Glauber Braga falando em sessão da Câmara dos Deputados, com Hugo Motta e outros presentes.

Glauber Braga escapa da cassação e Hugo Motta não disfarça a revolta

Suspensão foi aprovada após articulação de aliados do governo que reverteram a tendência inicial de cassação

Glauber Braga (PSOL-RJ) evitou a cassação e recebeu suspensão de seis meses, após acordo articulado no plenário. A decisão ocorre em meio a crise institucional provocada pela ocupação da Mesa Diretora pelo deputado.

Cenário político muda após tumulto envolvendo Glauber Braga

A Câmara dos Deputados decidiu, nesta quarta-feira (11), suspender por seis meses o mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ). A votação — 318 a favor e 141 contra — ocorreu menos de 24 horas após o tumulto provocado quando o parlamentar ocupou a cadeira da Presidência da Casa. Até o início da tarde de hoje, a expectativa entre líderes partidários era de cassação. Contudo, conforme informações de parlamentares da base governista, um destaque articulado ao longo do dia reverteu o cenário e reduziu a punição para suspensão. A mudança teve relação direta com a crise institucional envolvendo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que conduziu o episódio da véspera com forte reação e gerou desconforto entre diversos partidos.

Articulação política garantiu a suspensão

Segundo relatos internos, líderes do Centrão — que até ontem defendiam a cassação — foram convencidos a apoiar a suspensão para evitar um possível revés no plenário. Deputados argumentaram que uma derrota na votação seria interpretada como desgaste adicional para a Presidência da Câmara. A votação, conforme avaliaram aliados, serviria como “saída honrosa” para Motta, que enfrenta críticas por acionar a Polícia Legislativa e determinar o corte do sinal da TV Câmara durante o tumulto.

Glauber se defende no plenário e critica a condução do processo

Durante os 25 minutos de defesa, Glauber afirmou que continuará denunciando o que considera irregularidades na Casa. Seu discurso começou com a frase: “O Congresso é inimigo do povo”. O deputado também voltou a criticar o ex-presidente Arthur Lira e mencionou que a tentativa de cassação “não tem absolutamente nada a ver com o chute na bunda dado no provocador”, fazendo referência ao episódio com o militante do MBL. Ele também rebateu a postura de Hugo Motta, alegando que o presidente da Câmara buscou criar paralelos entre seu caso e o da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que está presa na Itália após condenação no STF.

Relembre o episódio que deu origem ao processo

O processo disciplinar contra Glauber teve início após o episódio de abril de 2024, quando ele chutou o militante do MBL Gabriel Costenaro durante uma discussão nos corredores da Câmara. A briga envolveu empurrões, chutes e a intervenção da Polícia Legislativa. O Conselho de Ética aprovou, em março deste ano, relatório favorável à cassação. Glauber então iniciou uma greve de fome em 9 de abril, permanecendo oito dias ingerindo apenas água e soro. O ato foi encerrado após um acordo que adiou momentaneamente a votação.

O protesto na Mesa Diretora gerou reação imediata

Ao saber que o processo seria votado nesta quarta, Glauber subiu na Mesa Diretora e ocupou a cadeira presidencial. Ele afirmou: “Eu ficarei aqui até minhas últimas forças”. O gesto paralisou os trabalhos e levou Motta a acionar a Polícia Legislativa. A retirada forçada do deputado, com imagens de empurra-empurra e o paletó rasgado, intensificou a crise. Deputados questionaram a decisão de cortar o sinal da TV Câmara e impedir jornalistas de registrar a confusão. Nos bastidores, cresceu a avaliação de que Motta perdeu apoio político após o episódio.

Mini-questionário: sua opinião sobre a decisão da Câmara

  1. Você considera justa a suspensão de seis meses imposta ao deputado Glauber Braga? 
  2. A atuação da Presidência da Câmara no episódio foi adequada? 
  3. O caso deve alterar o clima político em Brasília nos próximos meses?

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