Fachada do Hospital Municipal Raul Sertã em Nova Friburgo, Brasil.

Alimentação terceirizada de Hospital de Nova Friburgo custará milhões aos cofres públicos

Principal unidade de saúde da região tem cozinha própria, mas está interditada desde 2019. Informação “escandalosa” vem à tona

A renovação de um contrato milionário para alimentação no Hospital Raul Sertã reacendeu críticas antigas e novas dúvidas. Pacientes e familiares seguem relatando problemas enquanto solução definitiva não avança.

A comida que deveria se fonte de cuidar também passou a preocupar. No Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, relatos sobre a qualidade da alimentação voltaram ao centro do debate após a renovação de um contrato de quase R$ 7 milhões para fornecimento de refeições. O problema não é novo — mas o contexto atual tem causado ainda mais indignação.

O hospital é referência para cerca de 11 municípios da Região Serrana. Ali, diariamente, pacientes internados dependem exclusivamente das refeições oferecidas. Para muitos, é a única fonte de alimentação durante dias ou semanas.

Contrato milionário renovado

No dia 24 de abril de 2026, a Prefeitura de Nova Friburgo formalizou o contrato nº 072/2026 com a empresa Bandolin Fornecimento de Refeições Ltda. O valor chama atenção: R$ 6.969.915,53 por um período de seis meses.

O modelo adotado segue sendo o de alimentação transportada, ou seja, as refeições são preparadas fora da unidade e levadas até o hospital. São sete anos, desde que a cozinha foi interditada para reformas que nunca avançaram.

A decisão, embora prevista em processo administrativo e fundamentada na legislação vigente, ocorre em meio a um histórico de críticas e denúncias envolvendo justamente esse tipo de serviço.

Denúncias que atravessaram gestões

O que mais incomoda parte da população é a mudança de posição ao longo do tempo. Antes de assumir a Prefeitura, Johnny Maycon, então vereador, criticava publicamente a ausência de uma solução definitiva para a cozinha do hospital e questionava os custos com contratos terceirizados.

Hoje, já no sexto ano de gestão, o cenário permanece semelhante — e, para alguns, até mais grave.

Relatos envolvendo a alimentação hospitalar surgiram ao longo dos últimos anos. Entre eles, queixas sobre qualidade, conservação inadequada e até situações envolvendo presença de elementos estranhos nos alimentos, conforme denúncias que circularam publicamente e foram repercutidas à época.

Não há, neste momento, confirmação oficial recente sobre novos episódios específicos, mas o histórico pesa na percepção da população.

A cozinha que nunca saiu do papel

Um ponto central dessa discussão é a ausência de uma cozinha estruturada dentro do próprio hospital. A promessa de uma solução definitiva, com produção interna de alimentos, foi debatida em diferentes momentos, mas nunca avançou de forma concreta.

Na prática, o município segue dependendo de contratos temporários e de alto custo.

Para quem acompanha de perto a rotina do Raul Sertã, a sensação é de repetição. O problema é conhecido, já foi denunciado, já foi pauta política — mas segue sem solução estrutural.

Impacto direto em quem mais precisa

Por trás dos números, existem pessoas. Pacientes debilitados, idosos, crianças e acompanhantes que enfrentam dias difíceis dentro da unidade.

A alimentação hospitalar não é um detalhe. Ela faz parte do tratamento. Interfere na recuperação, no bem-estar e até na segurança dos pacientes.

Quando surgem dúvidas sobre a qualidade da comida, o impacto é imediato. Há quem prefira não se alimentar. Há famílias que tentam levar comida de casa, mesmo com limitações. Há também o sentimento de impotência.

O que a população quer saber

  • Por que a alimentação do hospital é terceirizada? Porque a unidade não possui, atualmente, uma estrutura interna ativa para produção própria de refeições em larga escala.

  • O contrato atual tem qual valor e duração? Cerca de R$ 6,9 milhões por seis meses.

  • Há denúncias confirmadas recentemente? Existem relatos recorrentes ao longo dos últimos anos. Casos recentes específicos não foram oficialmente confirmados até o momento.

  • Existe previsão de reforma da cozinha do hospital? Não há, até agora, um cronograma público atualizado sobre essa possibilidade.

  • O que pode mudar nos próximos meses? Com o prazo do contrato em vigor, novas decisões deverão ser tomadas em breve sobre a continuidade ou revisão do modelo atual.

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