do material adequado para a drenagem do líquido pulmonar de forma contínua.
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Ainda no vídeo publicado pela vereadora Priscilla Pitta, a neta da paciente alega que uma outra idosa internada no hospital teria falecido “afogada no próprio líquido corporal”. No entanto, esta informação não foi confirmada pela direção do hospital nem pela Secretaria de Saúde. No vídeo, a neta denuncia também que precisou comprar do próprio bolso um equipamento chamado “óculos nasal”, pois o HMRS não teria o item disponível, e sua avó não se adaptou ao modelo fornecido pelo hospital. Em contato com o EcoSerrano, ela informou que, até a manhã de sexta-feira, 23, o procedimento, considerado mais adequado, para a retirada do líquido pulmonar ainda não havia sido realizado. Conforme o relato da neta ao EcoSerrano, os médicos realizaram um outro procedimento chamado toracocentese, que remove, no máximo, segundo ela, 1 L de líquido do pulmão. No entanto, de acordo com a neta da paciente, a drenagem contínua com dreno de tórax seria o tratamento mais indicado. Porém, devido a suposta falta do material que permite a drenagem contínua do líquido pulmonar, o procedimento ainda não foi realizado. Na manhã de quinta-feira, 22, a neta recebeu a explicação de que sua avó poderia estar com câncer no pulmão, o que justificaria o acúmulo constante de líquido. Ela relatou que, em uma internação anterior, o líquido foi enviado para análise, mas o resultado não foi obtido, pois o laboratório responsável, localizado fora de Friburgo, teria cortado o convênio com o hospital. Ainda de acordo com a neta da paciente, um outro médico realizou uma nova toracocentese e coletou o líquido para análise, cujo resultado deve demorar cerca de um mês. “Minha avó já tomou vários antibióticos e continua desidratada, com baixo nível de potássio, mas não pode receber soro para evitar o aumento do líquido”, relatou a neta. Ela acrescenta que o pulmão direito da paciente está completamente comprometido pelo líquido, enquanto o esquerdo está parcialmente afetado. A paciente segue em oxigenoterapia e reposição de potássio, mas o líquido continua a se acumular. Na manhã desta sexta-feira, 23, a paciente passou por uma tomografia de tórax, e o resultado é aguardado ainda para hoje. O EcoSerrano entrou em contato com o Prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon, o Secretário de Saúde, Gabriel Wenderroschy, e a Subsecretaria de Comunicação, solicitando um posicionamento sobre as denúncias feitas pela vereadora Priscilla Pitta e a neta da paciente. Contudo, mesmo após 24 horas de espera, a Prefeitura de Nova Friburgo, por meio de seus representantes, não enviou uma resposta. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.

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