Foram liberados 6,4 quilômetros de faixas adicionais nos dois sentidos; obras haviam sido interrompidas em 2020 por problemas de segurança
Motoristas que utilizam a BR-101 passaram a contar com uma terceira faixa em um dos trechos mais movimentados da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A ampliação foi concluída e entregue na quinta-feira (14), entre São Gonçalo e o Trevo de Manilha, em Itaboraí.Ao todo, foram liberados 6,4 quilômetros de faixas adicionais. São 3,5 quilômetros no sentido Campos dos Goytacazes e outros 2,9 quilômetros em direção a Niterói.A intervenção busca aumentar a capacidade da rodovia, melhorar a fluidez do trânsito e reforçar a segurança viária. O trecho concentra diariamente um grande volume de veículos e é um dos principais acessos entre Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, o Norte Fluminense e a Região dos Lagos.A liberação ocorreu durante uma agenda técnica que contou com a participação do ministro dos Transportes, George Santoro, e de representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A entrega também foi confirmada em publicação sobre aampliação da BR-101.
A implantação das faixas havia sido interrompida em 2020 por problemas relacionados à segurança dos trabalhadores. Segundo o ministro George Santoro, funcionários da empresa responsável pela execução chegaram a ser ameaçados durante as intervenções.Os serviços foram retomados em abril deste ano, depois da assinatura de uma nova ordem de serviço e da articulação com o Governo do Estado para ampliar a segurança no trecho.Santoro afirmou que, desde a retomada, a concessionária não relatou novos problemas envolvendo as equipes que atuaram nas obras. O ministro não informou se os responsáveis pelas ameaças anteriores foram identificados.A BR-101 passa pelas proximidades de comunidades de São Gonçalo, entre elas o Complexo do Salgueiro e o Jardim Catarina. Antes da retomada das intervenções, parte do canteiro central destinado à terceira faixa chegou a ser utilizada por moradores para caminhadas e pequenas corridas.
Trevo de Manilha continua como gargalo
Embora a terceira faixa possa melhorar a circulação, usuários da rodovia destacam que o Trevo de Manilha ainda precisa de intervenções. O local recebe o tráfego da BR-101 e da BR-493 e costuma apresentar grandes congestionamentos, especialmente nos horários de maior movimento e em vésperas de feriados.A construção de um novo trevo depende da compatibilização dos projetos das duas concessionárias responsáveis pelas rodovias: a Arteris Fluminense, na BR-101, e a EcoRodovias, na BR-493.A expectativa apresentada pelo Ministério dos Transportes é que as obras do novo Trevo de Manilha avancem a partir do início de 2027. Também está previsto o Contorno de Itaboraí, destinado a reorganizar a circulação e retirar parte do fluxo da atual área urbana.
Quase R$ 9 bilhões em investimentos
As novas faixas fazem parte de um programa de modernização de aproximadamente 322 quilômetros da BR-101 e de sua ligação com a BR-493.Segundo o Ministério dos Transportes, estão previstos quase R$ 9 bilhões em investimentos. Desse total, R$ 6,2 bilhões correspondem às intervenções sob responsabilidade da concessionária Arteris, enquanto o restante está relacionado às contrapartidas da EcoRodovias.O programa contempla:
49,6 quilômetros de duplicações;
52,6 quilômetros de faixas adicionais;
81,7 quilômetros de multivias;
14 quilômetros de vias marginais;
59,2 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas;
melhorias em pontes, viadutos, acessos e passarelas;
implantação de novos dispositivos de segurança viária.
A concessão administrada pela Arteris Fluminense compreende a BR-101 entre a Ponte Rio–Niterói e a divisa do Rio de Janeiro com o Espírito Santo, passando por municípios como Itaboraí, São Gonçalo, Macaé, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras.Conheça o trecho administrado pela concessionária.
Macaé e Campos terão novas intervenções
Além das melhorias entre São Gonçalo e Itaboraí, o planejamento prevê a duplicação de pistas em Macaé, outro ponto de retenção frequente na BR-101.Em Campos dos Goytacazes, a previsão é iniciar em setembro a implantação de multifaixas. O conjunto de obras pretende eliminar gargalos históricos e reduzir o tempo de deslocamento ao longo da rodovia.Também estão previstos recursos tecnológicos para aumentar a segurança, como monitoramento por câmeras integrado às forças policiais, drones, leitura automática de placas e cobertura de internet móvel ao longo da estrada.O novo modelo contratual estabelece mecanismos de fiscalização e prevê penalidades caso as concessionárias não cumpram os investimentos e os padrões de serviço acordados, incluindo a possibilidade de descontos nas tarifas de pedágio.