Ameaça de guerra civil, ocupação do Tiro de Guerra, invasão a Brasília, vereador na mira da PF e agressão a deputada. Vejam exemplos ocorridos no município
As eleições, sejam elas municipais, estaduais e federais sempre despertaram fervor e ânimos exacerbados. Em muitos casos, há os flagrantes das exceções, mas, ainda assim, dentro de um limite democrático. No ano passado, segundo um estudo feito pelo o Índice de Transformação Bertelsmann (BTI), sediada na Alemanha, que avalia a consolidação da democracia e da economia de mercado em países em desenvolvimento, a democracia brasileira está em rota de desgaste.De acordo com o BTI 2022, o Brasil está entre os países considerados até há poucos anos como uma democracia estável e que passou a ser classificado como “democracia defeituosa”. “Nos últimos 10 anos, quase uma em cada 5 democracias apresentaram um declínio contínuo da qualidade de democracia. Isso também afetou alguns países que ainda eram tidos no BTI 2012 como democracias estabelecidas e em consolidação: Brasil, Bulgária, Índia, Sérvia e Hungria, e desde meados da década passada também a Polônia”, divulgou o BTI.Em Nova Friburgo, desde o ano passado, durante o período eleitoral, muitos foram os casos em que houve desrespeito à democracia e às regras eleitorais. Um áudio atribuído a um morador de São Pedro da Serra dizia que em caso de derrota de Bolsonaro, a população deveria pegar em armas e partir para uma guerra civil. O conteúdo foi inspirado no episódio Roberto Jefferson, no ano passado, que disparou contra policiais federais ao ser reconduzido a prisão. Após receber uma visita da polícia, o morador gravou outro áudio pedindo desculpas.Ainda no ano passado, após a vitória de Lula, teriam sido registrados bloqueios em algumas entradas na cidade. Esses bloqueios teriam sido organizados por bolsonaristas descontentes com a derrota. Simultaneamente, diversos apoiadores do ex-presidente ocuparam a Praça do Suspiro, em frente ao Tiro de Guerra, e pediram intervenção militar – que é crime – por conta da derrota sofrida democraticamente nas urnas. Após a primeira manifestação, um grupo de bolsonaristas se revezou por dois meses na frente da unidade militar e pendurou faixas com supostos conteúdos antidemocráticos. Os ocupantes, durante o período, receberam visitas de líderes religiosos e um político local, o vereador Isaque Demani. Demani ainda defendeu na Câmara de Vereadores, em sessões no ano passado e em 2023, o que chamou de defesa da democracia e liberdade de expressão. Por conta disso, o vereador foi denunciado no Ministério Público e Polícia Federal. O parlamentar, inclusive, é alvo de uma investigação da PF.Durante a ocupação, duas mulheres teriam sido agredidas por bolsonaristas na Praça do Suspiro. O caso foi levado à 151ª DP, mas foi arquivado.
Vandalismo nas instituições
Ainda em 2022, vândalos picharam as sedes da OAB-NF e do TRE-RJ. Em julho de 2023, uma mulher também foi flagrada por câmeras de segurança pichando a fachada da InterTV, filial da Rede Globo. Na ocasião, a mulher ainda fez ameaças a jornalistas da emissora.No dia 8 de janeiro, a invasão de Brasília, a depredação e furto de patrimônios por milhares de bolsonaristas, classificados como atos de terrorismo, teve a participação de pessoas ligadas a Nova Friburgo.
Agressão a deputada do PT
O último episódio que colocou Nova Friburgo em rota de colisão com a democracia aconteceu no último sábado, 12, quando a deputada estadual do PT, Marina do MST, foi impedida de prestar contas à população e ouvir as demandas do setor agrícola, bem como da agricultura familiar, atividade econômica muito forte na região. O ato de selvageria teria sido motivado pela ignorância ao papel e atuação do MST dentro do território brasileiro, somada a uma suposta insinuação de informações falsas do vereador José Carlos Schuawlb, durante a sessão legislativa de 10 de julho.Inflada por um discurso de que o MST invadiria terras de agricultores do 5º e 7º distrito, bolsonaristas foram até o local da prestação de contas para xingar, ofender e agredir a deputada. O caso ganhou repercussão nos principais jornais do país e a Alerj cobra punição aos envolvidos.
Silêncio das autoridades municipais
Em quase todos os casos citados nesta reportagem, chamou atenção que as principais autoridades políticas de Nova Friburgo não se manifestaram de forma contrária. O silêncio do Prefeito Johnny Maycon foi notado, principalmente durante a ocupação em frente ao Tiro de Guerra, que, por ser uma via pública, deveria ter tomado providências, segundo especialistas. Assim como no caso da violência sofrida pela deputada estadual Marina do MST (PT).Neste último, o prefeito Johnny Maycon não se manifestou, mas seu vice, sim. Serginho teria demonstrado apoio ao ocorrido no 7º distrito.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2Grupo de Whatsapp 1 Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano