Decisão do TSE apontou abuso de poder político e vai respingar em municípios do Rio. Mais pessoas foram condenadas; veja todas
O julgamento foi concluído nesta terça-feira (24) e atingiu diretamente o ex-governador do Rio, que renunciou um dia antes da decisão final. No interior do estado, o caso volta a chamar atenção porque a lista do Ceperj já havia revelado mais de 200 nomes em Nova Friburgo em apuração exclusiva feita ainda em 2022.
Na última terça-feira, 24 de março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu o julgamento que condenou Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico em um esquema ligado à criação de milhares de cargos temporários no Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Um dado apresentado mais adiante ajuda a compreender por que esse cenário continua exigindo atenção.
Logo nas primeiras horas após a confirmação da condenação, o caso voltou a repercutir também em Nova Friburgo, porque o Portal EcoSerrano havia divulgado com exclusividade, ainda em 2022, após levantamento detalhado e cruzamento de dados públicos, que mais de 200 nomes ligados ao município apareciam nas listas de pagamentos do Ceperj. Na época, o levantamento mostrou nomes de pessoas vinculadas a diferentes áreas da cidade, inclusive alguns que posteriormente passaram a ocupar funções na Prefeitura e também na Câmara Municipal. O material publicado pelo portal apontava um cenário considerado sensível politicamente, embora a presença na lista não configurasse automaticamente funcionários fantasmas, já que cada vínculo exigia apuração individual.
Esquema julgado pelo TSE envolveu saques em dinheiro vivo e 27 mil cargos temporários: Segundo a decisão do TSE, houve montagem de uma estrutura paralela de pagamentos com aproximadamente 27 mil cargos temporários, com retiradas em espécie diretamente em agências bancárias. Os bancos comunicaram à investigação que dezenas de milhares de saques foram feitos em “boca do caixa”, totalizando R$ 248 milhões. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, o mecanismo teria servido para fortalecer politicamente a candidatura de Cláudio Castro e também de Rodrigo Bacellar nas eleições de 2022.
EcoSerrano havia identificado reflexos locais ainda no auge da investigação: Em Nova Friburgo, a apuração exclusiva do EcoSerrano chamou atenção porque mostrou vínculos locais em uma lista estadual que ainda era pouco conhecida fora dos grandes centros. Naquele momento, o material levantado indicava um possível uso político da estrutura de pagamentos, especialmente porque parte dos nomes possuía relação com ambientes políticos locais. Um aspecto pouco observado aparece justamente nos dados mais recentes: a decisão do TSE agora reforça judicialmente a gravidade eleitoral do mecanismo que, à época, ainda era tratado sob disputa política e administrativa.
Renúncia ocorreu um dia antes da condenação: Cláudio Castro deixou o cargo na segunda-feira, 23 de março, um dia antes do encerramento do julgamento. Por isso, não houve cassação de mandato, mas a condenação gerou inelegibilidade por oito anos, com contagem retroativa a partir das eleições de 2022, o que mantém a punição válida até 2030. Também foram condenados: Thiago Pampolha e Rodrigo Bacellar. Ambos ficaram igualmente inelegíveis.
Como ficou o governo do Rio após a saída de Castro: Com a renúncia, assumiu interinamente o comando estadual o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A próxima escolha do governador será feita de forma indireta pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Maioria do TSE acompanhou voto da relatora: Prevaleceu o voto da ministra Isabel Gallotti. Ela foi acompanhada por:
Antonio Carlos Ferreira
Floriano de Azevedo Marques
Estela Aranha
Cármen Lúcia
Ficaram vencidos:
Nunes Marques
André Mendonça
Ministros divergentes defenderam ausência de prova direta: Nunes Marques afirmou que os autos não demonstraram ligação direta suficiente entre os contratados e a pré-campanha de Castro. Já André Mendonça reconheceu irregularidades administrativas graves, mas entendeu que não havia comprovação direta da participação pessoal do ex-governador no esquema.
Atualizado às 12h25: A nova leitura jurídica do caso amplia o peso político de um tema que, no interior do estado, já vinha produzindo repercussões desde 2022 — especialmente em cidades como Nova Friburgo, onde listas públicas passaram a ser analisadas localmente antes mesmo da consolidação judicial em Brasília. Foi justamente esse dado consolidado que ampliou a nova leitura do cenário nesta atualização.
Perguntas rápidas sobre o caso
Cláudio Castro pode disputar eleição em 2026? Não. Ele está inelegível até 2030.
A lista do Ceperj em Nova Friburgo significava automaticamente cargo fantasma?
Não. A presença do nome exigia análise individual.
Quem governa o Rio neste momento? Ricardo Couto de Castro está no comando interino até eleição indireta.